sexta-feira, maio 27, 2005

Anti-militarista...

... e também anti-clerical.
Luther Blisset, ao seu serviço.


| Domingo de Páscoa Ortodoxa | Roménia | Maio 2005 |

segunda-feira, maio 23, 2005

Mas eles são mesmo de cá?

Confesso que não percebo muito o que é que pode levar um ser humano adulto a saltar horas a fio apenas porque um grupo de 11 matrecos ganha um jogo, um campeonato, uma taça ou outra merda qualquer. Não percebo muito bem, mas aceito tranquilamente que esse é um direito legítimo.

Há no entanto gajos que gostam de o fazer e, apesar disso, não reconhecem essa legitimidade a outrem.

Ontem, na minha cidade, um grupo de animais veio explicar que, na minha cidade, ou todos seríamos animais como eles próprios ou então seríamos apenas e só provocadores.

Assustadoramente, a raíz do mais profundo totalitarismo não reside na atitude de um grupo de poucas centenas de imbecis. Essa raíz reside na tranquilidade com que a restante cidade aceita de forma quase natural esta lógica macabra.

Gajos que eu sei serem inteligentes até podem explicar demoradamente o prestígio, a notoriedade, a projecção da imagem da cidade e o blá blá blá do costume que legitima a importância das empresas de futebol, S.A. Mas cá para mim isso é tudo conversa fiada. Uma cidade sem estádios podia não ser necessariamente melhor, mas evitava-nos ter que aturar bandos de animais, sejam eles anónimos ou publicamente reconhecidos. E nesse caso o prestígio da cidade seria indubitavelmente maior. Como o de qualquer outra cidade.


| Abril | 2005 |

terça-feira, maio 17, 2005

O sentido das origens.

Foi em 2005 que Marco efectuou a sua primeira viagem à Roménia.

Descendente de ciganos da Moldova, emigrados para o sudoeste da Europa no fim do sec XVIII, o espaço mítico deste território sempre havia marcado a sua infância com referências cruzadas a milho cozido, salsichas frescas na brasa e sobretudo vinho rasca. A Roménia era um pouco a sua pátria. Foi portanto ao fim de 6 anos de projectos e de poupanças que conseguiu meter-se num avião para o aeroporto de Otopeni em Bucareste onde teve as primeiras impressões deste seu berço materno.

Olhando em redor, observando os autóctones verificou que as mulheres se vestiam segundo os padrões da prostituição da sua cidade natal - Bragança. Já os homens variavam entre o bigodinho à géninho e o corte de cabelo à Macgyver.

«Carago! A Roménia é esta merda?» Pensou ele percebendo melhor a razão da migração dos seus antepassados.

À noite foi fotografar Dácias. :)

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| Hotel Bulevard | Sibiu | Abril 2005 |

quinta-feira, março 03, 2005

Bitácora.

Bitácora. É uma palavra muito mais poética do que blogue. Igualmente opaca, mas sem o sentido frouxo dos anglicismos.


| Eu e a minha Pentax | O mesmo armário da Tia Lídia | 2004 |

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

O que fica da campanha eleitoral.

Passeio-me noite fora, com frio no peito, as mãos geladas e a barba húmida. As ruas estão desertas como sempre. Ao cimo de Stª Catarina uma puta observa-me. Vamo-nos cruzar. Ambos o sabemos. Olho-lhe para o cú. Grande. O olhar cansado, as mãos certamente tão frias como as minhas. A cara triste. A minha não sei que cara seria.
«Queres bir filho?»

Onde quereria ela levar-me?
Baixei os olhos e pensei na campanha eleitoral.

«Querem bir, filhos?»
Baixo os olhos e penso onde quererão eles levar-nos.


| Mareantes do Douro | Gaia | Janeiro de 2005 |