terça-feira, novembro 11, 2014

História com final infeliz

A senhora acordava todas as manhãs. A senhora acordava mas era sempre um pouco tarde. Porque o despertador das outras senhoras também as acordavam à mesma hora. Ou a outra hora. Mas todas saíam de casa à mesma hora. Mas nenhuma delas usava o autocarro ou o metro. Nos seus automóveis dirigiam-se para onde haviam de se dirigir.

A senhora tinha uma filha. Mas o carro não tinha onde parar. A filha tinha uma escola e havia que sair do carro todas as manhãs. E havia um certo atraso, por causa daquilo do despertador das outras senhoras. Ou do trânsito. Ou da chuva. Ou da própria filha que desrespeitava o tique-taque como se de uma mera convenção se tratasse. Era o mundo todo contra o resto do mundo todas as manhãs.

E ali à porta da escola, não havia grande alternativa. O carro só podia ficar em cima do passeio. As ruas estreitas, os despertadores, as horas, tudo isso a forçava a deixar o carro em cima daquele passeio. Ela preferia não o fazer. O ideal seria que houvesse um lugar livre todas as manhãs à sua espera. Infelizmente não era o caso. Ainda por cima, o espaço em cima do passeio era exíguo, obrigava a manobras. Pisca-pisca, chega à frente, chega atrás, chega outra vez à frente, pisca-pisca.

Num dos "chega-atrás" ela não viu uma criança que estava por trás do carro. E o carro lá a empurrou. O pai da outra criança bateu-lhe três vezes com as mãos no carro. E ela, como nem se apercebeu que havia batido na criança, ficou infeliz. Ou outra coisa qualquer que lhe mexeu com os nervos. Pobrezinha.


| foge foge | novembro 2014 |

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