quinta-feira, setembro 15, 2005

Galáxias como grãos de areia.


| Luis Fazenda | Lisboa | Abril 2004 |

terça-feira, setembro 06, 2005

As portas da percepção...

..não se abrem com as visões da morte. Tal como as frases que se escrevem, explicam o real. Tal como o meu avô de 92 anos seria certamente um presidente da república em quem votaria sem qualquer hesitação. Tal como hesitação será coisa que não faltará nas próximas eleições presidenciais. As portas da percepção fecham-se. Tal como as portas de um autocarro.


| Portugal | 2004 |
| A propósito, o meu avô é o personagem ao fundo|

terça-feira, agosto 30, 2005

Para quem não sacraliza o quotidiano.

Figura mítica mas bastante desconhecida da cidade do Porto. Tem um
mestrado numa área científica que não tem grande importância para a
actividade profissional que desempenha. Tem 30 anos e é monogâmico
praticante. Fica com lágrimas nos olhos perante um bom filme ou olhando para imagens dos incêndios florestais. Está a ficar careca.
É fotógrafo amador há alguns anos. Começou a fotografar com uma
Yashica médio formato e fotómetro de mão. Tinha para aí 12 anos. Hoje usa uma das três Pentax analógicas que tem em casa. Todas têm
fotómetro integrado.
Participou em diversas exposições. «Interior» no Jornal Universitário do Porto e na Casa do Careto (Podence), «Novos Activismos» na galeria 4 Gatos (Porto) e «Portugal Hoje» na Casa da Cultura da Moita. Em todas as exposições gastou bastante dinheiro e nunca vendeu uma única fotografia. É daqueles que acredita que o dinheiro não é tudo na vida. Por isso ofereceu com gosto diversas fotos a alguns amigos e amigas.
Podes tentar receber a tua. Vê como em joaoluc.blogspot.com.


| Roménia | 2005 |

domingo, agosto 28, 2005

Estrela e Natasha

Estrela era uma rapariga nova. Enfim, relativamente nova, até porque a juventude extende-se cada vez até mais tarde. Com 22 anos decidiu viajar até à Bulgaria, onde casualmente se encontrou com uma tradutora de alemão para búlgaro. Esta chamava-se Natasha. Conversaram demoradamente sobre os respectivos países. Ao perceberem que partilhavam um interesse comum por fotografia, Estrela explicou-lhe a razão pela qual apenas fotografava a preto e branco.

O mundo é muito curioso a preto e branco. Tudo pode ser dividido com simplicidade entre branco e negro, essa dicotomia mágica, esse extase do Yin e Yang, que no fundo é a redução do planeta à sua essência de bondade ou maldade absoluta. Na verdade Estrela não acreditava em nada disso, mas esta ideia redonda servia para manter a conversa de circunstância com Natasha.

Meses mais tarde, um pouco a despropósito, Estrela recebe no seu telemóvel uma mensagem em que Natasha lhe pedia excepcionalmente 100 euros emprestados. Estrela retomou a sua tese sobre a simplicidade do mundo. Um mundo que se divide entre os que têm juízo e os que não dão passos maiores que as pernas.

Respondeu-lhe:
«the world's b&w. those who have 100e and those who don't. sorry mate.»

:D


| Polónia | 2003 |

sábado, agosto 20, 2005

Duas cidades com o mesmo nome.

Viajo até Lisboa com bastante frequência ao longo de todo o ano. Sinto-me permanentemente em trânsito e com uma vontade permanente de partir. Assim sempre senti a cidade desde que a conheci há mais de 10 anos atrás. Na minha infância Lisboa era uma cidade distante e as grandes viagens (5 horas para percorrer 220kms) não viravam nunca para sul, mas sempre para leste.

Descobri Lisboa aos poucos, não com o sentido das viagens frequentes, mas com as deslocações prepositadas para passear. Almoçar na rua da Palma, lanchar em Belém, comer um gelado no Rossio, jantar no Bairro Alto e acabar a noite num miradouro na Graça.
No dia seguinte pegar no carro para visitar Sintra, a Arrábida ou pura e simplesmente ir ver meia dúzia de exposições idiotas.

Uma das coisas que nunca havia feito, até 2004 foi entrar no Parlamento. Tinha-me habituado a vê-lo do lado de fora. Não é "vê-lo"-"vê-lo". É mais no sentido de me sentir sempre do lado de fora. Nunca tive interesse nos seus participantes, nunca me senti no seu interior, nunca participei na sua composição. Nunca elegi ninguém. Desde 2003 as coisas ficaram um pouco diferentes.

Há no entanto uma sensação que surge de cá de dentro como a de um formigueiro nos braços; a sensação de que todos os passos no Parlamento são passos perdidos.


| André | Parlamento | Lisboa | Junho 2004 |