sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Pronto...!

Tenho em relação a este referendo tentado manter uma certa frieza. Não é uma frieza de indiferença, negligência ou alheamento. A verdade é que como provavelmente muita gente favorável à mudança da lei, parece-me que há muito pouco a discutir naquilo que tem sido uma campanha marcada sobretudo pelo campo dos criminalizadores. A minha frieza é uma distância que me é proporcionada pela pobre garantia que terei de poder colocar uma cruz pela mudança da lei.

No meu blogue raramente me dirijo a quem me lê. Gostaria até de imaginar que em certos momentos ninguém me lê e que as pessoa que aqui vêm o fazem exclusivamente pela fotografia. A verdade é que não sei quem me lê. Tenho para ali um contador que é uma intromissão na privacidade dos meus visitantes e que por diversas vezes ponderei apagar. Tenho um endereço de correio electrónico que, se bem me lembro, só foi usado uma ou duas vezes. Abreviando, para além de alguns familiares e amigos que sei que olham para isto e sabem o que penso das coisas, não faço ideia nenhuma de quem me lê nem o que pensam das fotos que vêem. Não faço links nos posts para outros blogues. Os meus amigos sabem que os admiro e não preciso de o dizer a cada passo.

Por isso nessa minha frieza nunca pensei escrever nenhum relambório sobre o referendo. Não gosto de discutir esta questão com ninguém. Tenho-a discutido com pouquíssimas pessoas e poucas são aquelas que reconheço como merecedoras de algum tipo de argumentação / contra-argumentação.

Até que esta manhã ao abrir a minha caixa de correio, encontro uma filha da puta de uma apresentação PowerPoint, enviado por uma besta que comigo trabalha. Foda-se lá o gajo.

[agora, caro leitor, cara leitora, desculpem a linguagem sexista, mas é que eu sou do Porto e revelo-me tal incrível Hulk quando fico agitado.]

Como é natural toda a apresentação está cheia de mentiras sobre tudo e mais alguma coisa. Sobre a lei, sobre a sexualidade, sobre questões familiares, sobre a "vida" e - pelo caminho - sobre mim próprio, fazendo insinuações insultuosas sobre quem discorda da criminalização. Ora que caralho!

A campanha para este referendo tem sido particularmente mais moderada que a campanha de 98. Moderada no sentido em que se acentua o carácter liberal da mudança da lei, deixando a responsabilidade (e a liberdade - aliás indissociáveis) do lado da cidadã. Eu que acho que sou muito mais (ou muito menos) que liberal aceito essa argumentação (que não é a minha) e subscrevo-a em grande medida.

A campanha de quem defende a criminalização é muito dura porque se fundamenta em mentiras, mentiras essas que têm um pano de fundo ideológico e cultural profundo: Portugal é um país atrasado, conservador e regra geral muito pouco esclarecido. É o país dos treinadores de bancada em que todos podiam ser primeiro-ministro mas ninguém quer ser administrador de condomínio. O meu preconceito diz-me que o mundo dos blogues é um bom exemplo disso.

[Aproveito para fazer uma declaração de amor à Ana Sá Lopes, dando graças por saber que ela não votará no PSD tão cedo.]

Mas a questão levantada pelo Portugalzinho que me entrou pela caixa de correio esta manhã é uma discussão de crenças e de fé. É uma discussão sobre o medo que há em assumir responsabilidades (sobretudo ao nível sexual) mas sobre a facilidade que temos em apontar o dedo à vizinha. E é sobretudo uma discussão profundamente masculinizada onde, apesar da palavra "vida humana" encher a boca de muita gente, discute-se muito pouco aquilo que são precisamente os direitos que temos nas nossas vidas (humanas).

[Nomeadamente o direito a não ter a tutela da igreja no nosso sistema jurídico e de saúde.]

A minha vida já teve abortos. No plural. Quero que o meu colega os meta pelo cu acima. Metaforicamente. Não me fodam, já basta o que já basta.


Caro leitor, cara leitora, ainda esta tarde conto ter ali do lado direito o maior banner que encontrar a apelar ao voto sim no referendo. Mandei a frieza às urtigas.


| Rabo de Peixe | S. Miguel | Açores | Junho de 2006 |

sábado, janeiro 27, 2007

Momento actual da luta de classes

A questão já não é tanto quem tem o poder, mas o que se faz com ele. Pelo menos cá em casa.


Rabo de Peixe | S. Miguel | Açores | Junho de 2006 |

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Secretos de porco.

Depois de muito puxar pela cabeça, cheguei à conclusão que há uma coisa que me agrada imenso no Rui Rio. É que o discurso dele, seja sobre um "grande" tema como o aquecimento global, seja sobre um assunto "pequeno" como uma paragem de autocarro, é profundamente ideológico. Terá outros adjectivos: enviesado, demagógico, autoritário - mas daquele, que tanto me agrada, ninguém o livra.


| Rabo de Peixe | S. Miguel | Açores | Junho de 2006 |

domingo, janeiro 21, 2007

Por muitas e variadas razões...

...mas talvez pela mais importante - a minha filha - votarei sim.

Curiosamente abstive-me em 98 - por razões que só a mim me dizem respeito.



| Rabo de Peixe | S. Miguel | Açores | Junho de 2006 |

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Blue!

«Por vezes até vivemos. Mas quando isso acontece costumamos estar maravilhosamente distraídos.»

Acrescento da minha lavra: quando encontramos determinadas pessoas ficamos com a certeza que certas "coisas" não são anomalias estatísticas.


| Manel | TNSJ | Porto | Dezembro 2006 |

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Ciências inexactas.

De 2006 guardo uma memória fundamental:
Citoputomegalovirus.


| Rabo de Peixe | S. Miguel | Açores | Junho de 2006 |

sábado, dezembro 30, 2006

Princípios Simples XXII

Observar com atenção a opinião daqueles/as de quem guardamos uma secreta admiração.
Ainda que possa ser entendido literalmente "ouvir" e "escutar" são coisas subtilmente diferentes.


| Rabo de Peixe | S. Miguel | Açores | Junho de 2006 |

quarta-feira, dezembro 27, 2006

segunda-feira, dezembro 18, 2006

O melhor dos museus está fora deles.

Sempre que visito uma exposição de arte contemporânea, faço-o com aquilo que se pode chamar espírito aberto. Aceito sempre que possa gostar daquilo que vou ver, ainda que saiba que:
-a arte contemporânea, guardada num museu ou numa galeria, é uma palermice tão grande como manter animais selvagens num circo.
-a arte contemporânea não tem que ter nenhuma intencionalidade ou sentido - o que me incomoda. Sempre preferirei ver trabalhos de alunos da primária ou da pré-primária.
-a arte contemporânea é feita muitas das vezes como uma justificação de si própria, criando um círculo social de consenso onde o mérito se extraí a partir da dimensão da agenda de telefones.
-a arte contemporânea é chata e contraditória.

[parêntesis 1]

Por exemplo, em Bilbau, num dos mais prestigiados museus do planeta, a exposição permanente de um grande escultor, é uma forma de, digamos assim, criar no espectador uma interrogação na sua percepção do espaço, através de gigantescas chapas metálicas que podem ser percorridas a pé. No entanto, anúncios omnipresentes avisam que não podem ser tocadas. Arte é arte.

[parêntesis 2]

Um dia posso surpreender-me - um pouco como quem olha para Portugal. Uma das coisas extraordinárias que tem o nosso país é que se pode sair de casa em direcção a qualquer sítio, atirando sucessivamente a moeda ao ar em cada intersecção da estrada. Garantidamente, à chegada a qualquer terra, haverá um sítio onde se possa comer, sendo a probabilidade dessa surpresa ser agradável bastante elevada. Isto é uma verdadeira "instalação" de dimensão considerável.

A arte contemporânea não existe enquanto forma única e portanto acho que posso ser apanhado da mesma forma.

No entanto a arte contemporânea cumpre uma das mais importantes facetas da arte: diverte. Sobretudo se se lerem os textos idiotas que se escrevem sobre a mesma. Como este.




| arte! | the xy wall | porto | dezembro de 2006 |

domingo, dezembro 10, 2006

Princípios Simples XX

Os princípios simples devem - além de simples - ser poucos. Digamos menos de 20.
(:


| Porto de Rabo de Peixe | S. Miguel | Açores | Junho de 2006 |