segunda-feira, abril 03, 2006

Não sei se te beije, não sei se te bata.

É um anúncio urbanístico premonitório. Vindo de automóvel do norte, entra-se em Nápoles pelo Sul. A cidade explica-se por si só desta forma. As cidades têm a sua personalidade própria e aquelas que são difíceis de explicar são-o porque são também difíceis de compreender. Assim que se entra na Piazza Giuseppe Garibaldi em plena hora de ponta, a cidade anuncia-se e explica-se. Não há carros em Nápoles que estejam impecáveis. Todos estão riscados, batidos, amolgados, amassados. Em paralelo percebe-se que um semáforo verde é uma indicação para avançar, mas o vermelho é apenas uma indicação para abrandar. As passadeiras são objectos decorativos e os passeios são a melhor forma das motorizadas escaparam ao trânsito do fim do dia. Provavelmente tudo isto são factos não correlacionados.

Meter num mesmo centro histórico, lado-a-lado, as ruas requintadas de Paris e as ruelas da Sé do Porto é uma coisa desconcertante. Mas mais desconcertante é entrar numa qualquer igreja e ver rapazes e raparigas com 16, 18 anos à espera para se confessarem. Desconcertante apenas porque com essa idade é natural que não tenham carta de condução. Pensando melhor, talvez por isso o façam...


| Portugal não tem nada a esconder | Linhares | Janeiro de 2004 |

sexta-feira, março 31, 2006

Não acordei no passado porque não adormeci.

No mundo do telégrafo o tráfego internacional era facturado ao caracter a partir dos primeiros 35 caracteres. Perguntava-se frequentemente se os stops também eram pagos. Não senhor, os stops não eram pagos. Um dia os telemóveis acabaram. Não porque os operários chineses se tenham decidido a recusar a fabrica-los ou porque algum poder tutelar o tenha vaticinado. Enfim, há coisas que não têm grande explicação, mesmo quando são bastante bem explicadas. Numa sociedade de informação isso é mesmo muito frequente.

No dia em que eu voltei a usar o telégrafo, percebi espantado que ninguém me percebia quando respondia dois pontos fechar parêntesis. Aguardo que para a semana me seja instalada uma máquina de telex em casa, mas percebo que um curso de Building Cisco Multilayer Switched não me será de grande utilidade no futuro. A carreira técnica nunca foi muito bem compreendida - é verdade descobri-lo da forma mais dura. stop.

Uma coisa é certa, isto de fazer links é muito chato. Ponto e vírgula fechar parêntisis.


| Annabelle | Nancy | 1999 |

quinta-feira, março 23, 2006

terça-feira, março 14, 2006

We’re only making plans for Nigel

Era um puto bestial. Bem disposto, inteligente, divertido. Muito à esquerda, participava em reuniões onde se discutia política e sempre, sempre se mostrava muito radical, muito intelectual - qualquer coisa - mas sempre muito, sempre muito mais que os outros. Enfim, andava por aí, por ali, mostrava-se, cumprimentava, aparecia mas na verdade ficava sempre a sensação que era um personagem ausente. Sempre que era preciso organizar, telefonar, mobilizar, fazer ou em conjunto construir alguma coisa o moço respeitava os seus compromissos todos: exames (muitos), aulas (a toda a hora) ou jantares de família (diários)...

Daqui a uns anos, quando fôr secretário de estado do oportunismo, onde declarará os grandes princípios da verdade absoluta, consubstanciados em citações fora de contexto de gente muito importante, de nomes da filosofia quer do renascimento quer contemporânea e sobretudo de muitos links para blogues, anunciando breves considerações sobre tudo e sobre nada, o moço será aquilo que se poderá chamar um moço de sucesso. A única questão que me atormenta é se será mesmo feliz. Evidentemente gosto de imaginar que não.

:)


| Wasabi com chá | Porto | 13 de Março de 2005 |

segunda-feira, março 06, 2006

Escrever grandiloquente é uma grandiloquência.

Há uma ambivalência que se esconde no meio. Algo que mistura ódio, paixão, obsessão, indiferença, desejo, repugnância, taciturnidade e vontade de conversar. Os blogues são uma raça maldita, mas por vezes é possível - sim - encontrar gente que se expõe, diz o que pensa sem grandes peneiras e sem precisar de se esconder atrás de citações grandiloquentes. Errância, num domingo de manhã. Offline mas solarengo.


| Com vontade de conversar | Porto | um domingo solarengo | 2006 |

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Olhando para os pés, sempre para os pés.

Mais de sete horas diárias de pé, sem função aparente, um pouco à espera do inesperado.
A vida não tem inesperados. Não. Ninguém se aproximará de ti na rua com um poema. Não se te declará uma paixão secreta aos 35 anos. Nenhuma empresa descobrirá aquilo em que revelas uma competência inata. Nenhum acidente será prevenido com o teu olhar de falcão. Uma velhinha pedir-te-á ajuda para comprar um bilhete, uma criança poderá perguntar-te as horas, um bando de adolescentes poderão fazer-te piretes provocatórios a partir do outro cais, um turista perguntará uma direcção em língua de trapos. Mas isso não é inesperado.
Nos intervalos passarás grande parte do tempo olhando para os pés, sempre para os pés.


| Não parece, mas é amor | Roma | Dez 2006 |

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Anúncio de jornal de um país imaginário

Moradia T2 no interior do país. Centro de Saúde mais próximo sem listas de espera e serviços de enfermagem domiciliários. Biblioteca itenerante passa 2 vezes por semana.


| JPC | Porto | Janeiro de 2006 |

terça-feira, janeiro 24, 2006

Aspirina B

Não mata mas alivia

João Pedro da Costa explicou-me uma coisa elementar: «(...) isto é tudo HTML. O mais importante é que o pessoal seja boa onda.»
As coisas mais elementares, são muitas vezes as mais dificeis de compreender.


| JPC | Porto | Janeiro de 2006 |

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Princípios Simples X

O corpo muda em todas as idades. A mente atrasa-se normalmente no processo.


| foto tipo "pita" | num sítio importante do planeta | Dezembro de 2005 |