| flores | açores | junho 2006 |
domingo, outubro 26, 2008
sexta-feira, outubro 17, 2008
terça-feira, outubro 14, 2008
A América que admiro.
John Kifner no seu ensaio publicado na dispatches, relata a sua experiência no Afeganistão, aquando da invasão soviética:
«Along the way we met an old man who told us how terrible it was when communists came to his village.
I asked what they did, expecting a tale of atrocities.
"They tried to teach everybody to read," he said. " Even the women and the old men."
That's awful, I agreed politely. What did you do?
"Well, of course, we killed them all," he said. "Would you like to see their bones?"»
E conclui mais adiante sobre o papel do seu país no Iraque:
«When the British general Stanley Maude entered Baghdad in triumph in 1917 he declared to the Iraquis: "Our armies do not come into your cities as conquerors or enemies, but as liberators." Pretty soon the tribes were in an insurgency, kidnapping and killing British officers. Pioneering new technology, the Bristish bombed them from the air. They held an electoral referendum for their chosen king and declared he had gotten virtually all the votes.
Sound familiar?»

| gajas | março 2008 |
«Along the way we met an old man who told us how terrible it was when communists came to his village.
I asked what they did, expecting a tale of atrocities.
"They tried to teach everybody to read," he said. " Even the women and the old men."
That's awful, I agreed politely. What did you do?
"Well, of course, we killed them all," he said. "Would you like to see their bones?"»
E conclui mais adiante sobre o papel do seu país no Iraque:
«When the British general Stanley Maude entered Baghdad in triumph in 1917 he declared to the Iraquis: "Our armies do not come into your cities as conquerors or enemies, but as liberators." Pretty soon the tribes were in an insurgency, kidnapping and killing British officers. Pioneering new technology, the Bristish bombed them from the air. They held an electoral referendum for their chosen king and declared he had gotten virtually all the votes.
Sound familiar?»
| gajas | março 2008 |
quinta-feira, outubro 09, 2008
E agora algo completamente diferente...
Acho que se me perguntassem de repente, num impulso imprevisto, numa interrogação inesperada, se era a favor ou contra o casamento de homossexuais, diria obviamente que sou contra.
Mas pronto, o mundo não é a preto e branco.
Transcrevo parte de uma conversa que tive há dois anos:
<2006>
A questão é então a seguinte: o casamento civil existe. Certo. Há hetero que se querem casar. Certo. Há homos que se querem casar. Certo. Estou disposto a apoiar todos os passos a dar no sentido dessa igualdade? Estou. Mas a minha opinião sobre o casamento mantem-se. É uma coisa que é mais do âmbito dos direitos de propriedade, das heranças, partilhas e quejandos do que do âmbito dos afectos. Para que serve o casamento? Para reproduzir práticas sociais civis que resultam de hábitos culturais determinados historicamente por práticas religiosas. Reconheço nuances em tudo isto, mas assim percebe-se melhor o argumento. :)
Portanto: queremos igualdade? Sim. Queremos casar-nos? hummm... não.
Analogia: Queremos que as mulheres vão à tropa? hummm... sim. Queremos que homosexuais o possam fazer? humm... Sim. Queremos nós próprios bater lá com os costados? Nem pensar!
2006>

| Pride LGBT | Lisboa | Junho 2004 |
Mas pronto, o mundo não é a preto e branco.
Transcrevo parte de uma conversa que tive há dois anos:
<2006>
A questão é então a seguinte: o casamento civil existe. Certo. Há hetero que se querem casar. Certo. Há homos que se querem casar. Certo. Estou disposto a apoiar todos os passos a dar no sentido dessa igualdade? Estou. Mas a minha opinião sobre o casamento mantem-se. É uma coisa que é mais do âmbito dos direitos de propriedade, das heranças, partilhas e quejandos do que do âmbito dos afectos. Para que serve o casamento? Para reproduzir práticas sociais civis que resultam de hábitos culturais determinados historicamente por práticas religiosas. Reconheço nuances em tudo isto, mas assim percebe-se melhor o argumento. :)
Portanto: queremos igualdade? Sim. Queremos casar-nos? hummm... não.
Analogia: Queremos que as mulheres vão à tropa? hummm... sim. Queremos que homosexuais o possam fazer? humm... Sim. Queremos nós próprios bater lá com os costados? Nem pensar!
2006>
| Pride LGBT | Lisboa | Junho 2004 |
segunda-feira, outubro 06, 2008
Querida Deolinda...
O que se segue é pura ficção. A realidade é que comprei o disco da Deolinda. E que bela surpresa. Corram, corram...
Querida Deolinda,
os dedos tremeram-me. Na verdade, os dedos tremem-me. Comecei por escrever-te esta carta uma dúzia de vezes. Umas tantas vezes fechei o Eudora e desliguei rapidamente o computador que o meu tio que é professor deixou cá em casa. É um computador velho e como imaginas demora muito tempo a desligar. Enquanto esperava, logo ficava nervoso e com vontade de o voltar a ligar para que te pudesse finalmente escrever. Mas como sabes, os dedos tremiam-me e voltava a desliga-lo.
Quero que saibas que nunca conseguirei viver aí na cidade. Há muito barulho e nunca se pode andar descansado pela rua fora. Quando éramos miúdos gostava de vos visitar sempre. Havia sempre muita luz de noite, bolachas boas e refrescos de laranja.
Não sei como conseguiria viver sem o cheiro da carqueja a arder logo pela manhã... Bem sei que achas que por aqui somos todos brutos. Eu não sei que te diga. Os dedos tremem-me.
E mesmo que me achas um bruto, digo-te que o que me atormenta todas as noites. Penso nos filhos lindos que teríamos se um dia eu conseguisse que o teu coração voltasse para mim.
Nas noites frias poderíamos olhar abraçados para o céu à porta de casa.
No verão dançaríamos até cair em frente ao adro.
Ao Domingo mataríamos um galo para as visitas.
Haveria sempre presunto e queijo na mesa.
Poderíamos desligar de vez esta merda deste computador.
Querida Deolinda, tremem-me os dedos porque penso nos teus lábios. Ao fim da tarde, lá do cimo do monte, olho para as nuvens e começo a cantarolar. Como se isso me bastasse...

| VCI | Porto | 2007 |
Querida Deolinda,
os dedos tremeram-me. Na verdade, os dedos tremem-me. Comecei por escrever-te esta carta uma dúzia de vezes. Umas tantas vezes fechei o Eudora e desliguei rapidamente o computador que o meu tio que é professor deixou cá em casa. É um computador velho e como imaginas demora muito tempo a desligar. Enquanto esperava, logo ficava nervoso e com vontade de o voltar a ligar para que te pudesse finalmente escrever. Mas como sabes, os dedos tremiam-me e voltava a desliga-lo.
Quero que saibas que nunca conseguirei viver aí na cidade. Há muito barulho e nunca se pode andar descansado pela rua fora. Quando éramos miúdos gostava de vos visitar sempre. Havia sempre muita luz de noite, bolachas boas e refrescos de laranja.
Não sei como conseguiria viver sem o cheiro da carqueja a arder logo pela manhã... Bem sei que achas que por aqui somos todos brutos. Eu não sei que te diga. Os dedos tremem-me.
E mesmo que me achas um bruto, digo-te que o que me atormenta todas as noites. Penso nos filhos lindos que teríamos se um dia eu conseguisse que o teu coração voltasse para mim.
Nas noites frias poderíamos olhar abraçados para o céu à porta de casa.
No verão dançaríamos até cair em frente ao adro.
Ao Domingo mataríamos um galo para as visitas.
Haveria sempre presunto e queijo na mesa.
Poderíamos desligar de vez esta merda deste computador.
Querida Deolinda, tremem-me os dedos porque penso nos teus lábios. Ao fim da tarde, lá do cimo do monte, olho para as nuvens e começo a cantarolar. Como se isso me bastasse...
| VCI | Porto | 2007 |
sexta-feira, setembro 26, 2008
Uns picam, outros não.
Querido Mundo,
voltando à velha discussão... Já sabes que isto ainda está por debater em frente a uns pimentos padrão e umas cervejinhas.
Vou discutir isto com menos bibliografia que tu, algo que sei que não te deixará melindrado. :-)
Para começar falo-te de um dos princípios elementares de qualquer programador iniciado: o «se, então, senão» [if, then, else]. Com esta regra de decisão tão simples, muitos problemas da humanidade têm sido resolvidos. Isso porque os computadores são só ["só" :D ] máquinas de estado. Em certo sentido não são muito diferentes dos primeiros teares mecânicos, capazes de "recordar" um padrão para a criação de um tecido.
Isto tudo por causa do Negri? Sim, por causa do Negri. Por trás da sua capa de pensador contemporâneo sinto que o Negri nesta discussão sobre a Europa comete um erro elementar. Olhar para um processo social como sendo uma condição "if, then, else" é algo que nem um programador iniciado comete. Pela simples razão que as pessoas não são máquinas de estado, nem teares mecânicos.
Defender a instituição do neo-liberalismo pan-europeu para o melhor combater é por si só um pouco esquizofrénico. Mas afirmar que um "processo constituinte" só pode ser obtido percorrendo esse caminho é o típico argumento "mecanicista", comum aliás a muitas das discussões da esquerda. Com a devida distância, é uma linha de pensamento particularmente acarinhada pelos estalinistas na sua lógica de "revolução nacional" seguida de "revolução operária", que pretende mimetizar a todo o custo e em qualquer sítio do mundo a revolução russa (paz à sua alma).
E é falso pensar que todo o "não" ao tratado/constituição é exclusivamente uma resposta nacionalista, como de forma tão divertida o desmontou o Paco.
Esta é uma discussão exclusivamente táctica. Ao fim e ao cabo nunca se discute a essência do projecto. Mas penso que poderíamos mandar um mail ao Negri, mandando-o passear com o seu argumento profético "if, then, else". É um argumento que não poderemos aceitar, excepto se estivermos a falar de software.
:p

| a multitude e um acordeão | euro 2004 | porto | 2004 |
voltando à velha discussão... Já sabes que isto ainda está por debater em frente a uns pimentos padrão e umas cervejinhas.
Vou discutir isto com menos bibliografia que tu, algo que sei que não te deixará melindrado. :-)
Para começar falo-te de um dos princípios elementares de qualquer programador iniciado: o «se, então, senão» [if, then, else]. Com esta regra de decisão tão simples, muitos problemas da humanidade têm sido resolvidos. Isso porque os computadores são só ["só" :D ] máquinas de estado. Em certo sentido não são muito diferentes dos primeiros teares mecânicos, capazes de "recordar" um padrão para a criação de um tecido.
Isto tudo por causa do Negri? Sim, por causa do Negri. Por trás da sua capa de pensador contemporâneo sinto que o Negri nesta discussão sobre a Europa comete um erro elementar. Olhar para um processo social como sendo uma condição "if, then, else" é algo que nem um programador iniciado comete. Pela simples razão que as pessoas não são máquinas de estado, nem teares mecânicos.
Defender a instituição do neo-liberalismo pan-europeu para o melhor combater é por si só um pouco esquizofrénico. Mas afirmar que um "processo constituinte" só pode ser obtido percorrendo esse caminho é o típico argumento "mecanicista", comum aliás a muitas das discussões da esquerda. Com a devida distância, é uma linha de pensamento particularmente acarinhada pelos estalinistas na sua lógica de "revolução nacional" seguida de "revolução operária", que pretende mimetizar a todo o custo e em qualquer sítio do mundo a revolução russa (paz à sua alma).
E é falso pensar que todo o "não" ao tratado/constituição é exclusivamente uma resposta nacionalista, como de forma tão divertida o desmontou o Paco.
Esta é uma discussão exclusivamente táctica. Ao fim e ao cabo nunca se discute a essência do projecto. Mas penso que poderíamos mandar um mail ao Negri, mandando-o passear com o seu argumento profético "if, then, else". É um argumento que não poderemos aceitar, excepto se estivermos a falar de software.
:p
| a multitude e um acordeão | euro 2004 | porto | 2004 |
terça-feira, setembro 23, 2008
Oh Elsa...!!!
Oh Elsa... «será que nos estamos a tornar num país civilizado?»
:)

| malecon | havana | cuba | abril 2008 |
:)
| malecon | havana | cuba | abril 2008 |
domingo, setembro 21, 2008
Negri strikes back
Num artigo no diagonal, António Negri, relança uma discussão que será central em 2009 (se é que não central há muitos anos).
Dos anticorpos mútuos que guarda com correntes trotskistas europeias (a propósito, foi publicada uma tradução portuguesa de um livro que resume esse rendilhado), Negri acusa-as de fazerem coro com os Estados Unidos no sentido de derrotarem a constituição e a sua fénix, o tratado de Lisboa.
O argumento em si esclarece pouco e não junta nada à discussão. Aliás Negri poderia usar a mesma figura de estilo, acusando a extrema-esquerda europeia de fazer coro com a extrema-direita. Teria o mesmo significado intelectual.
De Negri fica-me exactamente a mesma sensação com que fiquei ao acabar de ler o Multidão: Negri fica paralisado perante a acção em política. Mas se em Multidão se encontra uma análise séria e interessantíssima do panorama internacional, este artigo é um panfleto no seu pior sentido.
É evidente que há inúmeros matizes nas formas que o "não" da esquerda toma perante a constituição e por isso o que mais surpreende é que alguém com a bagagem de Negri os escamoteie, metendo num mesmo saco um arco-iris (ou uma multitude, conforme a terminologia) de opiniões.
Parece no mínimo ridículo pensar que a Constituição poderia "afundar o Atlântico", quando o texto do novo tratado assume desde logo a centralidade da Nato no respeitante à defesa europeia. Diz assim:
"Os compromissos e a cooperação neste domínio respeitam os compromissos assumidos
no quadro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que, para os Estados que são
membros desta organização, continua a ser o fundamento da sua defesa colectiva e a
instância apropriada para a concretizar"
A Europa é a nossa terra, tal como esta é a minha rua, mas a mim deixa-me algum incómodo esta leitura de "nacionalismo europeu" que se adivinha nas entrelinhas do que escreve Negri.

| mosteiro de rila | bulgária | 2007 |
Dos anticorpos mútuos que guarda com correntes trotskistas europeias (a propósito, foi publicada uma tradução portuguesa de um livro que resume esse rendilhado), Negri acusa-as de fazerem coro com os Estados Unidos no sentido de derrotarem a constituição e a sua fénix, o tratado de Lisboa.
O argumento em si esclarece pouco e não junta nada à discussão. Aliás Negri poderia usar a mesma figura de estilo, acusando a extrema-esquerda europeia de fazer coro com a extrema-direita. Teria o mesmo significado intelectual.
De Negri fica-me exactamente a mesma sensação com que fiquei ao acabar de ler o Multidão: Negri fica paralisado perante a acção em política. Mas se em Multidão se encontra uma análise séria e interessantíssima do panorama internacional, este artigo é um panfleto no seu pior sentido.
É evidente que há inúmeros matizes nas formas que o "não" da esquerda toma perante a constituição e por isso o que mais surpreende é que alguém com a bagagem de Negri os escamoteie, metendo num mesmo saco um arco-iris (ou uma multitude, conforme a terminologia) de opiniões.
Parece no mínimo ridículo pensar que a Constituição poderia "afundar o Atlântico", quando o texto do novo tratado assume desde logo a centralidade da Nato no respeitante à defesa europeia. Diz assim:
"Os compromissos e a cooperação neste domínio respeitam os compromissos assumidos
no quadro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que, para os Estados que são
membros desta organização, continua a ser o fundamento da sua defesa colectiva e a
instância apropriada para a concretizar"
A Europa é a nossa terra, tal como esta é a minha rua, mas a mim deixa-me algum incómodo esta leitura de "nacionalismo europeu" que se adivinha nas entrelinhas do que escreve Negri.
| mosteiro de rila | bulgária | 2007 |
quinta-feira, setembro 18, 2008
Básico.
As vidas são um conjunto de projectos sempre inacabados. Este blogue tem essa vantagem. Nunca foi um projecto.
Tive momentos em que seguia com grande atenção grande parte dos blogues. Neste momento tenho os meus favoritos que podiam ser encontrados ali ao lado. Em geral não lia blogues apenas por limitações de tempo. Hoje vou deixar de o fazer pelos mesmos motivos pelos quais deixei de dedicar tempo às televisões generalistas.
Como habitual, passo rapidamente para o teclado alguns pensamentos soltos.
A informação que me chega da Bolívia, chega-me directamente ao correio, vinda de um amigo em Buenos Aires. Em três ou quatro parágrafos, aprendo mais sobre o conflito que em várias notícias que reduzem ao papel de vítima o embaixador golpista norte-americano e reduzem Chavez ao palhaço pobre da diplomacia mundial.
Com o historial de golpes de estado comprovadamente orquestrados pelos Estados Unidos, a América Latina continua a ser abandonada à sua pouca sorte pelas chancelarias dos países desenvolvidos. Mesmo o Nuno Amaral que escreve as suas crónicas no Público, me parece de uma parcialidade e de um empirismo surpreendente (e por isso mesmo inaceitável).
Da mesma maneira recebo da forma mais triste, a notícia de que aqueles que me cederam a sua cama em Baya Honda, quando por ali me vi cheio de febre, viram a sua casa, roupas, plantações e animais serem completamente destruídos pelo furacão Gustav.
Dos Estados Unidos vi alguns directos sobre o furacão (daqueles directos que transmitem zero de informação). De Cuba poucas notícias. Já se sabe: Cuba só existe nas notícias quando as notícias são dadas pelos Estados Unidos.
E aqui volto aos poucos blogues que ainda lia. Irrita-me que o mundo se reduza nestes dias a Barack Obama, a Sarah Palin ou a sei lá o quê. Sobre o LHC só li coisas pobres e mal informadas. Portugal, à falta de melhores notícias quase mergulha numa guerra civil, que entretanto já acabou.
Gosto de ler blogues. Acho que se pode aprender muito. E quero continuar a fazê-lo. Muitas das vezes fazem-me pensar - que é uma actividade que em geral me agrada.
Serei básico, mas nos dias que correm, as notícias chegam-me directamente à caixa de email, daqueles em quem confio e por quem tenho apreço.
Vou mudar o aspecto do blogue para um template básico do blogger. Vou retirar as ligações e deixar de lado o embuste do Adsense.
Vou reconstruir aquilo que leio em função dos meus gostos próprios (por nenhuma ordem em particular): ciência, novas tecnologias, política e esquerda europeia, fotografia, cinema, gajas inteligentes e gajos bons (ou vice-versa) e claro as minhas amizades.
Temo por mim próprio: isto parece-se demasiado com um projecto e por isso o mais certo é não dar em nada. Entretanto volto à escola primária dos blogues. Sigam-me.

| a "minha" cama | baya honda | cuba | 2008 |
Tive momentos em que seguia com grande atenção grande parte dos blogues. Neste momento tenho os meus favoritos que podiam ser encontrados ali ao lado. Em geral não lia blogues apenas por limitações de tempo. Hoje vou deixar de o fazer pelos mesmos motivos pelos quais deixei de dedicar tempo às televisões generalistas.
Como habitual, passo rapidamente para o teclado alguns pensamentos soltos.
A informação que me chega da Bolívia, chega-me directamente ao correio, vinda de um amigo em Buenos Aires. Em três ou quatro parágrafos, aprendo mais sobre o conflito que em várias notícias que reduzem ao papel de vítima o embaixador golpista norte-americano e reduzem Chavez ao palhaço pobre da diplomacia mundial.
Com o historial de golpes de estado comprovadamente orquestrados pelos Estados Unidos, a América Latina continua a ser abandonada à sua pouca sorte pelas chancelarias dos países desenvolvidos. Mesmo o Nuno Amaral que escreve as suas crónicas no Público, me parece de uma parcialidade e de um empirismo surpreendente (e por isso mesmo inaceitável).
Da mesma maneira recebo da forma mais triste, a notícia de que aqueles que me cederam a sua cama em Baya Honda, quando por ali me vi cheio de febre, viram a sua casa, roupas, plantações e animais serem completamente destruídos pelo furacão Gustav.
Dos Estados Unidos vi alguns directos sobre o furacão (daqueles directos que transmitem zero de informação). De Cuba poucas notícias. Já se sabe: Cuba só existe nas notícias quando as notícias são dadas pelos Estados Unidos.
E aqui volto aos poucos blogues que ainda lia. Irrita-me que o mundo se reduza nestes dias a Barack Obama, a Sarah Palin ou a sei lá o quê. Sobre o LHC só li coisas pobres e mal informadas. Portugal, à falta de melhores notícias quase mergulha numa guerra civil, que entretanto já acabou.
Gosto de ler blogues. Acho que se pode aprender muito. E quero continuar a fazê-lo. Muitas das vezes fazem-me pensar - que é uma actividade que em geral me agrada.
Serei básico, mas nos dias que correm, as notícias chegam-me directamente à caixa de email, daqueles em quem confio e por quem tenho apreço.
Vou mudar o aspecto do blogue para um template básico do blogger. Vou retirar as ligações e deixar de lado o embuste do Adsense.
Vou reconstruir aquilo que leio em função dos meus gostos próprios (por nenhuma ordem em particular): ciência, novas tecnologias, política e esquerda europeia, fotografia, cinema, gajas inteligentes e gajos bons (ou vice-versa) e claro as minhas amizades.
Temo por mim próprio: isto parece-se demasiado com um projecto e por isso o mais certo é não dar em nada. Entretanto volto à escola primária dos blogues. Sigam-me.
| a "minha" cama | baya honda | cuba | 2008 |
quinta-feira, setembro 04, 2008
O que visitar em São Miguel - Açores
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Acho que isto que escrevi há uns meses para uma amiga, pode dar jeito:
Quanto a S. Miguel, acho que há muito a visitar. o ideal é que alugues um carro. os carros são bastante caros, mas a verdade é que é mesmo a única maneira de visitar a ilha.
A ilha é muito bonita e fácil de descobrir. A única regra é andar devagar na estrada porque pode aparecer-te uma vaca ao virar da esquina. A sério. :|
Pega num mapa para acompanhares o que te vou dizer:
percurso 1 - zona oeste (a clássica volta ao concelho de Ponta Delgada)
-sair de PD em direcção ao aeroporto. e subir até às sete cidades, pela vista do rei. antes de chegares lá cima visita as lagoas empadadas. são muito bonitas. depois vira para a lagoa do canário e dá um passeio a pé na zona. muito bonito. procura o miradouro sobre as sete cidades. é a vista mais bonita.
-continuar até à vista do rei e descer até às lagoas.
-sair não pelo mesmo caminho mas em direcção aos mosteiros.
-visitar a ferraria (acho que tens que virar para ponta delgada), descendo até lá baixo. é a zona mais recente da ilha. há água quente a nascer no mar e é natural que vejas gente a tomar banho. eu não aconselho, a minha irmã já o fez e diz que se a maré estiver demasiado baixa é fácil alguém queimar-se.
-continuar em direcção aos mosteiros e fazer o percurso até à bretanha.
-almoçar na bretanha num restaurante chamado "cavalo branco". se não encontrares, pergunta, toda a gente conhece.
-visitar o porto das capelas (uma escarpa enorme) e regressar a ponta delgada
percurso 2 (lagoa do fogo e das furnas).
-sair de ponta delgada em direcção à lagoa do Fogo. Subir. Apreciar. Se tiveres tempo, desce lá abaixo. o percurso é difícil e exige cautela e no mínimo 3 horas. é a única lagoa onde ainda se pode tomar banho, se bem que eu não aconselho. :)
-descer em direcção à costa norte e tomar banho nas águas quentes da caldeira velha. obrigatório.
-possibilidade de almoçar na ribeira grande (há vários restaurantes, mas não sei o nome).
-Continuar em direcção às furnas. ver o miradouro do pico da pedra e/ou do salto do cavalo.
-visitar as caldeiras (comer milho cozido e bolos lêvedos) e a lagoa.
-se quiseres comer o cozido em vapor, telefona de véspera para o restaurante Miroma. É cozido à portuguesa e é bom. :)
-visitar a praia da ribeira quente. fixe para tomar banho.
-regressar pela costa sul. visitar vila franca do campo.
-em água de pau, descer até ao Porto da Caloura. é bonitinho e também é um sítio fixe para o banho.
-regressar a ponta delgada.
percurso 3 povoação e nordeste.
-é a zona mais remota da ilha e como não é excepcionalmente bonita pode ficar esquecida. é demorado lá chegar, mas felizmente as estradas são bonitas. Depois da Povoação, visita o Faial da Terra. Aí há um novo percurso a pé até uma aldeia recuperada. Ainda não fui lá.
-se te sentires com coragem mete o carro na estrada de terra da serra da tronqueira. É bonita a vista para o Pico da Vara, mas só se estiver bom tempo.
-depois é fazer o recortado da costa do nordeste até à ribeira grande. é um percurso enorme. mas bonito. :)
praias.
o tempo em S. Miguel é dominado pelas serras. dependendo do vento, olha para o céu e vê onde há nuvens e sol. Se as nuvens estiverem na costa norte, toma banho na praia do pópulo. é um clássico. Se estiverem nuvens a sul, vai de carro até à ribeira grande (são 10 minutos) e logo na primeira rotunda vira para o mar (acho que há placas). A praia é belíssima.
antes de te meteres na água, pergunta por precaução se há "águas vivas". são umas alforrecas pequenas e bastante perigosas. são típicas em agosto.
Ilhéu de vila franca.
Prepara um lanche e mete-te no barco até lá. há barcos de hora a hora e vale a pena passar ali duas ou três horas a tomar banho. é um sítio bonito.
Ponta Delgada.
Cidade pequena e pouco preparada para os turistas. Em duas horas vês aquilo tudo. Agora já tem um shopping. :)
Hoteis não conheço. Óbvio. :)
| festas do espírito santo | ponta delgada | açores | julho 2007 |
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