terça-feira, dezembro 05, 2006

A novela das minhas vidas - assim mesmo sem concordância.

Um texto escrito aos 47 anos sobre as relações entre pessoas. Sentado em frente a uma espécie de computador muito diferente daqueles que por aí andam. Uma forma algo diletante de tentar verter alguma sabedoria de vida sobre coisas que não têm sabedoria nenhuma e poderiam ser explicadas facilmente por qualquer miúdo de dezasseis anos.

Uma palavra fundamental: desejo.

A verdade é que aos 24 anos quando os amigos se começaram a casar eu não percebi porquê. Aos 32 quando eles se começaram a separar eu não percebi porquê - mas ainda menos percebi porque é que se casaram. Aos 40 quando eles começaram a dormir todos uns com os outros eu não percebi nada - sobretudo porque é que alguns se separaram.

Mas aqui o que mais me incomodava era baralhar já o nome de todos os elementos dos proto-casais. Aos 54 anos quando os filhos dos amigos se começaram a casar eu desisti.

Portanto vou escrever sobre o quê, caralho?

Bom, algumas coisas fui percebendo. Isto cá em casa não é bem Portugal. Não faço qualquer tipo de juízo de valor sobre as vidas que os meus amigos vão tendo. Percebo que ali por volta dos 40 anos talvez eu próprio devesse ter aproveitado algum do entusiasmo colectivo. Mas não me arrependo de nessa altura me ter dedicado finalmente a ler os pós-modernistas franceses e os marxistas norte-americanos.

Aos meus amigos e amigas gostava de pedir que vão, que se venham, que se separem, que se juntem, que discutam, que se apaixonem, que berrem, que se beijem, que se apalpem, sejam bígamos, trígamos, celibatários, monogâmicos, fufas, maricas e até heterossexuais. Não se deixem morder a pouco e pouco por um subliminar sentimento de culpa de alguma coisa que não se sabe muito bem o que é.

Ah... e venham cá todos cá a casa de cada vez que vos apetecer. Eu tenho mais que fazer do que vos andar a convidar. Com uma chávena de chá da gorreana nas mãos, veremos o «Segredos e Mentiras», o «Invasões Bárbaras», o «Ódio» ou outro bom filme qualquer.

Esperaremos tranquilamente pelos 40 anos para nos enrolarmos finalmente uns nos outros. Eu vou tratando de comprar já os livros.


| The XY Project e um outro Project | Porto | 2006 |

6 comentários:

Armindo de Jesus disse...

uma vez que passei os 40 anos já não tenho hipóteses de enrolamento. :( mas proponho ver o filme A vida secreta das palavras.

Te disse...

Passei por aqui. O seu texto deixou-me a pensar. Ainda bem.
Parabéns pelo blog: organizado, completo e curioso (diferente)
:)

Anónimo disse...

:))))

Insignificante disse...

fiquei deprimida ! :D D

branda disse...

Ainda non reparara neste post. A verdade é que para decidir que aínda fican algúns anos para ler *s postmodernistas franceses, xa tes visto que o desexo é a maior das potencialidades liberadoras do ser humano, o cal é puro Deleuze, que de certo é o máis complicado d*s postmodernistas franceses...e seguramente d*s máis interesantes. Se logras entende-lo, explíca-mo!!

JL disse...

O desejo parece-me explicavel, imagino que por isso Deleuze não será mais do que uma variação sobre o assunto.
;)