Mostrar mensagens com a etiqueta portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta portugal. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, julho 17, 2007

Os lacticínios dos Açores.

Este ano fiquei boquiaberto ao ver o estado em que estava a lagoa das furnas. Verde, cheia de algas, com um aspecto quase pantanoso.

Nas sete cidades, as lagoas estavam ainda piores que o ano passado. A lagoa verde está amarela e a lagoa azul está quase tão verde como a lagoa das furnas. Nem sequer as consegui fotografar.

Para os turistas que as viam pela primeira vez, percebi que sentiam que estavam perante um cenário paradisíaco. Mas basta passar os olhos pela lagoa do fogo (a única protegida da exploração pecuária) para ver a diferença e perceber o que está a acontecer.

Os postais antigos onde as diferenças de cor eram visíveis, parecem apenas manipulações das imagens.

A causa de semelhante catástrofe está na exploração intensiva das pastagens da ilha e no excesso de nutrientes (estrume e adubos, na verdade) que são arrastados. Se nada for feito, nunca mais as lagoas serão o que eram.

Já não falo sequer no fim da laurissilva endémica que resiste ainda nalgumas zonas entre a tronqueira e o pico da vara.

Cá em casa, o boicote aos lacticínios dos Açores começa hoje. Meus amigos de Vila do Conde, gramem vocês com as vacas. Lamento.

lagoa das furnas

| lagoa das furnas | s. miguel | açores | julho de 2007 |

sexta-feira, junho 22, 2007

A vida não tem uma interrupções. Sou uma moderna sala de cinema, sem intervalos de mim próprio.

chega de bois
| chega de bois | gondar | Amarante | Junho de 2007 |

segunda-feira, junho 18, 2007

A rapariga que falava todas as línguas.

Não era já motivo de surpresa. Conheceu búlgaros, polacos, ingleses, galegos da galiza, espanhois de outros sítios, portugueses dos açores, de lisboa e de outros sítios igualmente improváveis. Não a assustavam os encontros furtuitos na rua com chineses, indianos, paquistaneses, vietnamitas, congoleses, senegaleses, marroquinos, argentinos bebendo mate e índígenas equatorianos.

Com todos eles se entendia, como se ao mergulhar pela primeira vez nas águas limpas da caloura, um peixe babel se tivesse instalado no interior do seu canal auditivo.

Era muito mais simples que isso. Mas o mistério permaneceria por desvendar anos a fio.

o povo e o touro
| os guarda-sois, os cornos do touro, a sua língua e a fraga inerte | gondar | amarante | Junho 2007 |

domingo, junho 17, 2007

A televisão de alta definição

Quase sem rebuliço, foi lançado esta semana o primeiro serviço de televisão de alta definição em Portugal.

Durante muito tempo este serviço vai ser apresentado como um serviço de telefone, internet e televisão. Essa é a única maneira das pesssoas perceberem do que se trata e portanto é a única forma de o vender. Mas tecnologicamente não é nada disso. Ou melhor, é muito mais que isso.

A televisão foi a mais importante forma de comunicação. Quando o telejornal mudava de horário, a hora da refeição tinha que ser obrigatoriamente alterada lá em casa. Assim seria provavelmente em todas as casas.

Hoje, as televisões são pouco mais que supérfluas. Fazem algum sentido em conjunto, mas sem qualquer significado quando vistas isoladamente. Só assim poder-se-ia vender televisão por cabo. O que se vende é o zapping e a sua sensação de liberdade, mas o que se compra é uma enjoativa repetição de programas temáticos e a sua sensação de déjà vu.

Aliás, é um dos rudimentos da teoria da informação: quanto mais frequente é uma determinada "palavra", menos informação transporta.

A televisão está neste momento tecnologicamente ultrapassada. Não será mais do que uma curiosidade do século XX. Desde a semana passada que podemos ver canais de alta definição em casa, escolher os programas que queremos ver e à hora que o quisermos fazer, construir uma grelha de canais ao gosto de cada um, ter acesso a bibliotecas de filmes acessíveis a qualquer hora e a qualquer momento.

E evidentemente que tudo isto será ainda melhor quando o acesso for feito não por pares de cobre, mas directamente em fibra óptica (FITL - fiber in the loop). Vamos rapidamente deixar de falar em "Megas" para começar a falar na hierarquia SDH - todos com STM-1 em casa... Que maravilha. :)

O electrodoméstico "televisão" será apenas mais um dos terminais ligados a redes de dados - as mesmas de que é feita a internet. E são essas redes que mudarão a forma daquilo que são as nossas vidas. Ou melhor ainda, nós é que as mudaremos.

 quatro homens de cajado
| o mistério do cajado anão | amarante | junho de 2007 |

domingo, junho 10, 2007

Hipótese

Imaginei que o Paulo Nozolino tinha ido ao Serralves em Festa e tinha metido as fotos no seu blog. Usando o método científico, verifiquei que a hipótese estava errada.


| nozolino went to serralves | serralves em festa | porto | 3 de Junho de 2007 |

sábado, junho 09, 2007

Observação inútil.

É estranho como as bananas depois de maduras ficam praticamente negras.


| away | miramar | vila nova de gaia | Fevereiro 2006 |

quarta-feira, junho 06, 2007

O que visitar na Madeira

Aí tens a página oficial do Turismo da Madeira.

Sendo eu meio açoreano - na verdade sinto-me bem mais que meio açoreano - sempre olhei com alguma displicência para a ilha da Madeira. O estereótipo de que os Açores são muito mais bonitos que a Madeira, é coisa que se ouve sempre e, como vim a confirmar, não é exactamente verdade. É certo que a ilha foi-me apresentada da melhor forma: por um guia excepcional.

Para quem quer turismo de hotel, não há como o Funchal. A zona do Lido, a lembrar o pior do urbanismo algarvio, tem todos os hotéis de luxo concentrados num raio de 2kms.

Logo ao lado está Câmara de Lobos. Vila piscatória e uma das zonas mais pobres da ilha. Uma espécie de Rabo de Peixe da Madeira. A visitar, evidentemente.

No estreito de Câmara de Lobos (o vale que se estende para norte até ao Curral das Freiras), além dos bananais, estão os mais famosos restaurantes da ilha. Mas comer comer é encontrar uma tasca qualquer no Funchal (das que não têm pretensão a receber turistas) e comer milho cozido com atum de cebolada. Um pitéu bem melhor que a vulgar espetada madeirense.

Ainda no Funchal é obrigatório comer as queijadas da confeitaria Penha d'Águia. O movimento é muito e o serviço tanto quanto me lembro é fraquito, mas as queijadas valem o esforço.

O mercado do Funchal (sobretudo a parte das frutas) é uma das armadilhas para turistas. Preços exorbitantes para as frutas tropicais, que podem ser compradas por menos de metade do preço noutro sítio, sobretudo se compradas a quem as vende na berma da estrada. À beira da estrada também se podem comer bolos do caco feitos na hora.

Mas o verdadeiro encanto da ilha encontra-se na montanha.

A vista da Eira do Cerrado sobre o Curral das Freiras é obrigatória. Daí tem-se uma vista panorâmica sobre toda a zona central da ilha e sobre a zona montanhosa que a rodeia.

Os dois grandes Picos da Ilha são o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo. O Pico do Areeiro pode ser visitado de carro e o Pico Ruivo num curto passeio de uma hora a pé. A pressão turística é aliás um dos problemas sérios em sítios que eram até há poucos anos de natureza virgem.

Há um percurso a pé entre o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro, tal como há imensas levadas que podem ser percorridas por toda a ilha. As levadas servem para recolher água doce das encostas e traze-la para ser usada na agricultura da parte sul. Algumas das levadas são perigosas: acompanham escarpas e não foram feitas propriamente para receberem montanhistas de fim de semana.

A zona do Paul da Serra, dá acesso de carro a dois sítios: ao Fanal e à queda de água do Risco. A queda de água do risco está habitualmente cheia de turistas mas vale a pena o passeio de uma hora ou pouco mais. O Fanal parece-me que é felizmente menos turístico. Trata-se de uma mata de Tis e é mais um sítio único e de visita obrigatória.

Boa viagem... põe-te fina. ;)


Queixava-se um amigo meu que os meus textos nada têm a ver com as fotos. É verdade. E é natural que isso aconteça muitas vezes. Mas hoje até tive a preocupação de ir buscar uma foto adequada. Este blogue está cada vez mais descaracterizado.


| Til | Fanal | Ilha da Madeira | Março de 2005 |

Princípios Simples XXIV

Os melhores mestres são aqueles que tratamos por tu. O contrário não é necessariamente verdade.


| Estética Aniceto B. | Trás-os-Montes | 2006 |

quinta-feira, maio 31, 2007

Fotoalternativa.net

Surgiu, em 2002 (creio) o site fotoalternativa.net. Estou lá dentro desde essa altura e digo-vos que é das coisas com importância na minha vida desde há uns anos para cá.

Inicialmente era apenas uma ferramenta básica que permitia a comunicação de um conjunto de fotógrafos amadores que se conheciam entre si. A pouco e pouco, o site foi desenvolvendo funcionalidades e hoje é um verdadeiro portal de fotografia.

Para perceber o que distingue este espaço dos restantes que se podem encontrar na Internet em Portugal, tem que se olhar para as fotografias dos seus membros. No entanto, enquanto espaço de discussão, encontro e aprendizagem, o alt escolheu deliberadamente manter privadas a grande maioria das fotografias que nele são publicadas. Para se ter uma ideia, em Maio de 2007 atingiram-se as 50000 fotografias.

Apenas os seus membros têm acesso a estas fotografias, as podem comentar, adorar ou detestar.

Por lá já passaram mais de 300 pessoas, com algumas excepções, todos amadores.

A ideia de criar um blog surgiu da vontade de tornar públicas, com regularidade, as boas fotografias que vão sendo feitas no âmbito deste grupo. E digo-vos que são muitas.

Algumas já são publicadas em blogs pessoais, noutros sites de acesso livre, em exposições ou de outras formas. O blog permitirá no entanto agregar e dar visibilidade a todos estes autores e às suas fotografias.

O fotoalternativa.net é um espaço de fotógrafos; alt.blog é um espaço de fotografias.

Venham ver. E divulguem, claro.

Já agora um recadinho aos que sairam e que eu sei que vão ler isto. Voltem, anormais.


| a mais importante careca do mundo | casa da música | porto | maio 2007 |

segunda-feira, maio 07, 2007

Sexo e tabaco.

Para mim estas coisas começaram na escola.

Há coisas que nunca perceberei. Uma é a ligação entre as motas, o tabaco e o sexo. As Yamahas DT, as Casal Boss e as Vespas eram o objectivo de vida de 50% da população da escola secundária. Ter uma lambreta era a sorte grande. Para os infelizes que não chegavam lá havia sempre a possibilidade de fumar nos intervalos. Havia até quem combinasse motas e tabaco. E tudo isto estava ligado a um mito bem estabelecido: o sucesso face ao sexo oposto.

Eu sempre senti curiosidade por outras coisas. Uma delas o sexo propriamente dito. A outra era a música. Preferi passar a adolescência a passear enormes LPs de casa para escola e da escola para casa.

Mas deixemos as motas de lado. Desde que vi há uns anos o filme da Emmanuelle, que não via uma ligação tão íntima entre sexo e tabaco.

Há coisas que eu nunca perceberei. O prazer de inalar alcatrão é uma delas. A maioria dos fumadores acham que o fumo no espaço público pode ser moderado em ambientes "sérios" - no trabalho, nas escolas, nos museus, nos cinemas, nos transportes públicos... Mas quando se trata de "lazer" a coisa muda de figura. O cigarro é "lazer". Por isso os cafés, restaurantes, bares e discotecas são feitos naturalmente para fumar. Naturalmente. Isso nunca será visto como uma violência colectiva pela maioria dos fumadores. Naturalmente.

Deixei de sair à noite há uns anos precisamente por causa do fedor a tabaco. E por causa de outra coisa importante: a música e o sexo. :)

Há coisas que eu nunca perceberei. A mística à volta do cigarrinho pós-coital é uma delas. É que - aqui me confesso - nunca me enrolei com uma fumadora. Acasos da vida.

Ainda posso falar das incoerências de discussões partidárias, onde discutindo-se acesamente assuntos como (ora deixa ver...) a ecologia ou serviço nacional de saúde, enchem-se durante horas, salas com fumo de tabaco, cagando literalmente em noções básicas de poluição, saúde pública e de bem estar colectivo. Triste. Patético.

Há alguns anos que não participo em reuniões dessas. Acasos da vida.

velho marco de correio
| marco de correio | casa dos avós | Trás-os-Montes | 2006 |

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

O que fica da campanha eleitoral.

Passeio-me noite fora, com frio no peito, as mãos geladas e a barba húmida. As ruas estão desertas como sempre. Ao cimo de Stª Catarina uma puta observa-me. Vamo-nos cruzar. Ambos o sabemos. Olho-lhe para o cú. Grande. O olhar cansado, as mãos certamente tão frias como as minhas. A cara triste. A minha não sei que cara seria.
«Queres bir filho?»

Onde quereria ela levar-me?
Baixei os olhos e pensei na campanha eleitoral.

«Querem bir, filhos?»
Baixo os olhos e penso onde quererão eles levar-nos.


| Mareantes do Douro | Gaia | Janeiro de 2005 |

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Democracia é...

Um partido com 45% dos votos ter 52% dos deputados.
Um partido com 29% dos votos ter 31% dos deputados.
Um partido com 7,6% dos votos ter 6% dos deputados.
Um partido com 7,3% dos votos ter 5,2% dos deputados.
Um partido com 6,4% dos votos ter 3,5% dos deputados.


| Carnaval | Podence | Fevereiro de 2005 |

sábado, fevereiro 12, 2005

Coisas explicáveis

A boa disposição de um ser humano na noite de domingo pode ser explicada pelo ritual um pouco bizarro de seguir outros que como ele se divertem em rituais igualmente bizarros. Assim foi domingo à tarde em Podence.

A boa disposição de um ser humano na noite de sexta-feira pode ser explicada pelo ritual um pouco bizarro de seguir outros que como ele se divertem em rituais igualmente bizarros. Assim foi sexta-feira à tarde no Porto.

A boa disposição será a marca da noite de 20 de Fevereiro.


| Carnaval | Podence | Fevereiro de 2005 |

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Sinto-me bem em casa

Entendendo a casa no sentido lato. Nada de cedências ao conforto doméstico e individualizado da pequena-burguesia. Paleio de circunstância, note-se.


| Carnaval | Podence | 6 de Fevereiro de 2005 |

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Ali vai S. Gonçalo.

À porta de casa, uma festa religiosa onde a igreja tem um papel menor. Coisa rara. Coisa divertida. Coisa séria. Não é todos os dias que a cabeça de um gigantone (ou de vários, para ser correcto) é lambuzada por um bom milhar de beiças. Ele é nosso. É, é, é, é...



| Mareantes do Douro | Gaia | 16 de Janeiro de 2004 |