quarta-feira, abril 13, 2005

Querido Karol...

... boa viagem. Vai mandando notícias.


| Figueira da Foz | Câmara de Lobos | 2004 | 2005 |

quinta-feira, março 03, 2005

Bitácora.

Bitácora. É uma palavra muito mais poética do que blogue. Igualmente opaca, mas sem o sentido frouxo dos anglicismos.


| Eu e a minha Pentax | O mesmo armário da Tia Lídia | 2004 |

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

O que fica da campanha eleitoral.

Passeio-me noite fora, com frio no peito, as mãos geladas e a barba húmida. As ruas estão desertas como sempre. Ao cimo de Stª Catarina uma puta observa-me. Vamo-nos cruzar. Ambos o sabemos. Olho-lhe para o cú. Grande. O olhar cansado, as mãos certamente tão frias como as minhas. A cara triste. A minha não sei que cara seria.
«Queres bir filho?»

Onde quereria ela levar-me?
Baixei os olhos e pensei na campanha eleitoral.

«Querem bir, filhos?»
Baixo os olhos e penso onde quererão eles levar-nos.


| Mareantes do Douro | Gaia | Janeiro de 2005 |

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Democracia é...

Um partido com 45% dos votos ter 52% dos deputados.
Um partido com 29% dos votos ter 31% dos deputados.
Um partido com 7,6% dos votos ter 6% dos deputados.
Um partido com 7,3% dos votos ter 5,2% dos deputados.
Um partido com 6,4% dos votos ter 3,5% dos deputados.


| Carnaval | Podence | Fevereiro de 2005 |

sábado, fevereiro 12, 2005

Coisas explicáveis

A boa disposição de um ser humano na noite de domingo pode ser explicada pelo ritual um pouco bizarro de seguir outros que como ele se divertem em rituais igualmente bizarros. Assim foi domingo à tarde em Podence.

A boa disposição de um ser humano na noite de sexta-feira pode ser explicada pelo ritual um pouco bizarro de seguir outros que como ele se divertem em rituais igualmente bizarros. Assim foi sexta-feira à tarde no Porto.

A boa disposição será a marca da noite de 20 de Fevereiro.


| Carnaval | Podence | Fevereiro de 2005 |

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Sinto-me bem em casa

Entendendo a casa no sentido lato. Nada de cedências ao conforto doméstico e individualizado da pequena-burguesia. Paleio de circunstância, note-se.


| Carnaval | Podence | 6 de Fevereiro de 2005 |

terça-feira, janeiro 25, 2005

Caro senhor

Desculpe senhor o facto de na verdade não me ver como um assassino. Assassino no sentido daquele que mata. Desculpe senhor. Nem percebo porque razão, senhor, aquele que apoia tropas para invadir um país em paz com o mundo não é olhado como um assassino. Matar, para mim, sempre foi aquilo que se faz com pistolas, canhões e coisas que tais. Admito que possa estar enganado, senhor.

Bem sei que o senhor tem contactos directos com Nossa Senhora de Fátima e será ela quem, com transcendental sabedoria, lhe aponta o trilho da vida, da humanidade e dos homens bons. Desculpe senhor. Tem toda a razão. Pode nunca ter ido à tropa mas pode brincar às guerras e aos submarinos. Brincar faz bem. É saudável. É um direito dos cidadãos.

Pode ser-se homossexual, declamar-se odes à Santa Madre Igreja e venerar-se de forma rastejante a família patriarcal. Pode sim senhor. Brincar com a pilinha faz bem. É um direito dos cidadãos, ainda que o senhor não o reconheça. Pode ser-se uma respeitável figura pública e ser-se um valente filho-da-puta. É verdade sim senhor. A vida em sociedade é feita destas hipocrisias que todos reconhecem mas que ninguém assume.

Desculpe por isso senhor, nunca foi minha intenção chamá-lo à atenção pela forma insultuosa como me trata. Creio ser um direito que lhe assiste a si. Mas não a mim, como é bom de ver.


| TNSJ | Vilar de Perdizes | TNSJ | Há uns anos atrás |