Este post, ao contrário do que é habitual tem duas fotografias. Os anteriores também tinham, mas não era tão óbvio. ;) Comecei a sentir isto pela primeira vez no Canadá. "Isto" o quê? Bom "isto" de achar que já há pouca coisa que se possa encontrar numa cidade que possa genuinamente surpreender ou encantar. É pedante bem sei... E já se está mesmo a adivinhar: agora o gajo vai-se pôr a enumerar todas as cidades que já visitou como quem mostra o pescoço carregado com as joias da família.
Não é que não me surpreenda com uma viagem - continua a ser das coisas que adoro fazer - mas o que eu procuro sou coisas menos retratáveis em fotografia. O mais certo é que os
bons momentos que se passam, nem sempre possam ser retratados. As máquinas fotográficas são só acessórios, de vez em quando também convém pousa-las...
Tudo isto para dizer que passear em Sófia pela primeira vez foi uma coisa que me agradou, mas não me surpreendeu. Gosto de descobrir as cidades a pé e calmamente. Visito uma loja de material fotográfico usado. Até aqui as russas
Lomo estão inflaccionadas. O homem pede-me 80 lev (40€) e explica-me que a grande angular é muito boa. Sorrio maldicentemente. O nome da máquina nem sequer está escrito em cirílico...
Noutro pólo da Universidade mais uma surpresa. Num cubículo de 36m2 amontoam-se livros por mais de 2 metros de altura. O velho livreiro sabe onde está cada um deles e tenta vender-me literatura búlgara do séc.XX em francês. Teria mais sorte que o outro com a Lomo, mas não me apanhou para aí virado.
Ao passar em frente à igreja em memória de Aleksander Nevski, encontro um elfo no jardim. Explico-lhe que para fazer o meu postal, preciso que passe em frente à igreja um trabant isolado, sem qualquer outro carro ou pessoa. Ele pisca-me o olho. Espero menos de 3 minutos, disparo e continuo o meu caminho.
| igreja aleksander nevski | sófia | bulgária | junho 2007 |Em frente à sede do governo, anterior sede do partido comunista, ostentam-se as bandeiras dos países membros da
Otan. Depois de seguidora canina da política de Moscovo, a Bulgária apressa-se agora a lamber as mãos ao novo dono. Os dirigentes búlgaros parecem ser alunos marrões que engraxam os professores o mais que podem, mas são incapazes de perceber o que quer que seja da matéria dada.
| sede do governo | sófia | bulgária | junho 2007 |