segunda-feira, outubro 01, 2007

Dia 6.1

A única discussão sobre o planeamento das férias tinha sido a passagem em Veliko Tarnovo. Eu tive que forçar a visita à antiga capital búlgara. Ficou acertada uma tarde para visitar a cidade, visita essa que acabou por ficar reduzida a menos de hora e meia. Das cidades búlgaras era a que tinha mais curiosidade em conhecer e a verdade é que fiquei com aquela sensação que ainda lá voltarei em dias da minha vida.

Chegámos lá depois de parar por pouco tempo em Kazanlak por causa de uma desdita essência de rosas. Almoçámos por menos de uns trocos numa tasca para camionistas no meio da montanha entre Kazanlak e Gabrovo.

A fotografia ao longe do Tsarevets - a cidadela antiga agora desabitada - ficou lixada por um reflexo da própria máquina na janela do hotel onde lanchámos. Não era esse o objectivo.

tsarevets
| tsarevets | veliko tarnovo | bulgária | junho 2007 |

Dia 6.0

Acordar às 06:45h. Atravessar um país de lés-a-lés em menos de nada. Lembro-me da estrada de Valladolid a Burgos. Gostava de poder parar em cada aldeia de berma de estrada. Não posso. Há maratonas que só se fazem nas férias. O avião não espera.

Numa mija de beira de estrada, disparo mais uma. Não me lembro de ver girassois na estrada para Valladolid.


| campo de girassois | na estrada entre burgas e kazanlak | bulgária | 2007 |

quinta-feira, setembro 27, 2007

Dia 5.6

Num hotel lotado, estranho como usamos a piscina praticamente sem companhia. Os restantes hóspedes usam-na durante o dia, com muito calor e com muito sol. Nós usamo-la antes do pequeno almoço ou tardiamente à hora de jantar.

O hotel prepara animações para os hóspedes. Aprecio ao longe as encenações na esplanada feitas, parece-me, à medida dos alemães. Os velhotes são os mais animados. Divertem-se, riem e conversam entre si. Os casais com crianças têm as mesmas trombas que teriam no final de um dia de trabalho. Aborrecem-se de morte e de certeza que não fizeram sexo uma única vez em todas as férias.

Em frente à piscina penso para mim mais uma vez: horrível. E um pouco em segredo, enquanto os ouço conversar, pouso a máquina nas espreguiçadeiras e retenho mais uma memória.

auto-retrato de joaoluc
| em frente à piscina | nesebar | bulgária | junho 2007 |

Dia 5.3.4.5

Nesebar
| sozopol | bulgária | junho 2007 |

A piada seca era a seguinte. Estávamos alojados no hotel Iberostar Festa. As estrelas ibéricas éramos nós e festa era o que nos esperava. Como qualquer piada seca, puro trocadilho de palavras de relevo desprezável.

Naquela tarde o melhor que aquele hotel tinha para me oferecer era uma cama e um quarto fresco para dormir uma sesta.

Burgas
| burgas vista da janela do carro | bulgária | junho 2007 |

Ao fim da tarde, em frente a uma praia feia q.b., o S. mostra-me indignado com a forma como a praia tinha sido privatizada. Aproveitando o facto de as marés no mar negro serem minúsculas, toda a praia estava cercada por um cordel até à água. Quem se quiser deitar na areia tem que pagar. Por ali o capitalismo foi compreendido num ápice.

O sol põe-se em terra, de costas para o mar. É estranho.
uma cerveja em frente ao mar
| meia cerveja burgasko | e o mar negro | nesebar | bulgária | junho de 2007 |

quarta-feira, setembro 26, 2007

Dia 5.2

Disparo mais uma snapshot. Espanta-me que, paredes meias com a Roménia, não haja Dacias. Os Ladas também servem. Na fracção de segundo em que o obturador permite a passagem de luz até ao ccd da máquina o mundo passa a dividir-se em duas partes irreconciliáveis. Aqueles que olhando para esta foto sabem porque é que ela foi feita e os outros.

um lada em Sozopol

| lada | sozopol | bulgária | junho 2007 |

terça-feira, setembro 25, 2007

Dia 5.1

Sozopol é (era) uma vila piscatória junto ao mar negro. O encanto que tem resulta mais do facto de não ter milhões de turistas germânicos, britânicos e escandinavos do que propriamente da sua beleza.

À beira mar os barquinhos. No interior as casinhas de madeira. Muito bonito para os postalinhos. De resto muito chato.

[assim se escreve Sozopol em cirílico, tem o seu encanto, não é?]


| sozopol | bulgária | junho 2007 |

Dia 5.0

Todas as horas apresentadas são em fusos horários diferentes e todos eles fictícios.

08:30h Ninguém na piscina do hotel. Ninguém vírgula, três portugueses mergulham ainda antes do pequeno almoço na água morna.

10:00h Direcção: Sozopol. Tinham-nos avisado... Sozopol estaria mais bem conservado e teria mais interesse do que Nesebar. Vamos lá espreitar então.

10:20h Passámos pelo interior da cidade portuária de Burgás. Horrível. :)

10:30h Estação de serviço. Tirar as primeiras snapshots do dia com a digital. Já tinha referido que estava calor?


| lukoil | a sul de burgas | bulgária | junho 2007 |

domingo, setembro 23, 2007

Dia 4.2

Das coisas mais bem inventadas dos tempos modernos é a proibição de fotografar. Lembro-me dos tempos em que não se podia fotografar nos aeroportos. Imagino que tenham percebido que a gosma suicida não precisasse das fotografias para nada. Ainda me pus a puxar pela cabeça porque razão não se poderia fotografar na igreja arménia de Plovdiv. Porque poderia ser atacada à bomba por integralistas Turcos? Porque é demasiado pobre para ser mostrada em público? Porque tem dizeres obscenos escritos em arménio nos tectos? Não faço ideia.

Pode uma cidade resumir-se a um fabuloso gelado? Não é bem assim. Pode uma cidade resumir-se a um passeio por um jardim onde se joga xadrez, a uma estação dos correios de estilo neo-realista e a um fabuloso gelado? Pode.

Partimos de Plovdiv a seguir ao almoço, atravessando metade do país com temperaturas acima dos 40ºC. Felizmente alugámos um Toyota, penso várias vezes.

À chegada a Nesebar penso no terrível erro cometido. Passaremos duas noites num sítio que parece Albufeira ou, melhor ainda, a Quarteira. Repito inúmeras vezes: «isto é horrível», até que os meus companheiros de viagem me proíbem de usar a palavra.

No balcão do hotel perguntamos como nos dirigimos até à cidade antiga (património mundial). A funcionária admira-se com a nossa pergunta. Mau presságio, penso eu, enquanto repito: isto é horrível.

moinho em Nesebar
| moinho | nesebar | bulgária | junho 2007 |

Depois de um jantar tardio em que não paro de transpirar, percorremos a pé a cidadela de Nesebar. À entrada do istmo, o velho moinho comunitário. Lá dentro, parece-me que acabei de entrar na feira de Espinho. E na verdade recebo de oferta uma camiseta do escrete, comprada nos ciganos.

Já passa da meia-noite, o calor continua insuportável. É a hora do S. se juntar aos búlgaros que tomam banho de mar. Eu fico nas margens a vê-lo misturar-se no negro do mar.

à noite, um homem entra mar adentro

| o homem laranja no mar negro | nesebar | bulgária | junho 2007 |

quarta-feira, setembro 19, 2007

Dia 4.1

Sentado numa esplanada sobre as ruínas do teatro romano percebo que atrás de mim se conversa muito, mas com muitas pausas. Duas mulheres reflectem nas palavras; param para pensar. De repente uma delas levanta-se e, ali mesmo, em frente aos papalvos dos portugueses, começam a explicar passos de dança.

Há de certeza quem teorize sobre a possibilidade de um país poder ser analisado pelas conversas que decorrem nos seus cafés. Em Portugal fala-se de futebol, em Inglaterra fala-se de Portugal, na Bulgária fala-se de dança.


| mãos ao alto | plovdiv | bulgária | junho 2007 |

Dia 4.0

Não faço ideia como era. Se era uma daquelas manhãs em que não me apetecia olhar ao espelho. Se era uma daquelas manhãs em que me apetecia dar um empurrão na balofa que não me deixa sair do metro. Se era uma daquelas manhãs que não me apetecia escrever. Se era uma daquelas manhãs em que não me apetecia dormir nem me apetecia acordar. Acho que não. Não me lembro bem.

Lembro-me que a senhora ficou muito baralhada com os nossos pedidos de pequeno-almoço. Recusámos os menus pré-definidos e trocámos as voltas a tudo. Na mesa apenas leite, pão e fruta. O hotel ficou a ganhar e nós também. Era uma daquelas manhãs em que não me apetecia comer carne ou ovos de manhã. Disso lembro-me bem.


| eu e o p. | hotel nord | plovdiv | bulgária | junho 2007 |