terça-feira, setembro 19, 2006

Desejos que provavelmente não se cumprirão.

Com 68 anos, meter-me num avião até Montreal, atravessar o Canadá de lés-a-lés, tal Burt Monro, dormindo com velhas viúvas, fazendo amizade com travestis, tomando velhos remédios índios para a próstata.

Imaginando que o André ainda estará vivo nessa altura, será inevitável passar uma semana ou duas no Globetrotter de L'Anse-St-Jean a ler romances policiais junto ao fiorde depois de comer croissants caseiros logo de manhã cedo.


| Entroido | Entrudo | Xinzo de Lima | Fevereiro de 2006 |

quinta-feira, setembro 14, 2006

Memórias da inspecção militar

Dos três meios dias que a nobre instituição militar me obrigou a prescindir da minha vida, vem-me muitas vezes à memória uma das perguntas do questionário a que tive que responder para (assim imagino) traçarem de mim um perfil psicológico. A pergunta era: «Há alguém que deteste?».

Costumo lembrar-me disto muitas vezes ao ver o telejornal...


| Casa da Música | Porto | Fevereiro de 2006 |

quarta-feira, setembro 13, 2006

Velhos apontamentos

Nos meses de Julho e Agosto, com o refrear das fugas de autarcas para o Brasil, com a ausência de ministros a testemunhar em Monsanto, com a ausência de ocupações militares de países produtores de petróleo, os jornais desculpam-se dizendo que entramos na silly season. É um termo inglês, indecifrável q.b., mas particularmente fácil de perceber. Os jornais são a silly season. As nossas vidas são tão silly como no resto do ano. Pateticamente simples, não é?
[2003]


| Casa da Música | Porto | Fevereiro de 2006 |

segunda-feira, setembro 11, 2006

quinta-feira, setembro 07, 2006

O paradoxo da película a contra-luz

Apesar de uma fotografia de 500px ser demasiado pequena para poder ser genuinamente apreciada, nada dá mais prazer do que olhar para um negativo a preto e branco a contra-luz. Com ele ainda molhado e a pingar restos de Agepon, evidentemente.


| LD | não, não é o Camané | Porto | Fevereiro 2006 |

segunda-feira, setembro 04, 2006

sexta-feira, setembro 01, 2006

2001

No que diz respeito à cidade do Porto, Kubrick falhou descaradamente a sua proto-profecia sobre 2001. A culpa não se deve sequer a ele mas ao super-computador Hal-9000 que as direcções do PS e do PSD partilham entre si de cada vez que ocupam a câmara da cidade do Porto.

Depois da rodagem do filme, o bicho foi considerado ultrapassado sobretudo para as necessidades ficcionais de Hollywood. Foi guardado num armazém qualquer de LA até ao final dos anos 70 e, como acontece sempre nestas coisas, lá foi despachado a preços de saldo para o terceiro-mundo. A história deve ser muito obscura e quase de certeza que envolve o acordo de utilização da base das Lajes. Agora que o Independente fechou, terminaram as nossas hipóteses de ver a verdade revelada sobre a forma como o computador chegou até à cidade do Porto.

Mas os sintomas são óbvios. Num país macrocéfalo, onde qualquer aprendiz de pedreiro que queira chegar a capataz tem que necessariamente migrar para Lisboa, também os Srs. do PSD e do PS - tanta ambição que têm de chegarem a capatazes - se vêem forçados a correr para a capital.

No seu lugar, para ir dando conta de uns recados, deixaram o Hal-9000 que vai saltando da Rua Guerra Junqueiro para a Rua Stª Isabel de cada vez que os dois partidos alternam na presidência da Câmara. Para quem viu o clássico do Kubrick já adivinha a continuação da história. O Hal9000 é um ser caprichoso, dotado de muita esperteza e incapaz de assumir quando se engana.

O Hal é só um computador. Os computadores tradicionais interagem através de periféricos como o teclado, o rato, o monitor... O Hal interage através de interfaces como Fernando Gomes, Nuno Cardoso, Orlando Gaspar, Rui Rio, Valentim Loureiro. Os computadores como Hal, devido à idade do seu sistema operativo, estão mais sujeitos a vírus por isso é natural que se consigam vislumbrar sintomas do Hal até em periféricos como Álvaro Castelo Branco, Rui Sá ou João Teixeira Lopes.

A verdade é que chegados a 2006 o Hal consegue ainda enganar toda a gente. Apesar da forma como foram desqualificados os espaços públicos da Cordoaria à Batalha (passando pois claro pelos Aliados), pelos abusos generalizados do Metro do Porto, pelo encerramento do Rivoli, pelo tratamento abaixo de cão a que é reduzida habitualmente a inteligência dos habitantes da cidade, ainda há quem pense que a culpa de tudo isto é dos políticos.

Parece que já ouço na sombra o José Mário Branco a rosnar cínicamente «a culpa é dos políticos» mas não, não é disso que se trata... Um taxista (aqui, quando se fala do "povo", convém referir um personagem que todos possam identificar facilmente - é uma questão de estilo, note-se) dizia-me há dias:
-A culpa disto é dos políticos!
-Não é não - respondi naturalmente.
-Não é? - aqui a indignação do tom de voz começou a subir como se se estivesse a discutir a própria honra do sr. Jorge Nuno Pinto da Costa (coisa imaculada, como se sabe).
-Não, não é. - sorri (sorrio sempre)
-Intão de quénhéquié?
Hesitei muito em falar-lhe do Hal9000 por isso respondi evasivamente:
-A culpa é de quem neles vota.


| Casa da Música | Porto | Junho de 2006 |

segunda-feira, agosto 28, 2006

Princípios Simples XVI

O importante não é o que se fotografa mas aquilo que (e porque) se escolhe mostrar.


| duas mulheres e um homem | sibiu | roménia | maio de 2005 |

sábado, agosto 26, 2006

Rolos fotográficos, raios-x e aeroportos.

Das coisas mais irritantes para quem quer que faça uma viagem de avião hoje em dia são os controlos de segurança elevados ao nível da paranóia colectiva. Para a minoria marginal que gosta de fotografar com filmes estes procedimentos são desagradáveis ao ponto de poderem estragar uma viagem.

Claro que se encontrar algum segurança educado e não particularmente zeloso das normas burocráticas - como já encontrei em Pedras Rubras ou Schiphol - até pode ser que observem os rolos fotográficos um a um. Se se apanhar um segurança como o que comigo se cruzou no aeroporto Leonardo da Vinci passam-se as máquinas de raio-x com a sensação que eles são recrutados nas tascas mais obtusas de Roma.

Não há grandes dúvidas que um rolo fotográfico sacudido duas ou três vezes não deixa dúvidas sobre o seu conteúdo. Se dúvidas houvesse, seria fácil arranjar formas simples de não os expôr aos raios-x - p. ex. sabendo o peso exacto de um rolo de 24 ou 36 exposições. Nos dias que correm não tenho grandes dúvidas que nos farão passar os rolos fotográficos em cada vez mais máquinas de raio-x. Museus, edifícios públicos e até os comboios estão cada vez mais sujeitos a este tipo de controlo.

[Lembro-me a este propósito da história do P. que se meteu a caminho da Grã-Bretanha de comboio para não passar os rolos nos raio-x e apanha com ele no Eurotunnel onde é obrigado a fazer uma cena "daquelas"...]

Evidentemente vos repetirão à exaustão que as máquinas são seguras... Se puxarem conversa com alguém que perceba um pouco mais do assunto, explicarão então que são seguras para os rolos típicos de 100asa... Os problemas surgem só a 3200 asa.

É aqui que o dono dos rolos se arrepia todo.

Vejamos então. Imagino uma viagem simples em que se transporta um rolo de 400 asa que será "puxado" a 1600 asa - algo bastante comum para quem fotografa com filme. Basta que o filme seja passado por duas máquinas de raio-x para que tenha o mesmo nível de "contaminação" que um filme de 3200 asa passado por uma só máquina. Um filme de 800 asa só precisa de passar por 4 máquinas de raio-x para que lhe aconteça o mesmo - o que acontece facilmente numa viagem de ida e volta com escala num grande aeroporto.

Se por acaso sobram rolos de uma viagem, o melhor é mesmo marcar aqueles que já passaram no controlo anti-terrorista (coisa que nunca faço) para que depois não fiquem com as imagens nubladas.

A melhor supresa está guardada para o fim. Pensar que despachar os rolos na bagagem de porão (como é agora obrigatório nos voos entre Londres e os EUA) resolve o problema é um terrível engano. Essa bagagem é também passada por máquinas de raio-x muito mais potentes que as da bagagem de mão e capaz de velar de uma só vez um rolo de 100 asa. Simpático. Quase tão simpático como os anormais que fazem segurança no aeroporto de Fiumicino.


| em preparativos para a semana santa | blaj | roménia | maio 2005 |

terça-feira, agosto 22, 2006

Limpeza higiénica da agenda de contactos.

Não sei se apago o teu número telefone da minha agenda pelas tuas convicções ou pela falta delas.

| cdm | foto quase falhada | porto | junho de 2006 |