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quarta-feira, junho 09, 2010
sábado, agosto 22, 2009
quarta-feira, março 25, 2009
A propósito de um disparate.
terça-feira, outubro 16, 2007
Chega de Bois
A tarde foi maravilhosamente bem passada. Umas duas mil pessoas no meio de um descampado para verem as bestas pegadas. Ao contrário do que é habitual hoje em dia em qualquer sítio não andava por lá ninguém com máquinas digitais (nem outras).
Converso com os donos dos animais. Vêm de longe para ganhar meia dúzia de trocos. Percebo que se preocupam genuinamente com eles. A vida tem destas contradições.
Vou cruzando olhares e sorrisos com desconhecidos. A dada altura chamam-me. Perguntam-me para que jornal trabalho e se podem ficar com as fotografias. Explico que não há problema nenhum. O único problema é que são a preto e branco e não sei quando ficarão reveladas. Tudo bem.
Passado uns dias respondo a uma mensagem de correio electrónico:
«Quando falámos, não tinha percebido que gostavam de as publicar num artigo de jornal. Confesso que não é coisa que me agrade muito, porque as reportagens deveriam ser feitas por fotojornalistas e não por amadores ou por curiosos que trabalhem gratuitamente. A médio prazo isso prejudica-nos a todos enquanto cidadãos.»
Depois de conversar com alguns amigos, acabei por pedir simbolicamente 25€ por cada fotografia usada. Nunca mais recebi qualquer resposta. :)
Converso com os donos dos animais. Vêm de longe para ganhar meia dúzia de trocos. Percebo que se preocupam genuinamente com eles. A vida tem destas contradições.
Vou cruzando olhares e sorrisos com desconhecidos. A dada altura chamam-me. Perguntam-me para que jornal trabalho e se podem ficar com as fotografias. Explico que não há problema nenhum. O único problema é que são a preto e branco e não sei quando ficarão reveladas. Tudo bem.
Passado uns dias respondo a uma mensagem de correio electrónico:
«Quando falámos, não tinha percebido que gostavam de as publicar num artigo de jornal. Confesso que não é coisa que me agrade muito, porque as reportagens deveriam ser feitas por fotojornalistas e não por amadores ou por curiosos que trabalhem gratuitamente. A médio prazo isso prejudica-nos a todos enquanto cidadãos.»
Depois de conversar com alguns amigos, acabei por pedir simbolicamente 25€ por cada fotografia usada. Nunca mais recebi qualquer resposta. :)
terça-feira, outubro 02, 2007
Dia 7.1
Estou sentado sozinho no meio do aeroporto. Tenho nas mãos uma garrafa de água que devo acabar de beber antes de passar pelo controlo de segurança. Ao meu lado senta-se um homem. Senta-se e suspira. Olha para mim. Não ligo. Olha para mim de novo e pergunta-me: "Monsieur, vous parlez français?".
É Engenheiro Mecânico a estudar/trabalhar na Bulgária. Em cinco minutos conta-me como perdeu o avião para a Argélia. O autocarro que o trazia de Varna para o aeroporto atrasou-se e o próximo avião é dentro de uma semana.
Estava a dormir no aeroporto. Sem dinheiro para ficar alojado num hotel. Sem visto para o espaço Schengen que lhe permitisse encontrar alternativas nos grandes aeroportos do centro da Europa. Sem qualquer apoio da embaixada argelina. Na Argélia já era fim-de-semana. Na Europa o fim-de-semana começava amanhã. A máquina de fazer salsichas, que é a burocracia fronteiriça, triturou um homem por engano mas ninguém a pode desligar.
A meio da conversa pergunta-me se conheço alguém na embaixada portuguesa que o pudesse desenrascar. Estava calmo e não me pediu dinheiro. Isso faz-me hesitar e puxar pela carteira. Hesito, hesito e não puxo pela carteira. Sei que 20€ provavelmente o desenrascavam por dois dias.
Dirijo-me ao controlo de segurança. Ninguém saberá da história deste homem. Nem eu próprio me lembrarei dela daqui a uns tempos.
Penso: uma viagem acaba sempre em casa.
[carregar na fotografia abaixo]
É Engenheiro Mecânico a estudar/trabalhar na Bulgária. Em cinco minutos conta-me como perdeu o avião para a Argélia. O autocarro que o trazia de Varna para o aeroporto atrasou-se e o próximo avião é dentro de uma semana.
Estava a dormir no aeroporto. Sem dinheiro para ficar alojado num hotel. Sem visto para o espaço Schengen que lhe permitisse encontrar alternativas nos grandes aeroportos do centro da Europa. Sem qualquer apoio da embaixada argelina. Na Argélia já era fim-de-semana. Na Europa o fim-de-semana começava amanhã. A máquina de fazer salsichas, que é a burocracia fronteiriça, triturou um homem por engano mas ninguém a pode desligar.
A meio da conversa pergunta-me se conheço alguém na embaixada portuguesa que o pudesse desenrascar. Estava calmo e não me pediu dinheiro. Isso faz-me hesitar e puxar pela carteira. Hesito, hesito e não puxo pela carteira. Sei que 20€ provavelmente o desenrascavam por dois dias.
Dirijo-me ao controlo de segurança. Ninguém saberá da história deste homem. Nem eu próprio me lembrarei dela daqui a uns tempos.
Penso: uma viagem acaba sempre em casa.
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