quarta-feira, setembro 07, 2011
Inauguração de exposição de Avelino Oliveira
ZIL – Zona Industrial Ligeira: por regra, movimentada durante os dias úteis; por regra, vazia aos fins-de-semana.
A negação do local para passear ao fim-de-semana ou nos tempos livres de dias não-úteis.
O vazio em forma de um lugar transformado em inútil.
domingo, agosto 07, 2011
segunda-feira, julho 04, 2011
terça-feira, maio 31, 2011
Viver sem viver.
«Morrer sem cheirar mal», de Leandro Ribeiro.
«Morrer sem uma mancha nos pulmões, a próstata impecável, o esmalte dos dentes perfeito.
Morrer sem alguma vez um problema gástrico, a tensão arterial nem muito alta nem muito baixa.
Morrer com as mesmas lágrimas com que nasceu.
Morrer e a pele sem um pedacinho rasgado, rompido, queimado.
Morrer sem ter traído.
Morrer sem ter desiludido.
Devolver todos os livros à biblioteca, entregar todos os relatórios atempadamente.
Nunca se enganar nas contas.
Comer peixe todos os dias, comer sopa a todas as refeições, um prato de carne uma vez por semana, um copo de vinho quando sair com os amigos, um bolo de vez em quando.
Viajar com interesse, nunca se perder, esgotar a literatura sobre o país visitado.
Morrer sem ter perdido tempo.
Morrer sem ter perdido um comboio.
Perguntar sempre.
Aos sessenta correr, andar de bicicleta, caminhar junto ao rio.
Morrer com todos os cabelos, a cabeça um orgulho de fios brancos.
Ler poesia.
Ler os clássicos.
Ler o jornal todos os dias.
Não importa se reza ou não reza, mas dar-se aos outros.
Aprender um ou dois instrumentos musicais e praticá-los ao metrónomo.
Nunca esquecer o aniversário dos filhos, nunca esquecer o aniversário dos netos.
Morrer não muito tarde, quando já pesa, não muito cedo, quando faz falta.
Morrer na altura certa.
Morrer e saber a quem deixar o quê.
As unhas bem aparadas, os pelos das narinas, das orelhas.
Morrer e nunca ter perdido uma noite de sono.
Dormir oito horas.
Morrer e nem um inimigo para lhe aplaudir a morte.
Morrer desconhecedor do sabor de prozac ou ginsana ou vitaminas.
Aos oitenta escrever as memórias e dedicá-las à mulher de toda a vida.
Ter as memórias lúcidas aos oitenta.
A roupa nunca acumula no cesto.
A roupa nunca uma ruga quando no corpo.
A roupa nunca uma mancha.
Viver sem cheirar mal.
Morrer sem cheirar mal.»

| porto | maio 2011 |
«Morrer sem uma mancha nos pulmões, a próstata impecável, o esmalte dos dentes perfeito.
Morrer sem alguma vez um problema gástrico, a tensão arterial nem muito alta nem muito baixa.
Morrer com as mesmas lágrimas com que nasceu.
Morrer e a pele sem um pedacinho rasgado, rompido, queimado.
Morrer sem ter traído.
Morrer sem ter desiludido.
Devolver todos os livros à biblioteca, entregar todos os relatórios atempadamente.
Nunca se enganar nas contas.
Comer peixe todos os dias, comer sopa a todas as refeições, um prato de carne uma vez por semana, um copo de vinho quando sair com os amigos, um bolo de vez em quando.
Viajar com interesse, nunca se perder, esgotar a literatura sobre o país visitado.
Morrer sem ter perdido tempo.
Morrer sem ter perdido um comboio.
Perguntar sempre.
Aos sessenta correr, andar de bicicleta, caminhar junto ao rio.
Morrer com todos os cabelos, a cabeça um orgulho de fios brancos.
Ler poesia.
Ler os clássicos.
Ler o jornal todos os dias.
Não importa se reza ou não reza, mas dar-se aos outros.
Aprender um ou dois instrumentos musicais e praticá-los ao metrónomo.
Nunca esquecer o aniversário dos filhos, nunca esquecer o aniversário dos netos.
Morrer não muito tarde, quando já pesa, não muito cedo, quando faz falta.
Morrer na altura certa.
Morrer e saber a quem deixar o quê.
As unhas bem aparadas, os pelos das narinas, das orelhas.
Morrer e nunca ter perdido uma noite de sono.
Dormir oito horas.
Morrer e nem um inimigo para lhe aplaudir a morte.
Morrer desconhecedor do sabor de prozac ou ginsana ou vitaminas.
Aos oitenta escrever as memórias e dedicá-las à mulher de toda a vida.
Ter as memórias lúcidas aos oitenta.
A roupa nunca acumula no cesto.
A roupa nunca uma ruga quando no corpo.
A roupa nunca uma mancha.
Viver sem cheirar mal.
Morrer sem cheirar mal.»
| porto | maio 2011 |
segunda-feira, maio 30, 2011
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