segunda-feira, dezembro 18, 2006

O melhor dos museus está fora deles.

Sempre que visito uma exposição de arte contemporânea, faço-o com aquilo que se pode chamar espírito aberto. Aceito sempre que possa gostar daquilo que vou ver, ainda que saiba que:
-a arte contemporânea, guardada num museu ou numa galeria, é uma palermice tão grande como manter animais selvagens num circo.
-a arte contemporânea não tem que ter nenhuma intencionalidade ou sentido - o que me incomoda. Sempre preferirei ver trabalhos de alunos da primária ou da pré-primária.
-a arte contemporânea é feita muitas das vezes como uma justificação de si própria, criando um círculo social de consenso onde o mérito se extraí a partir da dimensão da agenda de telefones.
-a arte contemporânea é chata e contraditória.

[parêntesis 1]

Por exemplo, em Bilbau, num dos mais prestigiados museus do planeta, a exposição permanente de um grande escultor, é uma forma de, digamos assim, criar no espectador uma interrogação na sua percepção do espaço, através de gigantescas chapas metálicas que podem ser percorridas a pé. No entanto, anúncios omnipresentes avisam que não podem ser tocadas. Arte é arte.

[parêntesis 2]

Um dia posso surpreender-me - um pouco como quem olha para Portugal. Uma das coisas extraordinárias que tem o nosso país é que se pode sair de casa em direcção a qualquer sítio, atirando sucessivamente a moeda ao ar em cada intersecção da estrada. Garantidamente, à chegada a qualquer terra, haverá um sítio onde se possa comer, sendo a probabilidade dessa surpresa ser agradável bastante elevada. Isto é uma verdadeira "instalação" de dimensão considerável.

A arte contemporânea não existe enquanto forma única e portanto acho que posso ser apanhado da mesma forma.

No entanto a arte contemporânea cumpre uma das mais importantes facetas da arte: diverte. Sobretudo se se lerem os textos idiotas que se escrevem sobre a mesma. Como este.




| arte! | the xy wall | porto | dezembro de 2006 |

5 comentários:

Elsa Castelo disse...

"A arte contemporânea, guardada num museu ou numa galeria, é uma palermice tão grande como manter animais selvagens num circo."

Hei, isto podia funcionar quase como um manifesto !
Será que alguém já se lembrou de escolher um conjunto de artérias e pendurar quadros nos postes de iluminação pública e nas paredes das habitações ?

Seria no mínimo interessante !

JL disse...

Estava a pensar mais nisto:
http://www.banksy.co.uk/

:)

Insignificante disse...

:D

Segui o link. Acho que a 'obra' apresentada ficaria bem, e mais especificamente neste:
http://www.banksy.co.uk/drawing/index1.html 8-)

bravosdomindelo disse...

desculpe-me a brejeirice, mas nao vai colocar nada sobre o natal?

Armindo de Jesus disse...

li-te e não me diverti.
:)