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quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Bom, talvez não seja bem assim...

Era aos domingos de manhã, quando ainda estava frio e o silêncio da aldeia era apenas cortado pelo soar dos sinos, que a minha avó entrava pelos quartos dentro, zangada e furiosa contra mim, a minha irmã e os meus primos. A razão para semelhante bulha era muito simples: daí a 15 minutos havia missa e ninguém estava ainda pronto e a bater a continência. Lembro-me que a segunda razão para bulha, tinha a ver com o facto de se tomar o pequeno-almoço. A missa era para ser apreciada em jejum e o facto de se aconchegar o estômago com pão torrado e leite morno tornava a mais pequena criança num vil pecador. Desta história tirei várias conclusões mas uma é muito simples: quando se impõe alguma coisa a alguém recorrendo apenas à força física, os resultados imediatos podem aparecer mas a longo prazo serão provavelmente de sentido contrário.

Há muitos anos atrás, a escola inteira ficou em pé de guerra. Todos deveríamos munir-nos de uns toscos óculos azuis e vermelhos (que sempre me fizeram lembrar o plástico envolvente do queijo flamengo) para poder ver o monstro da lagoa negra a três dimensões. Em menos de nada, recorrendo a um objecto tão trivial, todas as salas do país iriam transformar-se no mais puro ambiente de ficção científica. Todos seríamos transportados 100 anos para o futuro. Os nossos tubos de raios catódicos iriam deixar-nos a um pequeno passo da video-conferência tridimensional, do tele-transporte ou doutra coisa qualquer que a imaginação permitisse. A transmissão do filme deve ter tido tanta audiência como o final do Roque Santeiro. No entanto nada daquilo funcionava como anunciado. As três dimensões não apareceram em lado nenhum, o filme era um pouco menos que miserável, toda a experiência se resumiu a uma mobilização social grotesca cujo único resultado foi a venda de óculos de papel com plástico azul e vermelho sem qualquer utilidade. Mas desta história tirei várias conclusões, uma das quais muito simples: quando anunciam coisas que vão para lá do que é evidente e razoável, o mais provável é ser uma aldrabice.

Podia juntar as duas histórias para falar de ateísmo e essa associação seria até óbvia, mas não, não é isso.
Eu quero juntar as duas histórias para falar da Grécia. Já falei. É, é apenas isto.


| parque do woluwe | bruxelas | fevereiro de 2012 |

terça-feira, outubro 06, 2009

Plim, plim, plim.

Ao fundo ouço o bater das teclas de um piano. Como a cena de rua do Eyes Wide Shut. Atrás de mim foge-me um país que desprezava mas com quem finalmente me encantei. A música toca a pouco e pouco. Atravesso a rua, dobro a esquina. Olho para trás e sorrio. Não sei bem porquê.


| o olho de londres | londres | uk | 2009 |

sexta-feira, março 20, 2009

terça-feira, janeiro 27, 2009

Gripes e Bruxas.

Vítima eu próprio de uma gripe e sabendo que é necessário por vezes usar todos os trunfos para ultrapassar os problemas, decidi-me a escrever uma carta a uma bruxa. O endereço da mesma é mantido em segredo por uma questão de proteção contra mau-olhado.

Querida bruxa,
envio-te em anexo uma mensagem de correio electrónico do meu amigo M. Conto que possas pegar nela e fazer todos os encantamentos necessários. Tenho duas suspeitas em relação a este problema: a primeira resulta visivelmente de uma falha de atualização dos anti-vírus, o que faz com que este meu amigo esteja vulnerável aos ataques selvagens desses invisíveis seres capazes de estragar toda a sua sociabilidade. A segunda suspeita resulta do facto desses malvados vírus terem necessariamente que ter sido sujeitos a um encantamento tal que faz com que o meu amigo M. não possa encontrar-se com portugueses!

O primeiro episódio ocorreu em Dezembro e o segundo episódio ocorreu apenas um mês depois- esta mesma semana! Isto é um caso de mau-olhado vil, de voodoo anti-luso e cujas consequências podem ser desastrosas. É que além de Vigo ser demasiado próximo de Portugal (o que me deixa com a suspeita que, apenas pela influência do vento sul, lhe possa provocar a maleita), há portugueses, como é sabido por todo o planeta, mesmo nos locais mais improváveis. Isto significa que o M., por mais que queira não se poderá esconder e corre o risco de ficar permanentemente com gripe.

Peço-te por isso, querida bruxa, que pegues nesta mensagem de correio electrónico e desfaças todos os encantamentos que julgues necessários. Peço-te apenas que não cortes o pescoço a galinhas e que não maltrates nenhum animal. Usa todas as formas vegetarianas de magia que conheças.

O pagamento será feito via paypal.

Cumprimentos


| fotografar com 38,5ºC de febre | bahia honda | cuba | abril 2008 |

terça-feira, dezembro 30, 2008

Não respire!

"Tudo na vida nos diz
que é num momento fugaz
o tempo de um raio-x
que a gente quer ser feliz
vai ser capaz?

Vai ser capaz de sair?
vai ser capaz de aguentar?
por todo o ser no parar
e nisso enfim emergir
vir respirar! "


hmmm... sim... hmmm... tenho coisas a contar.


| Parc des Expositions de Bruxelles (HEYSEL) | Palais 12, block 41E2| Bruxelas | Bélgica | 18 de Abril de 2008 |

quinta-feira, setembro 18, 2008

Básico.

As vidas são um conjunto de projectos sempre inacabados. Este blogue tem essa vantagem. Nunca foi um projecto.

Tive momentos em que seguia com grande atenção grande parte dos blogues. Neste momento tenho os meus favoritos que podiam ser encontrados ali ao lado. Em geral não lia blogues apenas por limitações de tempo. Hoje vou deixar de o fazer pelos mesmos motivos pelos quais deixei de dedicar tempo às televisões generalistas.

Como habitual, passo rapidamente para o teclado alguns pensamentos soltos.

A informação que me chega da Bolívia, chega-me directamente ao correio, vinda de um amigo em Buenos Aires. Em três ou quatro parágrafos, aprendo mais sobre o conflito que em várias notícias que reduzem ao papel de vítima o embaixador golpista norte-americano e reduzem Chavez ao palhaço pobre da diplomacia mundial.

Com o historial de golpes de estado comprovadamente orquestrados pelos Estados Unidos, a América Latina continua a ser abandonada à sua pouca sorte pelas chancelarias dos países desenvolvidos. Mesmo o Nuno Amaral que escreve as suas crónicas no Público, me parece de uma parcialidade e de um empirismo surpreendente (e por isso mesmo inaceitável).

Da mesma maneira recebo da forma mais triste, a notícia de que aqueles que me cederam a sua cama em Baya Honda, quando por ali me vi cheio de febre, viram a sua casa, roupas, plantações e animais serem completamente destruídos pelo furacão Gustav.

Dos Estados Unidos vi alguns directos sobre o furacão (daqueles directos que transmitem zero de informação). De Cuba poucas notícias. Já se sabe: Cuba só existe nas notícias quando as notícias são dadas pelos Estados Unidos.

E aqui volto aos poucos blogues que ainda lia. Irrita-me que o mundo se reduza nestes dias a Barack Obama, a Sarah Palin ou a sei lá o quê. Sobre o LHC só li coisas pobres e mal informadas. Portugal, à falta de melhores notícias quase mergulha numa guerra civil, que entretanto já acabou.

Gosto de ler blogues. Acho que se pode aprender muito. E quero continuar a fazê-lo. Muitas das vezes fazem-me pensar - que é uma actividade que em geral me agrada.

Serei básico, mas nos dias que correm, as notícias chegam-me directamente à caixa de email, daqueles em quem confio e por quem tenho apreço.

Vou mudar o aspecto do blogue para um template básico do blogger. Vou retirar as ligações e deixar de lado o embuste do Adsense.

Vou reconstruir aquilo que leio em função dos meus gostos próprios (por nenhuma ordem em particular): ciência, novas tecnologias, política e esquerda europeia, fotografia, cinema, gajas inteligentes e gajos bons (ou vice-versa) e claro as minhas amizades.

Temo por mim próprio: isto parece-se demasiado com um projecto e por isso o mais certo é não dar em nada. Entretanto volto à escola primária dos blogues. Sigam-me.


Photobucket
| a "minha" cama | baya honda | cuba | 2008 |

terça-feira, setembro 02, 2008

Não, não ando doido.

Começo aqui a escrever a partir de:
-uma pequena provocação de um amigo (daí o título) e
-uma constatação: tenho fotografado cada vez menos.

Primeiro que tudo, sinto-me a mudar. Acho que isso é comum em qualquer idade. No entanto associamos isso a mudanças visíveis e que podem servir facilmente de explicação. Por exemplo: a mudança de escola, a entrada na faculdade, a saída da faculdade, uma nova namorada, a passagem por um país estrangeiro, um novo trabalho, etc... No meu caso, ao contrário do que possa parecer à primeira visto, nada disso. Eppur si muove.

Pela primeira vez embarquei num avião com apenas um rolo de slides na máquina e pilhas numa pequena digital. Nem um único filme a preto e branco. Ainda assim, ao fim de duas semanas, grande parte dos slides foram disparados para acabar o rolo antes do voo de regresso.

E assim se confirma: fotografo pouco. Gostaria de ter fotografado mais. Ou melhor, não fotografei porque fiz outras escolhas e não me arrependo delas, mas gostaria que essas escolhas não condicionassem o facto de não ter fotografado.

E finalmente depois de no fim-de-semana ter passado fugazmente pela zona do S. João no Porto (quem não sabe de que falo, soubesse) senti uma grande distância de parte da minha própria história de vida. E alguma tristeza por verificar que algumas das escolhas recentes que fiz são correctas. É um pouco esquizofrénico, mas é assim mesmo. Não, não ando doido.

Photobucket
| graciosa, s. jorge e pico | açores | agosto 2008 |

quarta-feira, agosto 06, 2008

Então tá. :|

1. Dou por mim a pensar nos meus gostos fotográficos. Perante a possibilidade de comprar um livro, de demorar um pouco mais os olhos numa fotografia, invariavelmente caio sobre o foto-jornalismo. É um sentido do clássico que não sei explicar bem. Noutros aspectos da minha vida acho que o comportamento não é comparável. Na escolha de livros, músicas, filmes, ou mesmo quando se trata da escolha de uma refeição, os clássicos agradam-me mas não são necessariamente os meus preferidos.

2. Com chapéu na cabeça, uma mochila pequena às costas, cuecas q.b., três camisas, dois pares de calções, protector solar, uma garrafa de água e dinheiro no bolso, sairei de casa. Um pouco mais de mil euros. Terei sempre tempo suficiente para dormir depois de almoço. Jogarei às cartas com os velhotes pelo caminho. Comerei o pó dos jipes e das moto-quatro. Com o telemóvel enviarei fotografias ao fim do dia aos amigos e à família.

3. Com as notas dessa viagem não farei nada. Nem um blogue, nem um livro, nem uma sequência de crónicas de viagem. Mas não serão deitadas fora. Ao pé de uma lareira, em Trás-os-Montes, falarei disso numa noite de chuva sem televisão nem luz eléctrica. De manhã apreciarei os meus livros de foto-jornalismo. Serei mais velho.

4. Ando mais de avião do que o que gostaria. Leio menos do que o gostaria. Conduzo mais do que o que gostaria. Converso menos do que o que gostaria. Escrevo menos do que o gostaria. Fodo menos do que o gostaria. Uso palavrões mais do que o gostaria. Peso menos do que o gostaria. Já viajei tanto quanto gostaria. Durmo bem. Raramente bebo álcool. Apenas o que gostaria. Trabalho e cozinho às vezes.

5. E li o editorial da Máxima do mês de Agosto. Eu sei, é um comentário infantil. :D


|procissão do corpo de deus | porto | junho de 2007 |

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Copos sábado à noite?

O cheirinho de alecrim.

O tabaco em si é apenas uma planta. Como provavelmente muitos de vocês sabem, uma das coisas que me chateia há muitos anos é vir para casa com perfume a tabaco. Por qualquer motivo que não posso explicar por completo incomoda-me o cheiro. Não me incomodam o cheiro de outras plantas. Por exemplo, o alecrim, o tomilho, os oregãos ou o louro. Gosto até bastante de coentros. Tabaco, confesso que nunca apreciei.

Pouca gente saberá quais os efeitos de passar o dia a queimar louro seco e a metê-lo para dentro dos pulmões. Ou alecrim, oregãos ou coentros. Dito assim parece uma coisa bastante ridícula, não é verdade? Quem se lembraria de fazer semelhante disparate? Mas pelos vistos há quem tire um prazer enorme em fazê-lo com outras plantas, sendo o tabaco uma delas... Eu ainda assim continuo a achar que os coentros são melhores fresquinhos no prato, do que queimados depois de secos.

a liberdade.
Assustam-se muito os proprietários de cafés, bares e restaurantes com a nova lei sobre o tabaco. Os jornalistas fazem coro. Os fumadores, passarão a ser oprimidos e certamente haverá até quem já se tenha dedicado a explicar como a lei é pura e simplesmente fascista. A liberdade dos fumadores está posta em causa! Estou a ficar careca, mas fico com os cabelos em pé de cada vez que penso que a liberdade está posta em causa. Nem pensar nisso! Tenho muitos amigos fumadores, como vão agora tirar-lhes essa liberdade? Nã, nã, nã... que eu também sei daquela citação do Brecht...

old school rulez.
Os revolucionários franceses do séc. XVIII perceberam muito bem essa coisa da liberdade. E perceberam-na tão bem, que a fecharam num círculo com outros dois conceitos: a igualdade e a fraternidade. Qualquer um destes, sem os outros dois, seria despido de sentido. Até agora a regra tem sido olhar para o tabagismo como a liberdade de fazer fumo em sítios fechados, em nome do prazer próprio ou doutra coisa qualquer que eu não estou em condições de perceber. E essa era a regra. A mim que me chateava o cheiro da dita planta, restava-me a liberdade de não frequentar cafés, bares e (aqui para nós que ninguém nos ouve) a liberdade de deixar de participar em determinadas reuniões, mesmo que cercado de camaradagem ecologista. Exerci essa liberdade (e continuarei a fazê-lo) muitos anos.

Ponho-me para aqui a pensar com os meus botões, enquanto vejo notícias que anunciam que muitos bares, discotecas, restaurantes de luxo e tascas das mais rascas vão abrir falência. Imagino que não abram falência logo no próprio dia 1 de Janeiro de 2008. Primeiro porque é feriado e segundo porque suponho que toda a gente terá curiosidade em ver como será, antes de abrir falência. Mesmo com a crise, toda a gente tem um pequeno pé de meia. Lá para Fevereiro estará certamente instalado o caos.

Eu estou habituado a ser minoria. Não é bem uma questão de estilo. Será outra coisa qualquer. Eu gosto de pensar que tem a ver com o discernimento - mas essa pretensão pode ser muito bem o primeiro sintoma de como estou enganado. Mas no meio desta história acho que não sou minoria. Pelo contrário, por uma vez acho que faço parte da maioria - um bolchevique afinal.

ano novo
Uma das mudanças que vejo como certa na minha vida em 2008, será certamente o facto de começar a sair mais vezes à noite. Melhor dizendo, não é bem mais vezes - porque agora nunca saio - trata-se de recomeçar a sair à noite. De cada vez que o fizer, pode ser que ajude o dono de algum bar a salvar-se da falência certa. Mas sendo os não fumadores a maioria, talvez a história venha a revelar-se diferente. Ainda assim, não tenho pretensões a adivinho.

Tenho pena que em Portugal uma lei tão sensata tenha sido implementada por um dos governos mais coerentemente e "espertamente" neo-liberais. Posso estar enganado, mas penso que nesta lei pesaram mais os técnicos do Ministério da Saúde, que o programa do governo PS.
Tenho pena que esta lei não tenha sido imposta pelos sindicatos, como uma das formas mais elementares de protecção dos trabalhadores - sobretudo dos que trabalham na restauração.
Tenho pena que tenha sido uma decisão da tecnocracia. É que é sabido, a tecnocracia, ainda que acerte às vezes, falha muitas outras.
Tenho pena que na esquerda, a liberdade de poluir surja como uma contraponto a outra coisa qualquer sempre apresentada como sendo muito (mas muito!) mais importante - a liberdade de ser informado (tanta gente que deve desconhecer os malefícios do tabaco, não é?), de ser estimulado de mil e uma maneiras a deixar o vício (mas então não somos livres de escolher?), a liberdade de ter tratamentos anti-tabágicos pagos (mas... mas... mas... os maços de tabaco, quem os paga afinal?).
Tenho pena que o meu partido tenha tomado a posição ridícula que tomou.

No meio de tanta pena não posso deixar de sorrir ao saber que os deputados não poderão invocar imunidade parlamentar e terão que fumar na rua, fora da assembleia. Dickens teria certamente escrito um livro maravilhoso sobre a questão. Mas fico curioso sobre quem se arriscará a uma conversa de circunstância com o Paulo Portas, na soleira da porta de entrada.

2007 foi o que foi, 2008 será o que será. Eu estou cá para que sejam diferentes um do outro.



| :) | montagem | festas do espírito santo | ponta delgada | açores | julho 2007 |

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Um dia serei despedido.

Sairemos de casa um dia muito cedo. Como se tivéssemos apenas seis dias de vida e uma lista de centenas de coisas fundamentais por fazer. Serão talvez quatro da manhã e não haverá ainda luz do dia. Ao nascer do dia já estaremos sobre a planície castelhana, o pôr do sol será sobre a planície monótona do centro de França. Pelo caminho vamos passando as placas de estrada, como quem cospe caroços de cereja.

Será a última vez que nos levantaremos tão cedo. Não serão seis dias que nos restam, mas um mês ou dois ou três de férias. Só madrugaremos nesse dia para esquecer rapidamente a vontade de fugir. Não vamos precisar de despertador durante uns tempos, mas mesmo que precisássemos, em caso de dúvida seria sempre posto a despertar mais tarde e não mais cedo. Nas bifurcações e no planeamento dos percursos, em caso de dúvida, escolheremos sempre o caminho mais longo. Sentados perante um menu de um restaurante, em caso de dúvida, escolheremos sempre a opção mais cara. Em todas as cidades o carro será estacionado num sítio qualquer e elas serão demoradamente percorridas a pé. Em caso de dúvida não tiraremos fotografias. Compramos postais. Tiramos fotografias tipo passe. Recortamos as últimas e colamo-las sobre os primeiros. Tudo já foi fotografado. Em momentos de tédio tomaremos um duche rápido para nos beijarmos longamente numa tenda ao frio ou num quarto alcatifado de um hotel.

Numa só cidade passaremos um mês inteiro.

Ao voltarmos a casa, tu com pêlos nas pernas e eu com uma barba de semanas, podia dar-se o caso de termos dois processos disciplinares sumários à nossa espera. Nesse caso só nos restaria uma saída: vender a merda do carro (que teria quilómetros a mais) e ir para o Canadá.



| :) | 2007 |

sexta-feira, dezembro 07, 2007

É mesmo verdade.

Ele há coisas que só se percebem com a idade.
Não falo evidentemente daquela consulta de urologia que marquei ontem.


| festas do espírito santo | ponta delgada | açores | julho 2007 |

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Desalfandegar uma encomenda.

[continuação do episódio anterior]

Sequência cronológica de acontecimentos.

*Descubro o balcão da Alfândega. Vazio [penso: estou com sorte.]. Lá atrás um homem levanta-se para me atender. Explica-me que antes devo dirigir-me aos serviços do aeroporto.

*Logo em frente estão os serviços da portway. Entrego a papelada que me deram na DHL, assino uns papéis e avanço confiante para a Alfândega.

*Não trouxe o cartão de contribuinte nem sei o número. Não tenho o comprovativo de pagamento do Paypal. O homem da Alfândega não é propriamente muito risonho, mas é bastante solícito. Pergunto-lhe se outra pessoa pode levantar a mercadoria por mim.
-Sim, mas diga então quanto pagou.
-Está aí na nota de encomenda o custo da mercadoria e dos portes, veja lá.
-Muito bem, vamos lá tratar disto. Como isto vem dos EUA ainda vá, se fosse chinês nada feito.
[ufff...]
-O que é que é?
-Uma camisa, roupa de bébé...
[interrompe-me ele antes que eu diga que comprei dois pares de cuecas de mulher. É uma pena. Era a minha oportunidade de lhe sacar um sorriso.]
-Vestuário, não é? Paga 12%.

*Sou chamado a um hangar onde me aparece o caixote que me é dirigido. Fico bastante surpreendido. O caixote é enorme. Estava à espera de um envelope. Lá se abre aquilo e confirma-se que dentro da enorme embalagem estavam meia dúzia de reles peças de roupa.

*Volto para a Alfândega. Entra um guarda fiscal que fala como se estivesse com uma carraspana tremenda. Fala entre dentes e com uma voz abafada. Não percebo patavina do que diz mas percebo que trata quem me atende por Sr. Dr. :|

*Recebo de volta mais uns papeis. Devo agora dirigir-me à tesouraria. Lá vou para o piso de cima. Descubro a tesouraria. Pago 25 euros e pouco. O troco que recebo é tirado de um mealheiro de lata. A fazenda pública tem o seu charme.

*Volto para o piso inferior. Entrego a prova de pagamento, recebo mais uns papeis. Devo agora dirigir-me de novo aos serviços aeroportuários.

*Penso que finalmente me será entregue a encomenda. Puro engano. Devo agora pagar mais 22 euros porque o caixote esteve "estacionado" no armazém 5 dias. Pago. Ainda não é desta que recebo o caixote.

*Devo agora dirigir-me a outro balcão. Entrego a papelada toda, assino mais um papel de não sei quê e zás: tenho nas mãos um caixote enorme (praticamente vazio!) que me custou 100€. :)

Estou chateado? Nem por isso. O que me custa mais é ter que me meter no carro e seguir em direcção ao centro. Detesto ir trabalhar de carro.

Curiosamente, estacionar o carro três horas no centro da cidade é tão barato como deixar um reles caixote pernoitar no armazém do aeroporto de pedras rubras...


| dos balcãs guardo boas recordações de portugal | sófia | junho de 2007 |

terça-feira, dezembro 04, 2007

As compras pela internet.

Sento-me em frente ao monitor, como já não o fazia há algum tempo. Não só com algum tempo livre, mas sobretudo com disponibilidade mental para escrever qualquer coisa. Ora mas ter disponibilidade não significa que se escreva. E melhor ainda que isso. É que qualquer coisa é mesmo qualquer coisa e como facilmente se depreende deste parágrafo, é fácil dar voltas e voltas sem se dizer nada. Um pouco à José Luis Peixoto. Não diria um estilo, antes uma prática. Detesto-a. :)

Aqui há uns tempos atrás, nem sei bem de que forma, tropecei numa paródia de site nos Estados Unidos (este pormenor revelar-se-á importante para o desenrolar da acção). Click puxa click, gargalhada puxa gargalhada e vai daí em menos de nada estava a pensar que com a desvalorização do dólar, as coisas não ficavam assim muito caras. Comprei pouco menos de dez contos de palermices. E saibam que me custa dar dinheiro aos americanos. É assim uma espécie de princípio simples...

Um dia, estou eu longe de casa (longe de casa é, p.ex., em Lisboa, que não é sequer muito longe bem vistas as coisas) quando me apita o telefone. Sinto um certo frisson. Quem não sente um frisson ao receber um sms, hã?

(DHL) Envio da Thinkgeek dos EUA, carta de porte ****** retido na Alfândega. Pf contactar DHL, ######, Cumprimentos, Daniela

Decido ligar (demonstro alguma inteligência nos meus comportamentos, não é verdade?).

-Boa tarde, estou a ligar para saber o que é necessário para desalfandegar a carta de porte *****. 30€ mais os impostos devidos? Mas a encomenda não chega aos 50€...! E posso ser eu próprio a tratar disso? Muito bem... Faça o que tem a fazer que eu próprio vou à Alfândega. Qual é o horário, sabe-me dizer? Das 09:00h às 12:30h e das 14:00h às 17:00h... Muito bem, que rico horário! [rais parta. c@r@g0 lá para os serviços de alfândega (isto dentro de parênteses rectos sou eu a pensar, não foi o que eu disse à senhora que estava a ser muito educada comigo)]. Sim senhora, fico à espera do vosso contacto.

Assim se passaram três dias úteis até que ontem recebo um telefonema da DHL a dizer-me que toda a papelada estava pronta.

Aviso o chefe de que excepcionalmente chegarei atrasado. Não há crise. Tenho bom ambiente de trabalho e quando me toca a mim também facilito a vida à empresa.

Entro no carro às 08:30h. Detesto pegar no carro à semana. Só para sair do meu quarteirão demoro quase 5 minutos. Detesto conduzir à semana. Vejo o trânsito todo em sentido contrário. Detesto o trânsito matinal dos dias de semana.

Estou sentado em frente à recepção da DHL às 08:50h. Só abre às 09:15h. Juro que me disseram ao telefone que abria às 09:00h. Que interessa isso agora?

A senhora entrega-me a papelada e vou para o aeroporto. Agora começa a aventura. :)

To be continued... [como dizem os americanos]



| porto | setembro de 2007 |

quarta-feira, junho 06, 2007

Princípios Simples XXIV

Os melhores mestres são aqueles que tratamos por tu. O contrário não é necessariamente verdade.


| Estética Aniceto B. | Trás-os-Montes | 2006 |

segunda-feira, maio 07, 2007

Sexo e tabaco.

Para mim estas coisas começaram na escola.

Há coisas que nunca perceberei. Uma é a ligação entre as motas, o tabaco e o sexo. As Yamahas DT, as Casal Boss e as Vespas eram o objectivo de vida de 50% da população da escola secundária. Ter uma lambreta era a sorte grande. Para os infelizes que não chegavam lá havia sempre a possibilidade de fumar nos intervalos. Havia até quem combinasse motas e tabaco. E tudo isto estava ligado a um mito bem estabelecido: o sucesso face ao sexo oposto.

Eu sempre senti curiosidade por outras coisas. Uma delas o sexo propriamente dito. A outra era a música. Preferi passar a adolescência a passear enormes LPs de casa para escola e da escola para casa.

Mas deixemos as motas de lado. Desde que vi há uns anos o filme da Emmanuelle, que não via uma ligação tão íntima entre sexo e tabaco.

Há coisas que eu nunca perceberei. O prazer de inalar alcatrão é uma delas. A maioria dos fumadores acham que o fumo no espaço público pode ser moderado em ambientes "sérios" - no trabalho, nas escolas, nos museus, nos cinemas, nos transportes públicos... Mas quando se trata de "lazer" a coisa muda de figura. O cigarro é "lazer". Por isso os cafés, restaurantes, bares e discotecas são feitos naturalmente para fumar. Naturalmente. Isso nunca será visto como uma violência colectiva pela maioria dos fumadores. Naturalmente.

Deixei de sair à noite há uns anos precisamente por causa do fedor a tabaco. E por causa de outra coisa importante: a música e o sexo. :)

Há coisas que eu nunca perceberei. A mística à volta do cigarrinho pós-coital é uma delas. É que - aqui me confesso - nunca me enrolei com uma fumadora. Acasos da vida.

Ainda posso falar das incoerências de discussões partidárias, onde discutindo-se acesamente assuntos como (ora deixa ver...) a ecologia ou serviço nacional de saúde, enchem-se durante horas, salas com fumo de tabaco, cagando literalmente em noções básicas de poluição, saúde pública e de bem estar colectivo. Triste. Patético.

Há alguns anos que não participo em reuniões dessas. Acasos da vida.

velho marco de correio
| marco de correio | casa dos avós | Trás-os-Montes | 2006 |