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terça-feira, agosto 30, 2011


| aeroporto de sófia | abril 2011 |

sexta-feira, maio 20, 2011

Na busca do regresso

«Estas águas nascem junto do céu
Estes corpos são puros e sagrados
Trazem junto ao peito os dias luminosos
E aquecem os seus sonhos perto do mar.

Estas praias são feitas do regresso
Ao tempo em que o tempo já não se conta
Há arcos de luz acesos no olhar
Que deixamos no fundo da idade.»

Esta é uma citação de um álbum dos anos noventa que eu me fartei de ouvir com gosto. :)


| na mesma busca do regresso | aeroporto de sófia | maio 2011 |

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Dado (do verbo dar)

Ofereço uma cópia do livro publicado pelo FotoAlt, com o título "Ninguém", aos dois primeiros leitores/as a entrarem em contacto comigo.

Os livros estão atribuídos.



| sófia | bulgária | junho de 2007 |

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Desalfandegar uma encomenda.

[continuação do episódio anterior]

Sequência cronológica de acontecimentos.

*Descubro o balcão da Alfândega. Vazio [penso: estou com sorte.]. Lá atrás um homem levanta-se para me atender. Explica-me que antes devo dirigir-me aos serviços do aeroporto.

*Logo em frente estão os serviços da portway. Entrego a papelada que me deram na DHL, assino uns papéis e avanço confiante para a Alfândega.

*Não trouxe o cartão de contribuinte nem sei o número. Não tenho o comprovativo de pagamento do Paypal. O homem da Alfândega não é propriamente muito risonho, mas é bastante solícito. Pergunto-lhe se outra pessoa pode levantar a mercadoria por mim.
-Sim, mas diga então quanto pagou.
-Está aí na nota de encomenda o custo da mercadoria e dos portes, veja lá.
-Muito bem, vamos lá tratar disto. Como isto vem dos EUA ainda vá, se fosse chinês nada feito.
[ufff...]
-O que é que é?
-Uma camisa, roupa de bébé...
[interrompe-me ele antes que eu diga que comprei dois pares de cuecas de mulher. É uma pena. Era a minha oportunidade de lhe sacar um sorriso.]
-Vestuário, não é? Paga 12%.

*Sou chamado a um hangar onde me aparece o caixote que me é dirigido. Fico bastante surpreendido. O caixote é enorme. Estava à espera de um envelope. Lá se abre aquilo e confirma-se que dentro da enorme embalagem estavam meia dúzia de reles peças de roupa.

*Volto para a Alfândega. Entra um guarda fiscal que fala como se estivesse com uma carraspana tremenda. Fala entre dentes e com uma voz abafada. Não percebo patavina do que diz mas percebo que trata quem me atende por Sr. Dr. :|

*Recebo de volta mais uns papeis. Devo agora dirigir-me à tesouraria. Lá vou para o piso de cima. Descubro a tesouraria. Pago 25 euros e pouco. O troco que recebo é tirado de um mealheiro de lata. A fazenda pública tem o seu charme.

*Volto para o piso inferior. Entrego a prova de pagamento, recebo mais uns papeis. Devo agora dirigir-me de novo aos serviços aeroportuários.

*Penso que finalmente me será entregue a encomenda. Puro engano. Devo agora pagar mais 22 euros porque o caixote esteve "estacionado" no armazém 5 dias. Pago. Ainda não é desta que recebo o caixote.

*Devo agora dirigir-me a outro balcão. Entrego a papelada toda, assino mais um papel de não sei quê e zás: tenho nas mãos um caixote enorme (praticamente vazio!) que me custou 100€. :)

Estou chateado? Nem por isso. O que me custa mais é ter que me meter no carro e seguir em direcção ao centro. Detesto ir trabalhar de carro.

Curiosamente, estacionar o carro três horas no centro da cidade é tão barato como deixar um reles caixote pernoitar no armazém do aeroporto de pedras rubras...


| dos balcãs guardo boas recordações de portugal | sófia | junho de 2007 |

terça-feira, outubro 02, 2007

Dia 7.1

Estou sentado sozinho no meio do aeroporto. Tenho nas mãos uma garrafa de água que devo acabar de beber antes de passar pelo controlo de segurança. Ao meu lado senta-se um homem. Senta-se e suspira. Olha para mim. Não ligo. Olha para mim de novo e pergunta-me: "Monsieur, vous parlez français?".

É Engenheiro Mecânico a estudar/trabalhar na Bulgária. Em cinco minutos conta-me como perdeu o avião para a Argélia. O autocarro que o trazia de Varna para o aeroporto atrasou-se e o próximo avião é dentro de uma semana.

Estava a dormir no aeroporto. Sem dinheiro para ficar alojado num hotel. Sem visto para o espaço Schengen que lhe permitisse encontrar alternativas nos grandes aeroportos do centro da Europa. Sem qualquer apoio da embaixada argelina. Na Argélia já era fim-de-semana. Na Europa o fim-de-semana começava amanhã. A máquina de fazer salsichas, que é a burocracia fronteiriça, triturou um homem por engano mas ninguém a pode desligar.

A meio da conversa pergunta-me se conheço alguém na embaixada portuguesa que o pudesse desenrascar. Estava calmo e não me pediu dinheiro. Isso faz-me hesitar e puxar pela carteira. Hesito, hesito e não puxo pela carteira. Sei que 20€ provavelmente o desenrascavam por dois dias.

Dirijo-me ao controlo de segurança. Ninguém saberá da história deste homem. Nem eu próprio me lembrarei dela daqui a uns tempos.

Penso: uma viagem acaba sempre em casa.

[carregar na fotografia abaixo]

Dia 7.0

O conselho que deixo a quem quer que visite Sófia de automóvel: deixem o carro mal estacionado, de preferência num sítio central, numa grande avenida cheia de movimento. O mais natural é que o carro seja multado e bloqueado. A multa, escrita em cirílico, será completamente imperceptível. No entanto bastará ligar para o número de telefone para resolver o assunto. Em menos de 10 minutos o carro estará desbloqueado. A taxa de serviço é muito razoável: 5 euros.

O conselho que deixo a quem quer que visite Sófia de automóvel: não deixem o carro mal estacionado a duas horas de apanharem um avião.


| mercado | sófia | bulgária | junho 2007 |

Dia 6.3

O encanto do percurso de carro pela cordilheira do norte da Bulgária faz-me ranger os dentes contra a pressa. A pressa é uma merda.

Depois de tanta volta, chegados a Sófia ainda de dia, começo a redescobrir na cidade um encanto que me tinha passado desapercebido nas primeiras impressões.

De repente, longe das largas avenidas, pequenas ruelas percorridas pelos eléctricos, jardins onde se joga xadrez e num repente dou por mim com algum conforto a ouvir falar português no meio de um grupo de búlgaros.


| xadrez | sófia | bulgária | 2007 |

Jantamos no Gepeto, carne grelhada - claro -, saladas - claro - e iogurte - claro. É a última refeição quente. Sente-se o fim da festa.

É evidente que tenho vontade de voltar a casa, até porque as férias continuarão nas semanas seguintes, mas sinto algum pesar pelo fim destas férias em particular.


| teatro nacional ivan vazov | sófia | bulgária | 2007 |

sexta-feira, agosto 24, 2007

Dia 2.2

Era domingo no mundo. Tinhamos gente à nossa espera para jantar em Sofia. Contavam connosco a horas decentes. Eu não sei muito bem; a combinação não era comigo. De qualquer forma, à entrada de Sófia descobrimos aquilo que já sabiamos. Era domingo no mundo. Já estávamos atrasados, mais atrasados ficámos. Aos nossos olhos, a entrada rodoviária ao sul de Sófia, concentrava naquele momento muito mais que metade da população da cidade.

Estava muito calor. Suei muito é evidente. Mas naquela altura já só pensava em jantar e em conversar um pouco com quem nos convidava. Mas as donzelas que comigo estavam pensavam noutras coisas. Tinham acabado de tomar banho numa barragem ao sul de Sófia, depois de Samokov. Eu não os tinha acompanhado e, pela lógica, seria eu o mais necessitado de um banho. Nada disso. O chófer (eu próprio) teve que levar as donzelas respectivamente a casa e ao hotel.

Chegámos finalmente onde deviamos ter chegado duas horas antes. Quem nos esperava não estava com cara de muitos amigos. As explicações não convenceram. Como se poderia justificar o atraso com um banho tomado numa represa onde o lixo abunda nas margens e onde a água turva não inspira grande confiança...?


| banho domingueiro ao sul de sófia | entre samokov e sófia | bulgária | junho 2007 |

De Portugal trouxemos coisas para gostos diferentes. O último livro do Jorge Marmelo, uma bola e um boné da selecção. Ficaram em cima da mesa esquecidos no meio das conversas à volta de Portugal e da Bulgária. Fico a saber de viva voz como os vestígios da sociedade policial não desaparecem de um dia para o outro e de facto ainda não desapareceram. Nada que na verdade me surpreenda. Só alguém de má fé pode justificar um pintelho que seja do estalinismo.


| lembranças tremidas de portugal | sófia | bulgária |

domingo, agosto 19, 2007

Dia 1.5

Sempre que se viaje para oriente, é natural que um europeu se comece a sentir analfabeto no meio das ruas. Apesar de ainda estar na Europa, a Bulgária é o início do oriente. E eu, que sabia que ia conduzir, tratei de fazer bem o trabalho de casa e estudar o cirílico nos poucos tempos livres em que pude fazê-lo.

Não estava exactamente à espera de encontrar "Macdonald's" escrito em cirílico, tal como não esperava ver no Quebeque neons do "PFK". Pelo que percebo, na Bulgária toda a gente domina os dois alfabetos e, com a integração europeia, muitas das coisas aparecem escritas lado a lado na forma latina e na forma cirílica. A situação deve ser muito mais divertida na Ucrânia ou, evidentemente, na Rússia.


| americanices | sófia | junho de 2007 |

O P. chega nessa noite vindo de Portugal. No restaurante, às onze e meia da noite, depois de olhar para a lapela da empregada pede-me para ler o seu nome. Eu pareço uma criança de sete anos a soletrar as letras, mas acaba por me sair qualquer coisa com sentido: "Svetlana". Mas mais gozo ainda tinha eu ao ver as placas que marcavam Atenas, Skopie e Belgrado. Deixam-me um nervoso miudinho na ponta dos dedos.

Ponho-me a pensar que talvez seja melhor avisá-los: se um dia de manhã eu e o carro tivermos desaparecidos talvez seja melhor avisar directamente a polícia sérvia. Num ataque de sonambulismo (pelo menos seria esta a minha desculpa) tinha fugido para Nis...


| kulata - skopie - atina - kalotina - belgrad | sófia | junho 2007 |

sexta-feira, agosto 17, 2007

Dia 1.4

O protagonista do livro do Houellebecq não precisaria de ter ido até à Tailândia ou à América do Sul para ilustrar os paraísos do turismo sexual. No meio da rua, um engravatado mete conversa da forma mais imbecil e óbvia: pergunta-nos as horas. Já em Havana toda a gente me perguntava as horas a qualquer momento e em qualquer circunstância…

Não posso censurar o alcoviteiro. Ao longo da nossa viagem outros pensaram o mesmo. Três homens em viagem a sós pela Bulgária, só podem estar à procura de sexo. E muito. Não era bem o caso.

Em menos de três tempos tinha na minha mão um cartão com todas as informações úteis: um número de telefone, os preços e a garantia de controlo médico. Rimo-nos como uns perdidos ao ver que nos era proposta uma modalidade “non-stop”. A verdade é que uma mulher que nos fizesse estar acordados uma noite inteira não teria preço... Ultimamente, só uma tem essa capacidade e isso não tem nada a ver com sexo.


| o cartão non-stop | sófia | junho de 2007 |


Guardo o cartão na carteira e começo a deixar de reparar nas mini-saias que por mim passam a toda a hora. Não há mulheres vestidas com calças e muitas das jovens búlgaras são além de espampanantes, efectivamente muito bonitas. Penso na tragédia que é levar uma vida casta numa cidade como Sófia. Os níveis de hormonas no sangue podem atingir níveis tóxicos com facilidade. Lembro-me do Al Pacino no advogado do diabo: «Olha mas não toques. Toca mas não proves. Prova mas não engulas.»

Assisto pelo caminho a dois casamentos. Uma cerimónia religiosa ortodoxa, onde os noivos divertidos sorriem abertamente para um padrinho desajeitado que tem que trocar várias vezes coroas sobra as suas cabeças. Ao contrário das cerimónias católicas, os convidados parecem descontraídos e os sorrisos surgem com grande naturalidade.

Uma outra cerimónia no jardim do hotel, onde os convidados dançam música tradicional ao longo da piscina. Lembro-me do Emir Kusturika e percebo como, apesar de tudo, deve ser relativamente fácil recriar aqueles personagens.


| a moda búlgara | sófia | junho de 2007 |

quarta-feira, agosto 15, 2007

Dia 1.3

Este post, ao contrário do que é habitual tem duas fotografias. Os anteriores também tinham, mas não era tão óbvio. ;)

Comecei a sentir isto pela primeira vez no Canadá. "Isto" o quê? Bom "isto" de achar que já há pouca coisa que se possa encontrar numa cidade que possa genuinamente surpreender ou encantar. É pedante bem sei... E já se está mesmo a adivinhar: agora o gajo vai-se pôr a enumerar todas as cidades que já visitou como quem mostra o pescoço carregado com as joias da família.

Não é que não me surpreenda com uma viagem - continua a ser das coisas que adoro fazer - mas o que eu procuro sou coisas menos retratáveis em fotografia. O mais certo é que os bons momentos que se passam, nem sempre possam ser retratados. As máquinas fotográficas são só acessórios, de vez em quando também convém pousa-las...

Tudo isto para dizer que passear em Sófia pela primeira vez foi uma coisa que me agradou, mas não me surpreendeu. Gosto de descobrir as cidades a pé e calmamente. Visito uma loja de material fotográfico usado. Até aqui as russas Lomo estão inflaccionadas. O homem pede-me 80 lev (40€) e explica-me que a grande angular é muito boa. Sorrio maldicentemente. O nome da máquina nem sequer está escrito em cirílico...

Noutro pólo da Universidade mais uma surpresa. Num cubículo de 36m2 amontoam-se livros por mais de 2 metros de altura. O velho livreiro sabe onde está cada um deles e tenta vender-me literatura búlgara do séc.XX em francês. Teria mais sorte que o outro com a Lomo, mas não me apanhou para aí virado.

Ao passar em frente à igreja em memória de Aleksander Nevski, encontro um elfo no jardim. Explico-lhe que para fazer o meu postal, preciso que passe em frente à igreja um trabant isolado, sem qualquer outro carro ou pessoa. Ele pisca-me o olho. Espero menos de 3 minutos, disparo e continuo o meu caminho.


| igreja aleksander nevski | sófia | bulgária | junho 2007 |


Em frente à sede do governo, anterior sede do partido comunista, ostentam-se as bandeiras dos países membros da Otan. Depois de seguidora canina da política de Moscovo, a Bulgária apressa-se agora a lamber as mãos ao novo dono. Os dirigentes búlgaros parecem ser alunos marrões que engraxam os professores o mais que podem, mas são incapazes de perceber o que quer que seja da matéria dada.


| sede do governo | sófia | bulgária | junho 2007 |

terça-feira, agosto 14, 2007

Dia 1.2

Cada vez mais a gastronomia é igual em todo o lado, pelo que sinto alguma ânsia em conseguir apreciar as esquisitices locais. Aquilo que os camones chamam de "international food" não é mais do que a normalização de uma série de pratos -iguais por todo o lado - que assim podem ser facilmente interpretados para serem vendidos, de preferência com os menus em inglês.

É com uma mistura de ânsia e boa disposição que me disponho a entrar nos restaurantes mais improváveis para turistas. Como tinha companhia com experiência, não tive sequer que me dedicar a saber o que havia de pedir. Na Bulgária come-se carne. E não há peixe nos menus. Aliás essa coisa de comer peixe é mania de português...

Nos balcãs comem-se muitos grelhados, boas saladas (sem azeite, o que entristece um pouco) e acompanha-se tudo com айрян, um iogurte líquido, levemente salgado que sabe maravilhosamente bem em dias de calor.

Enquanto nos lambuzávamos, o S. repetia sorridente: «adoro os balcãs!». Eu apanhei-lhe o tique.


| айрян | ayran | sófia | bulgária | junho 2007 |

Dia 1.1

Eu sabia que ele não fotografava há anos. Desde que a mãe tinha morrido, não parecia haver ninguém capaz de olhar para aquilo que os olhos dele viam pelo mundo fora. Nem sequer ele próprio.

Eu trouxe-lhe uma máquina fotográfica nova - digital. O dia não é o melhor. O sol está demasiado forte. Ainda assim deve até haver quem goste. Vejo-o a apontar a máquina. É como se o mundo fosse um corpo de um cão caído ao lado da estrada, de quem ele se aproxima, e a quem dá, a medo, pequenos toques com o pé. Primeiro uma estátua, depois um monumento, finalmente vejo-o a fotografar de longe alguém.

Ele diz que não gosta de incomodar. Eu digo-lhe que não pode fotografar pessoas sem que elas saibam que estão a ser fotografadas. Pondero pegar na grande angular e fotografar quem ele fotografou. Olho duas ou três vezes... não me inspira.

Passeamos pelo jardim até ao monumento aos partisans. Todo vandalizado. Alguém desarmou os soldados de metal. Ninguém tolera por aqui qualquer vestígio do poder estalinista. Bem vistas as coisas, fazem bem.



| monte dos irmãos | sófia | bulgária |junho 2007

segunda-feira, agosto 13, 2007

Dia 1.0

Ao acordar olho para cima da montanha: Vitosha. É uma imagem a que não estou habituado. Posso jurar que aquilo não estava ali ontem à noite. Que paisagem tutelar...

Vamos embora: banho e pequeno almoço.

Misturo as primeiras impressões da cidade com as impressões do clube diplomático que me alberga. Tenho o prato do pequeno almoço cheio de coisas sem nexo. Demasiado queijo, demasiado fiambre, imenso tomate. Servem-me quase por favor uma chávena de leite. O pão é duro e está queimado, supostamente torrado... Estou albergado num sítio para novos ricos.

Enfrento sozinho o trânsito de entrada na cidade. Admiro o belíssimo parque automóvel e a omnipresente montanha de Vitosha. Agora sim, começam as férias.

Visito um dos pólos da universidade. As salas são minúsculas, pouco maiores do que arrecadações. O mobiliário é velho; o edifício também. As salas são minúsculas - estou a repetir-me, mas não concebo uma aula num sítio semelhante.

A primeira água do dia é tomada no meio do bairro ali perto. Sinto que quase podia estar no bairro do Outeiro. Não, não... estou demasiado longe de casa. Ao meu lado passa a primeira carroça com ciganos. Design romeno. As coisas idiotas que se pensam e se escrevem...


| унгарска филология | ungarska filologuia | sófia | junho 2007 |

quarta-feira, agosto 08, 2007

Dia 0.1

Aterrei de noite no aeroporto de Sófia. Onze e tal da noite. O estômago enganado pela comida rasca que é distribuída no avião. Desejava duas coisas: conversar com o doido do S. um bom bocado e comer qualquer coisa digna do nome de refeição.

Entretanto pensava nas minhas outras viagens para leste. Pensei várias vezes nos subúrbios de Praga e nos seus eléctricos, nos edifícios das grandes avenidas de Bucareste, nas planícies da Hungria, na costa Croata... às vezes é melhor viajar sem quaisquer referências e deixar que a surpresa tome conta de nós.

Primeira surpresa: a Bulgária não faz parte do espaço Schengen. Oito cabines com polícia de fronteira a aviarem um avião inteiro. Mais uma fila. Como sempre, a minha fotografia barbuda do passaporte, faz com que olhem para mim meia dúzia de vezes antes de me agradecerem qualquer coisa que eu não sei bem o que é. Thank you para ti também e não me chateies mais - pensei.

Ainda tenho tempo de ver que os tapetes de bagagem são fabricados pela Efacec. Até que finalmente saio porta fora. Ahhhhhh!!!!

Um calor tremendo. Onze da noite e a temperatura a rondar os 30ºC. Um aperto forte nos ossos do S. que se ri de mim por viajar de calças e casaco.

Alugar o carro e ala para o centro de Sófia. Vamos comer e conversar. O S. não mudou nada. Ainda bem. Só por isso a viagem já teria valido a pena.

Fico com a sensação agradável que as placas em cirílico não são o chinês que imaginei que pudessem ser. Consigo soletrar as palavras. O mesmo não pode dizer o polícia que me faz parar numa operação stop no regresso ao hotel às duas da matina. Olha para o meu bilhete de identidade e percebo que não faz puto ideia daquilo que está a ver. Chama os outros dois bófias. Ao fim de alguns olhares em silêncio, mandam-nos seguir. Concluiram que não represento perigo para a segurança do estado. Esqueceram-se de ver as toneladas de explosivos de fabrico doméstico dentro dos rolos fotográficos.


| S. | restaurante 24h | sófia | bulgária | junho 2007 |

sábado, junho 30, 2007

Em trânsito.

O mais curioso nas viagens de avião é ver como os executivos de topo têm uma natural facilidade em se transformarem em vulgares bagageiros.

avião no aeroporto de Sófia
| Летище София | Sófia | Junho de 2007 |