sábado, setembro 30, 2006

Conceitos.

Visto do exterior, Portugal só tem interior - o que diz muito.


| a barraca dos ciganos | entrudo | Xinzo de Limia | Fevereiro de 2006|

terça-feira, setembro 26, 2006

Regresso à adolescência.

Esta madrugada a minha mente ocupava-se com uma série de tarefas pendentes. Nenhuma delas tratava da fotografia. Várias delas resumiam-se a acabar com a presença de sais de prata cá em casa. Há poucas coisas como uma madrugada a curtir.



| Pelágio | Covadonga | Julho de 2005 |

sexta-feira, setembro 22, 2006

Espalhem a notícia.

De preferência ao som dos Clã. Sérgio Godinho para os/as mais ortodoxos/as.


| XY e a mãe | 5 dias antes de nascer | Porto | 2006 |

quinta-feira, setembro 21, 2006

Grátis.

Adquiri ultimamente o hábito de não comprar o meu jornal nos dias em que ele traz um suplemento "grátis". Para além dos ditos suplementos fazerem pouco jus à qualidade jornalística e fotojornalística do “Público”, fazem com que por coincidência o jornal custe mais do que os noventa centavos de euro dos restantes dias...


| Charanga Troulada | Chinço de Lima | Xinzo de Limia | Entrudo | Entroido | Fevereiro de 2006 | [fixador fora de prazo] |

Viajar.

Um dos interesses de uma viagem é necessariamente o contacto com outras vidas. Perceber como é viver de outra maneira é algo até de onírico.

Ver como os cubanos não sabem o que é um casaco, que em Toronto jantam sempre antes das sete da tarde, que em França é preciso sair para outra divisória para se conseguir lavar as mãos depois de fazer "aquilo", que em Itália os passeios são partilhados entre motorizadas e peões, que em Espanha se fala lindamente pelos cotovelos sem se dizer nada, que em Lisboa ninguém chega ao emprego antes das dez e não se começa a trabalhar senão às dez e meia depois do cafézinho da ordem...

Tudo isto são clichés e preconceitos. Mas isso é também o que nos ajuda a dar um mínimo de sentido empírico ao que nos rodeia. Nas viagens, serve para nos podermos rir no regresso, contando histórias aos amigos ou recordação futura de coisas fúteis que nos deram prazer quando ainda tínhamos a paciência para apreciar os defeitos dos outros.

Numa viagem é portanto preciso arranjar um autóctone. Esse bicho pode ser conhecido ao acaso mas com as maravilhas dessa coisa chamada internet até pode ser contactado previamente. Eu imagino-me a desenhar o perfil dessa pessoa. Alguém inteligente, equilibrado, com espírito crítico e com alguns interesses coincidentes com os meus.

De cada vez que me lembro de uma moça que nos acompanhou numa viagem pelos Cárpatos não posso deixar de chegar sempre à mesma conclusão: as viagens servem para aprender e por isso mesmo para riscar de vez os perfis de quem vamos encontrar. É isso a descoberta...

A propósito, eu também sou autóctone de um sítio qualquer - a quem quer que isso interesse.


| Metro do Porto | Estação Casa da Música | Porto | Fevereiro de 2006 |

terça-feira, setembro 19, 2006

Desejos que provavelmente não se cumprirão.

Com 68 anos, meter-me num avião até Montreal, atravessar o Canadá de lés-a-lés, tal Burt Monro, dormindo com velhas viúvas, fazendo amizade com travestis, tomando velhos remédios índios para a próstata.

Imaginando que o André ainda estará vivo nessa altura, será inevitável passar uma semana ou duas no Globetrotter de L'Anse-St-Jean a ler romances policiais junto ao fiorde depois de comer croissants caseiros logo de manhã cedo.


| Entroido | Entrudo | Xinzo de Lima | Fevereiro de 2006 |

quinta-feira, setembro 14, 2006

Memórias da inspecção militar

Dos três meios dias que a nobre instituição militar me obrigou a prescindir da minha vida, vem-me muitas vezes à memória uma das perguntas do questionário a que tive que responder para (assim imagino) traçarem de mim um perfil psicológico. A pergunta era: «Há alguém que deteste?».

Costumo lembrar-me disto muitas vezes ao ver o telejornal...


| Casa da Música | Porto | Fevereiro de 2006 |

quarta-feira, setembro 13, 2006

Velhos apontamentos

Nos meses de Julho e Agosto, com o refrear das fugas de autarcas para o Brasil, com a ausência de ministros a testemunhar em Monsanto, com a ausência de ocupações militares de países produtores de petróleo, os jornais desculpam-se dizendo que entramos na silly season. É um termo inglês, indecifrável q.b., mas particularmente fácil de perceber. Os jornais são a silly season. As nossas vidas são tão silly como no resto do ano. Pateticamente simples, não é?
[2003]


| Casa da Música | Porto | Fevereiro de 2006 |

quinta-feira, setembro 07, 2006

O paradoxo da película a contra-luz

Apesar de uma fotografia de 500px ser demasiado pequena para poder ser genuinamente apreciada, nada dá mais prazer do que olhar para um negativo a preto e branco a contra-luz. Com ele ainda molhado e a pingar restos de Agepon, evidentemente.


| LD | não, não é o Camané | Porto | Fevereiro 2006 |

sexta-feira, setembro 01, 2006

2001

No que diz respeito à cidade do Porto, Kubrick falhou descaradamente a sua proto-profecia sobre 2001. A culpa não se deve sequer a ele mas ao super-computador Hal-9000 que as direcções do PS e do PSD partilham entre si de cada vez que ocupam a câmara da cidade do Porto.

Depois da rodagem do filme, o bicho foi considerado ultrapassado sobretudo para as necessidades ficcionais de Hollywood. Foi guardado num armazém qualquer de LA até ao final dos anos 70 e, como acontece sempre nestas coisas, lá foi despachado a preços de saldo para o terceiro-mundo. A história deve ser muito obscura e quase de certeza que envolve o acordo de utilização da base das Lajes. Agora que o Independente fechou, terminaram as nossas hipóteses de ver a verdade revelada sobre a forma como o computador chegou até à cidade do Porto.

Mas os sintomas são óbvios. Num país macrocéfalo, onde qualquer aprendiz de pedreiro que queira chegar a capataz tem que necessariamente migrar para Lisboa, também os Srs. do PSD e do PS - tanta ambição que têm de chegarem a capatazes - se vêem forçados a correr para a capital.

No seu lugar, para ir dando conta de uns recados, deixaram o Hal-9000 que vai saltando da Rua Guerra Junqueiro para a Rua Stª Isabel de cada vez que os dois partidos alternam na presidência da Câmara. Para quem viu o clássico do Kubrick já adivinha a continuação da história. O Hal9000 é um ser caprichoso, dotado de muita esperteza e incapaz de assumir quando se engana.

O Hal é só um computador. Os computadores tradicionais interagem através de periféricos como o teclado, o rato, o monitor... O Hal interage através de interfaces como Fernando Gomes, Nuno Cardoso, Orlando Gaspar, Rui Rio, Valentim Loureiro. Os computadores como Hal, devido à idade do seu sistema operativo, estão mais sujeitos a vírus por isso é natural que se consigam vislumbrar sintomas do Hal até em periféricos como Álvaro Castelo Branco, Rui Sá ou João Teixeira Lopes.

A verdade é que chegados a 2006 o Hal consegue ainda enganar toda a gente. Apesar da forma como foram desqualificados os espaços públicos da Cordoaria à Batalha (passando pois claro pelos Aliados), pelos abusos generalizados do Metro do Porto, pelo encerramento do Rivoli, pelo tratamento abaixo de cão a que é reduzida habitualmente a inteligência dos habitantes da cidade, ainda há quem pense que a culpa de tudo isto é dos políticos.

Parece que já ouço na sombra o José Mário Branco a rosnar cínicamente «a culpa é dos políticos» mas não, não é disso que se trata... Um taxista (aqui, quando se fala do "povo", convém referir um personagem que todos possam identificar facilmente - é uma questão de estilo, note-se) dizia-me há dias:
-A culpa disto é dos políticos!
-Não é não - respondi naturalmente.
-Não é? - aqui a indignação do tom de voz começou a subir como se se estivesse a discutir a própria honra do sr. Jorge Nuno Pinto da Costa (coisa imaculada, como se sabe).
-Não, não é. - sorri (sorrio sempre)
-Intão de quénhéquié?
Hesitei muito em falar-lhe do Hal9000 por isso respondi evasivamente:
-A culpa é de quem neles vota.


| Casa da Música | Porto | Junho de 2006 |