domingo, janeiro 29, 2006

Dias Felizes

[de Cristina & Rui Manuel Amaral]

| Batatas e Cinema | Cristina Fernandes | Porto | Janeiro de 2006 |

terça-feira, janeiro 24, 2006

Aspirina B

Não mata mas alivia

João Pedro da Costa explicou-me uma coisa elementar: «(...) isto é tudo HTML. O mais importante é que o pessoal seja boa onda.»
As coisas mais elementares, são muitas vezes as mais dificeis de compreender.


| JPC | Porto | Janeiro de 2006 |

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Princípios Simples X

O corpo muda em todas as idades. A mente atrasa-se normalmente no processo.


| foto tipo "pita" | num sítio importante do planeta | Dezembro de 2005 |

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Um país virado para o mar

As minhas razões são mais simples de explicar que as tuas e propositadamente não uso qualquer "nuance" mas pequenos dados do debate dos últimos meses que são para mim determinantes e não "relativizáveis" seja em que sentido for.

Na direita, ao contrário do Solha, eu nunca votaria - fosse o Freitas, o Miguel Judice ou a bota Botilde. Nem aceito discutir essa questão e considero qualquer sugestão nesse sentido insultuosa na medida em que liquida qualquer perspectiva política (e até a possibilidade material) de construção de uma alternativa no nosso país. Raia fora do baralho. Solha idem.

Assusta-me um aspecto. Nestas eleições há curiosamente 3 candidatos com um discurso claramente nacionalista. Todos se reivindicam da esquerda. Bacalhau, Carapau e Solha. Eu parto dos mesmos princípios que enuncias. O nacionalismo é uma resposta desadequada ao problemas do presente (e já agora do passado). Nacionalismo, não obrigado, passem bem - como diriam os teus compatriotas. Bacalhau e Carapau fora do baralho.

Tamboril, o sebastião reloaded versão anti-Raia, podia ser até encarado com simpatia. A simpatia do gajo que participa tanto em Porto-Alegre como em Davos; que se opõe à guerra do Iraque não através de uma resposta institucional (fechando-se atrás da legalidade da acção) mas através de uma resposta cidadã - manifs, mobilizações, comícios anti-guerra; que fala de sustentabilidade, encontro de culturas, emprego, direitos sociais, etc e tal... Tudo isto é interessantíssimo e sedutor.

O problema é que não bate a bota com a perdigota. Os Xuxas eram os meninos que estavam no governo no dia em que a Nato bombardeou centenas de objectivos civis na Jugoslávia. Foram atacadas pontes sobre o Danúbio, centrais eléctricas, comboios de passageiros e (oh surpresa!) o edifício da televisão em Belgrado, onde numa acção de censura armada os jornalistas foram assassinados a sangue frio pelo pulsar de um botão de um joystick made in Silicon Valley. O Sampaio não abriu o bico nessa altura. Os Xuxas não hesitaram nem hesitarão nunca em pôr o país ao lado da Nato, debaixo do comando de um redneck qualquer. Ora a Nato é a face armada da globalização e o anti-militarismo é neste momento (e já agora também o foi no passado) a resposta mais coerente para qualquer prática de esquerda. Evidentemente os Xuxas (e os comunistas) não se metem por aí. Mas isso, ao contrário do que sugeres, não é sequer uma consequência do facto de se situarem no contexto de um paradigma marxista - o que aliás para mim não é nada líquido - mas porque são um dos elementos fundadores do ponto internacional do quadro político-institucional do mundo em que vivemos. BCE, FMI, NATO, OCDE... u name it. Tamboril fora do baralho.

É evidente para ti em quem vou votar. Ao contrário do que possa parecer numa leitura superficial não te quero convencer de nada. Fui militante muitos anos, não por me considerar "missionário" ou por querer proteger os coitadinhos, mas por ter ideias próprias e desejar em função delas um país onde pudesse sentir-me em casa. É simples.

Faço parte de uma franja ultra-minoritária que não votaria em ninguém à primeira volta caso o Peixe Vermelho não fosse candidato. Tenho o meu voto decidido desde 1992. Nunca votei no Peixe Vermelho em toda a minha vida e não vou perder esta oportunidade.

Desejamos os dois poder votar lado-a-lado numa segunda volta. É certo que o faremos. No meu caso com bastante falta de convicção, alguma vergonha e bastante frustração. Portugal não, Europa nunca - diria o Mário Viegas.


| Colosseo | Roma | Dezembro 2005 |

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Trágico

Trágico não é a 2000kms de casa uma mulher bonita perguntar-te por Fernando Pessoa. Trágico é não teres nada para lhe dizer senão a forma corrente de pronunciar o seu nome.


| Fontana di Trevi | Dezembro de 2005 |

terça-feira, janeiro 03, 2006

Generation gap

O avô, habituado às lides rurais, congratula o neto pela sorte que tem em viver como qualquer humano deveria viver.
O neto responde-lhe que, esse resultado, era também culpa dele.
O avô pede-lhe para jantar de frente para a televisão de forma a poder ver o preço certo em euros.


| hã? | num sítio importante do planeta | Dezembro de 2005 |

O zapping planetário

Milhares de seres humanos que se dispõem a percorrer muitos quilómetros para poderem fazer figura de touços, de dedos em V, em frente a qualquer símbolo mundialmente reconhecido. O sucesso será maior em frente a grandes vedetas: a torre Eiffel, as cataratas do Niagara, o coliseu de Roma, o Big Ben, o Taj-Mahal, o Monte do Templo, o Parthenon, etc...

Alegremente todos aceitarão ser tratados como suspeitos, farão os seus pertences passar várias vezes por máquinas de raio-x. Com sorte poderão até travar conhecimento com um guarda alfandegário ou mesmo com o segurança que lhes pedirá para tirar o cinto e os sapatos - um momento sempre de grande tensão erótica.

Viajar, hoje, resume-se a pouco mais do que preencher uma caderneta de cromos. Exibem-se os mais raros, trocam-se os repetidos. Não se viaja portanto, colecciona-se.


| hã? | num sítio importante do planeta | Dezembro de 2005 |