quarta-feira, dezembro 15, 2010

Convite

quinta-feira, novembro 11, 2010

O FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma.

«O FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa»


| o FMI nunca aterrou na Portela | alemanha | novembro de 2010 |

quarta-feira, novembro 10, 2010

O fulano não existia.

Certo dia descobri um fulano que se mantinha à espreita de qualquer oportunidade para se tornar alguém melhor. Isto quer dizer o quê? Que andava sempre a estudar e a ler? Que ajudava velhinhas a atravessar a rua e servia sopa aos sem-abrigo? Nada disso. Era um tipo culto - parecia, pelo menos.

Os tipos cultos falam de livros e filmes que ninguém leu ou viu. Ou conhecem as discografias e as músicas obscuras das bandas do século passado. Ou olham para as folhas no chão e dizem alguma coisa com aparente interesse. Ele era assim. Mas porque achava que era assim que deveria ser. Não porque tivesse algum gosto em ver cinema xunga, livros densos e músicas roufenhas e mal gravadas. Assim esse fulano cria tornar-se melhor - aos olhos dos outros pelo menos.

Certo dia estive em casa dele. Um apartamento bem arranjado. Bonito e funcional, acrescentaria. Descobri há uns dias que é a exacta réplica do catálogo do Ikea de 2006. Não me recordo agora da página em concreto.

As fotografias distribuídas pela entrada e sala eram de uma família completa. Ele vivia só, mas tinha uma mulher e dois filhos que se tinham deixado ficar pela terra. Ele metia-se no carro e regressava a cada quinze dias. Fiquei a saber que as fotos eram tiradas directamente do Flickr para serem por ele apropriadas e depois impressas. O imbecil não tinha família. Nem sequer máquina fotográfica.

Por altura da Páscoa trouxe-me de Sevilha, umas tortas de azeite. Guardei-as por uns dias. Quando as fui comer vi que tinham sido compradas no Corte Inglês de Gaia.

A semana passada adicionou-me como "amigo" no Facebook. Percebi a farsa e colaborei. Corria o risco de ver as minhas fotografias expostas na sua sala. A ideia agradava-me em certo sentido. Amanhã conto segui-lo. Levo gabardina.

Se eu não voltar é natural: o fulano não existe. Mas a mulher dele é bem bonita, pelo menos a julgar pelas fotografias.


| cinco máquinas fotográficas + uma + um telemóvel | o olho de londres | londres | uk | 2009 |

sexta-feira, novembro 05, 2010

Newton 1 - Heisenberg 0

Olho para o estado do tempo para Domingo. Choverá. Estará frio. Não se fala disso.

Olho para a dívida pública portuguesa. Parece que continua como nos últimos anos. Mas fala-se disso.

Tenho uma galinha no congelador. Acho que a vou meter em cerveja e preparar um caril. Tenho que ponderar bem esta questão. Andarei a comer galinha durante uma semana, é bom que fique do meu agrado.

Reparei há pouco que esta é a entrada 445 no meu blogue. Ando no Blogger desde 2001, mas isto começou apenas em 2004. Por desafio de alguém que agora não bloga. Eina. :)

Fui rever uma coisa que me andava a atormentar. Que idade tinha eu quando "isto" tudo começou? Foi dia 6 de Outubro de 1985. Lembro-me vagamente. Preferia ter outras recordações.

E depois? Depois, como diria o Bom Povo, ninguém diga que está bem. Não somos nós que pairamos sobre a realidade, é ela que nos acerta no meio da testa. Mas ao contrário do que imaginava em 1985, a realidade é muito mais previsível.



| não é um acelerador de partículas | aeroporto de frankfurt | novembro 2010 |

terça-feira, outubro 12, 2010

A decadência de um fotógrafo mede-se pelo número de pôr-de-sois que fotografa... :/


| ainda virado a oeste |bruxelas | outubro 2010 |

terça-feira, outubro 05, 2010

segunda-feira, setembro 20, 2010

Have big fun...

«Cá fora a multidão continuava a sua passeata mironante e quase fui atropelado por um ciclista.»


| amsterdão | setembro | 2010 |

sexta-feira, setembro 17, 2010

O sentido da vida

Esta manhã, voltei à escola primária e aos ditados. Perguntaram-me qual era o aspecto mais importante da minha identidade. Não faço a mínima ideia.

Mas isso não me incomoda: tenho um bilhete com a identidade ali na carteira e posso ir lá ver sempre que tiver dúvidas...


| jantar a dois | liège | setembro 2010 |

domingo, setembro 05, 2010

A vida imaginária do mundo.

Numa tarde em que as nuvens vieram tocar o monte Pindo e em que o vento soprava o frio e a humidade pelos quais toda a península almejavam, um grupo de gnomos vestidos com collants côr-de-rosa e cantando o Mamma Mia dos Abba decidiu descer pela coluna de carga da mini-hídrica de Ezaro, na costa da morte.

Por ali, com o... permanente marulhar das ondas, ninguém se apercebeu do sucedido. Será certamente um acontecimento invulgar e provavelmente irrepetível, até porque de passagem os gnomos foram comentando que seria a última vez que passariam férias em tão sombrias paragens.

Apenas uns turistas que se encontravam de passagem - levando com a aragem e a morrinha nas ventas - se aperceberam do que estava a acontecer. Um deles ainda procurou fotografar por sucessivas vezes o grupo de duendes, mas estes rapidamente desapareceram mar adentro como se fossem pinguins enchapelados e barbudos.

Desse momento ficou esta foto - entalada entre o Pindo e Ezaro. Não faz juz ao momento, mas ilustra em parte o que se pode ver no paraíso.


| ezaro | costa da morte | galiza | agosto 2010 |

terça-feira, maio 11, 2010

A menina de rosa num cavalo branco-leite.

Um palco de fundo preto. Um projector ligado a um computador portátil. Um tele-comando nas mãos. Roupa preta, saia pelo joelho, collants vermelhos, cabelos sem produção particular. Bem-vindos ao mundo de uma mulher normal. Disse normal? Excepcional.

Goeie avond! Bon soir! Um sorriso aberto para o público. Uma conversa genuína, tanto quanto a distância do palco o permita. Sem qualquer guião, uma explicação para cada música, para cada poeta, para cada fotografia. Se a guitarra toca no microfone, um sorriso ao causador do acidente e um comentário imediato. Promessas de morte ao guitarrista que na verdade parecem promessas de cama. As luzes sofisticadas, direccionais, piscam, dançam, percorrem os corpos, cruzam os ares. Nã nã nã... Logo no início de outra música: será que podem desligar isto? Pois é, parece que isto não é um festival de pirotecnia.

E a meio de mais uma conversa, o computador que anuncia a falta de bateria. Chamam-se as embaixadas, evita-se a crise internacional. Alguém tem uma bateria para um MacBook no bolso? Não? Não se procuram explicações. Não há explicações. Há ainda tempo para aprender a dizer caralho em siciliano. Eu não aprendi, confesso. Minga, mintza, algo assim. Poderia parecer inteligente e fazer uma pesquisa no google, mas longe de mim ser um gajo perfeito. E ao fim de 5 curtos e bem passados minutos, há que ondular os dedos em direcção à sala e com voz cavernosa anunciar o esquecimento de todo o sucedido. Os efeitos são imediatos. Depois do tempo passado entre sorrisos, o silêncio torna-se absoluto.

Continua-se à volta da infância, dos poetas esquecidos da língua inglesa, de um mundo onde as letras que se cantam têm tantos anos que não têm direitos de autor. E quase no final chega uma música de um poeta inglês que trata da morte e da meninice. O choro toma conta dela. Há que virar costas ao público, esperar uns segundos, sair de cena. Duas guitarras ficam sós e repetem a melodia. Ao fim de longos acordes, regressa-se. A voz treme mas a música é cantada até ao fim. Por fim, pedem-se lenços ao público. A sorte é melhor do que em relação às baterias de computador. Um basta, um só basta, não tenciono voltar a chorar esta noite. Isto não é um espectáculo, são apenas pessoas num palco. Normais? Em certo sentido sim, em certo sentido não. As pessoas perfeitas são muito chatas.

No final, para os chatos que, como eu, ainda tinham curiosidade em ver passear pelo palco as antiguidades, volta-se para um encore. Não necessariamente por esta ordem, seguem-se Carnival, Motherland (com diversos improvisos e bitaites mandos à BP), Kind and Generous (muita palhaçada antes de começar a cantar, simulações de esquecimentos da letra - “her greatest hit and she couldn't fuckin' remember the words”, citei - um telemóvel roubado ao público, ameaças de ligar a uma série de gente, uma tentativa frustrada de ligar ao colega de trabalho de alguém e muitas fotos tiradas à primeira linha do público. E agora está na altura de fechar este parênteses.), Break Your Heart, Tell Your Self (improvisos... bocas ao mundo da beleza anoréctica dominante) e uma música final cantada à capella, com um aceno cheerio e pedidos ao pessoal para ir abandonando a sala. Isso é que era bom! Apesar de ainda nem serem onze da noite, os belgas já deviam estar na caminha há muito e a coisa ficou por ali.

Guardo o bilhete. Sei que sou desleixado e como tantos outros bilhetes, ficará no fundo de uma gaveta onde apenas para mim terá algum resto de valor... Um bilhete para um momento irrepetível que vale cada grama do seu peso em cocaína da mais pura – que é coisa que eu imagino que deva ser muito cara. Mas drogas nunca foi o meu forte.

Gravem-se os concertos, cristalizem tiques, remisture-se o som, escondam-se os defeitos, aspire-se à perfeição, registem-se direitos de autor, arquivem-se DVDs em prateleiras para que possam apanhar pó. Sejamos pessoas chatas.

Ou faça-se a coisa como deve ser bem feita.


«Don't spread the discontent
Don't spread the lies
Don't make the same mistakes
With your own life»

Natalie Merchant


| luxemburgo | fevereiro | 2010|

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

domingo, janeiro 31, 2010

Em cerca de 15 segundos, talvez menos, o homem percorreu um pedaço da calçada. Centenas de pessoas passariam por ali imediatamente a seguir. Demorariam 15 segundos ou talvez menos. E as suas histórias contar-se-iam com outras palavras que não saudade. O frio continuaria. Pelo menos e com toda a certeza, até ao Domingo seguinte.


| bosque da cambre | bruxelas | janeiro 2010 |

sexta-feira, janeiro 29, 2010

O que quer que isso queira dizer

Sair de casa aos 25 e comprar o primeiro automóvel aos 34. Exactamente ao contrário da sua geração.


| cozinha e livros | woluwe saint lambert | bélgica | 2010 |