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terça-feira, outubro 16, 2007

Chega de Bois

A tarde foi maravilhosamente bem passada. Umas duas mil pessoas no meio de um descampado para verem as bestas pegadas. Ao contrário do que é habitual hoje em dia em qualquer sítio não andava por lá ninguém com máquinas digitais (nem outras).

Converso com os donos dos animais. Vêm de longe para ganhar meia dúzia de trocos. Percebo que se preocupam genuinamente com eles. A vida tem destas contradições.

Vou cruzando olhares e sorrisos com desconhecidos. A dada altura chamam-me. Perguntam-me para que jornal trabalho e se podem ficar com as fotografias. Explico que não há problema nenhum. O único problema é que são a preto e branco e não sei quando ficarão reveladas. Tudo bem.

Passado uns dias respondo a uma mensagem de correio electrónico:
«Quando falámos, não tinha percebido que gostavam de as publicar num artigo de jornal. Confesso que não é coisa que me agrade muito, porque as reportagens deveriam ser feitas por fotojornalistas e não por amadores ou por curiosos que trabalhem gratuitamente. A médio prazo isso prejudica-nos a todos enquanto cidadãos.»

Depois de conversar com alguns amigos, acabei por pedir simbolicamente 25€ por cada fotografia usada. Nunca mais recebi qualquer resposta. :)

quarta-feira, julho 18, 2007

A alternativa sustentável.

Em termos de entretenimento, estes gajos do PSD, com as suas crises sazonais, são uma excelente alternativa* à chamada "época de incêndios".

*Conquanto não sejam governo.

dois homens e uma carrinha

| carrinha de transportar os bois | Gondar | Amarante | Junho de 2007 |

sexta-feira, junho 22, 2007

A vida não tem uma interrupções. Sou uma moderna sala de cinema, sem intervalos de mim próprio.

chega de bois
| chega de bois | gondar | Amarante | Junho de 2007 |

segunda-feira, junho 18, 2007

A rapariga que falava todas as línguas.

Não era já motivo de surpresa. Conheceu búlgaros, polacos, ingleses, galegos da galiza, espanhois de outros sítios, portugueses dos açores, de lisboa e de outros sítios igualmente improváveis. Não a assustavam os encontros furtuitos na rua com chineses, indianos, paquistaneses, vietnamitas, congoleses, senegaleses, marroquinos, argentinos bebendo mate e índígenas equatorianos.

Com todos eles se entendia, como se ao mergulhar pela primeira vez nas águas limpas da caloura, um peixe babel se tivesse instalado no interior do seu canal auditivo.

Era muito mais simples que isso. Mas o mistério permaneceria por desvendar anos a fio.

o povo e o touro
| os guarda-sois, os cornos do touro, a sua língua e a fraga inerte | gondar | amarante | Junho 2007 |

domingo, junho 17, 2007

A televisão de alta definição

Quase sem rebuliço, foi lançado esta semana o primeiro serviço de televisão de alta definição em Portugal.

Durante muito tempo este serviço vai ser apresentado como um serviço de telefone, internet e televisão. Essa é a única maneira das pesssoas perceberem do que se trata e portanto é a única forma de o vender. Mas tecnologicamente não é nada disso. Ou melhor, é muito mais que isso.

A televisão foi a mais importante forma de comunicação. Quando o telejornal mudava de horário, a hora da refeição tinha que ser obrigatoriamente alterada lá em casa. Assim seria provavelmente em todas as casas.

Hoje, as televisões são pouco mais que supérfluas. Fazem algum sentido em conjunto, mas sem qualquer significado quando vistas isoladamente. Só assim poder-se-ia vender televisão por cabo. O que se vende é o zapping e a sua sensação de liberdade, mas o que se compra é uma enjoativa repetição de programas temáticos e a sua sensação de déjà vu.

Aliás, é um dos rudimentos da teoria da informação: quanto mais frequente é uma determinada "palavra", menos informação transporta.

A televisão está neste momento tecnologicamente ultrapassada. Não será mais do que uma curiosidade do século XX. Desde a semana passada que podemos ver canais de alta definição em casa, escolher os programas que queremos ver e à hora que o quisermos fazer, construir uma grelha de canais ao gosto de cada um, ter acesso a bibliotecas de filmes acessíveis a qualquer hora e a qualquer momento.

E evidentemente que tudo isto será ainda melhor quando o acesso for feito não por pares de cobre, mas directamente em fibra óptica (FITL - fiber in the loop). Vamos rapidamente deixar de falar em "Megas" para começar a falar na hierarquia SDH - todos com STM-1 em casa... Que maravilha. :)

O electrodoméstico "televisão" será apenas mais um dos terminais ligados a redes de dados - as mesmas de que é feita a internet. E são essas redes que mudarão a forma daquilo que são as nossas vidas. Ou melhor ainda, nós é que as mudaremos.

 quatro homens de cajado
| o mistério do cajado anão | amarante | junho de 2007 |