quarta-feira, agosto 06, 2008

Então tá. :|

1. Dou por mim a pensar nos meus gostos fotográficos. Perante a possibilidade de comprar um livro, de demorar um pouco mais os olhos numa fotografia, invariavelmente caio sobre o foto-jornalismo. É um sentido do clássico que não sei explicar bem. Noutros aspectos da minha vida acho que o comportamento não é comparável. Na escolha de livros, músicas, filmes, ou mesmo quando se trata da escolha de uma refeição, os clássicos agradam-me mas não são necessariamente os meus preferidos.

2. Com chapéu na cabeça, uma mochila pequena às costas, cuecas q.b., três camisas, dois pares de calções, protector solar, uma garrafa de água e dinheiro no bolso, sairei de casa. Um pouco mais de mil euros. Terei sempre tempo suficiente para dormir depois de almoço. Jogarei às cartas com os velhotes pelo caminho. Comerei o pó dos jipes e das moto-quatro. Com o telemóvel enviarei fotografias ao fim do dia aos amigos e à família.

3. Com as notas dessa viagem não farei nada. Nem um blogue, nem um livro, nem uma sequência de crónicas de viagem. Mas não serão deitadas fora. Ao pé de uma lareira, em Trás-os-Montes, falarei disso numa noite de chuva sem televisão nem luz eléctrica. De manhã apreciarei os meus livros de foto-jornalismo. Serei mais velho.

4. Ando mais de avião do que o que gostaria. Leio menos do que o gostaria. Conduzo mais do que o que gostaria. Converso menos do que o que gostaria. Escrevo menos do que o gostaria. Fodo menos do que o gostaria. Uso palavrões mais do que o gostaria. Peso menos do que o gostaria. Já viajei tanto quanto gostaria. Durmo bem. Raramente bebo álcool. Apenas o que gostaria. Trabalho e cozinho às vezes.

5. E li o editorial da Máxima do mês de Agosto. Eu sei, é um comentário infantil. :D


|procissão do corpo de deus | porto | junho de 2007 |

sexta-feira, junho 27, 2008

Viro o disco.

Hoje, dia 27 de Junho de 2008. Uma data que apenas para mim fará sentido. Felizmente dentro de pouco tempo já a terei esquecido.


| procissão do corpo de deus | porto | junho 2007 |

quinta-feira, junho 19, 2008

Vuelvo al sur

Texto e foto: Daniel Navarro.
Tradução minha.
Música: Mercedes Sosa
Soy Pan, Soy Paz, ...


«Querido A.
Esta viagem foi muito forte para mim. Foram 20 dias muito intensos.
A minha mãe não sabia que chegava. Quando chegamos ela dormia. Mandei a "mucama" (argentinismo - antes dizia-se "muchaca con cama"="criada", por isso os argentinos misturaram as duas palavras abreviadas e ficou "mucama") dizer-lhe que o pequeno-almoço estava pronto. A minha mãe disse-lhe que queria continuar a dormir.
A Maria saiu do quarto e disse-me: "Agora não sei que fazer! Ela quer continuar a dormir!"
Entrei no quarto dela e disse-lhe: "vamos velha hinchapelotas, levanta-te que estou morto de fome!!!!" Recebi um dos abraços com mais gana da minha vida.
A mucama ficou séria já que nunca tinha ouvido que alguém falasse à senhora M. com tanta falta de respeito.

Buenos Aires estava linda, quase majestosa, como quando a deixei.
Os amigos continuam sendo de ferro e os amores incondicionais.
Os amores!!! Coisa muito forte que contrasta com este norte tímido.

Uma das coisas que mais me custou deixar ali, são os papéis que cá não posso ter. Aqui não posso ser nem filho, nem irmão mais velho, nem tio, nem local.
Comi com montões de amigos, falei com a minha irmã quase todas as noites até às cinco da manhã, desfrutei dos meus sobrinhos.

Vi o meu pai que há muitos anos não via. Discuti com ele sobre tango. Ele gosta de Gardel e para mim é uma cagada. Comecei eu a discussão para ver se mantinha intacto o seu poder para argumentar e gostei que fosse ainda hábil a discutir.

Dormi com um par de amigas do passado. Desfruto um pouco mais da infidelidade quando estou em Buenos Aires, porque são esses os amores que duraram toda a vida. Têm sempre a mesma intensidade e a mesma gana, apesar dos anos.

Nesta viagem não pude fotografar. A máquina foi o meu corpo.
Ab+
Daniel »


| Fotografia de Daniel Navarro |

segunda-feira, junho 09, 2008

Indiana Jones and the Killer Tomatos.

Há uma grande semelhança entre os produtores de cinema de Hollywood e os autarcas portugueses. Para um autarca português, o seu prestígio mede-se pelas toneladas de fogo de artifício que são usadas na festa da terra. Para o produtor de cinema de Hollywood, o interesse de um filme mede-se pela utilização sem critério de todos os efeitos especiais existentes na actualidade. E se têm dúvidas vão ver o último Indiana Jones ou dêem uma volta pelo país dia 15 de Agosto.


| havana | cuba | abril 2008 |