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terça-feira, maio 11, 2010

A menina de rosa num cavalo branco-leite.

Um palco de fundo preto. Um projector ligado a um computador portátil. Um tele-comando nas mãos. Roupa preta, saia pelo joelho, collants vermelhos, cabelos sem produção particular. Bem-vindos ao mundo de uma mulher normal. Disse normal? Excepcional.

Goeie avond! Bon soir! Um sorriso aberto para o público. Uma conversa genuína, tanto quanto a distância do palco o permita. Sem qualquer guião, uma explicação para cada música, para cada poeta, para cada fotografia. Se a guitarra toca no microfone, um sorriso ao causador do acidente e um comentário imediato. Promessas de morte ao guitarrista que na verdade parecem promessas de cama. As luzes sofisticadas, direccionais, piscam, dançam, percorrem os corpos, cruzam os ares. Nã nã nã... Logo no início de outra música: será que podem desligar isto? Pois é, parece que isto não é um festival de pirotecnia.

E a meio de mais uma conversa, o computador que anuncia a falta de bateria. Chamam-se as embaixadas, evita-se a crise internacional. Alguém tem uma bateria para um MacBook no bolso? Não? Não se procuram explicações. Não há explicações. Há ainda tempo para aprender a dizer caralho em siciliano. Eu não aprendi, confesso. Minga, mintza, algo assim. Poderia parecer inteligente e fazer uma pesquisa no google, mas longe de mim ser um gajo perfeito. E ao fim de 5 curtos e bem passados minutos, há que ondular os dedos em direcção à sala e com voz cavernosa anunciar o esquecimento de todo o sucedido. Os efeitos são imediatos. Depois do tempo passado entre sorrisos, o silêncio torna-se absoluto.

Continua-se à volta da infância, dos poetas esquecidos da língua inglesa, de um mundo onde as letras que se cantam têm tantos anos que não têm direitos de autor. E quase no final chega uma música de um poeta inglês que trata da morte e da meninice. O choro toma conta dela. Há que virar costas ao público, esperar uns segundos, sair de cena. Duas guitarras ficam sós e repetem a melodia. Ao fim de longos acordes, regressa-se. A voz treme mas a música é cantada até ao fim. Por fim, pedem-se lenços ao público. A sorte é melhor do que em relação às baterias de computador. Um basta, um só basta, não tenciono voltar a chorar esta noite. Isto não é um espectáculo, são apenas pessoas num palco. Normais? Em certo sentido sim, em certo sentido não. As pessoas perfeitas são muito chatas.

No final, para os chatos que, como eu, ainda tinham curiosidade em ver passear pelo palco as antiguidades, volta-se para um encore. Não necessariamente por esta ordem, seguem-se Carnival, Motherland (com diversos improvisos e bitaites mandos à BP), Kind and Generous (muita palhaçada antes de começar a cantar, simulações de esquecimentos da letra - “her greatest hit and she couldn't fuckin' remember the words”, citei - um telemóvel roubado ao público, ameaças de ligar a uma série de gente, uma tentativa frustrada de ligar ao colega de trabalho de alguém e muitas fotos tiradas à primeira linha do público. E agora está na altura de fechar este parênteses.), Break Your Heart, Tell Your Self (improvisos... bocas ao mundo da beleza anoréctica dominante) e uma música final cantada à capella, com um aceno cheerio e pedidos ao pessoal para ir abandonando a sala. Isso é que era bom! Apesar de ainda nem serem onze da noite, os belgas já deviam estar na caminha há muito e a coisa ficou por ali.

Guardo o bilhete. Sei que sou desleixado e como tantos outros bilhetes, ficará no fundo de uma gaveta onde apenas para mim terá algum resto de valor... Um bilhete para um momento irrepetível que vale cada grama do seu peso em cocaína da mais pura – que é coisa que eu imagino que deva ser muito cara. Mas drogas nunca foi o meu forte.

Gravem-se os concertos, cristalizem tiques, remisture-se o som, escondam-se os defeitos, aspire-se à perfeição, registem-se direitos de autor, arquivem-se DVDs em prateleiras para que possam apanhar pó. Sejamos pessoas chatas.

Ou faça-se a coisa como deve ser bem feita.


«Don't spread the discontent
Don't spread the lies
Don't make the same mistakes
With your own life»

Natalie Merchant


| luxemburgo | fevereiro | 2010|

sábado, novembro 07, 2009

quinta-feira, outubro 08, 2009

quarta-feira, outubro 07, 2009

Vou olhando para algumas das fotografias e vou-me lembrando muitas vezes dos Smiths. Sonhadores e sonhadoras, "a vicar in a tutu".



| a potencial casa do padre de saia aos folhinhos | wells |junho 2009 |

segunda-feira, outubro 06, 2008

Querida Deolinda...

O que se segue é pura ficção. A realidade é que comprei o disco da Deolinda. E que bela surpresa. Corram, corram...

Querida Deolinda,
os dedos tremeram-me. Na verdade, os dedos tremem-me. Comecei por escrever-te esta carta uma dúzia de vezes. Umas tantas vezes fechei o Eudora e desliguei rapidamente o computador que o meu tio que é professor deixou cá em casa. É um computador velho e como imaginas demora muito tempo a desligar. Enquanto esperava, logo ficava nervoso e com vontade de o voltar a ligar para que te pudesse finalmente escrever. Mas como sabes, os dedos tremiam-me e voltava a desliga-lo.

Quero que saibas que nunca conseguirei viver aí na cidade. Há muito barulho e nunca se pode andar descansado pela rua fora. Quando éramos miúdos gostava de vos visitar sempre. Havia sempre muita luz de noite, bolachas boas e refrescos de laranja.

Não sei como conseguiria viver sem o cheiro da carqueja a arder logo pela manhã... Bem sei que achas que por aqui somos todos brutos. Eu não sei que te diga. Os dedos tremem-me.

E mesmo que me achas um bruto, digo-te que o que me atormenta todas as noites. Penso nos filhos lindos que teríamos se um dia eu conseguisse que o teu coração voltasse para mim.

Nas noites frias poderíamos olhar abraçados para o céu à porta de casa.
No verão dançaríamos até cair em frente ao adro.
Ao Domingo mataríamos um galo para as visitas.
Haveria sempre presunto e queijo na mesa.
Poderíamos desligar de vez esta merda deste computador.

Querida Deolinda, tremem-me os dedos porque penso nos teus lábios. Ao fim da tarde, lá do cimo do monte, olho para as nuvens e começo a cantarolar. Como se isso me bastasse...


| VCI | Porto | 2007 |

quarta-feira, maio 23, 2007

This blog went geek

Um dos grandes problemas que se me apresentam é o de passar os streams .wma para .mp3 Em particular o Coyote que não tem um podcast digno de nome, mas enfim... Outros programas têm o mesmo problema e é preciso comê-los de cebolada.

A questão é que nem que não tivesse o velhinho leitor de mp3 que tenho, não me parece que fosse possível ligar outro leitor à internet durante a viagem de eléctrico, ou melhor de metro, para assim ouvir o stream.

Como se resolve a coisa:
-descarregar e instalar o Audacity.
-pôr o dito cujo a funcionar e começar a gravar.
-imediatamente a seguir, executar o dito stream, com o windows media player, quicktime ou com o que for.
-no fim do programa, parar a gravação no audacity e gravar o mp3 no disco.

Problema principal:
a gravação dura o tempo efectivo do programa... o que nalguns casos pode significar deixar a coisa a correr mais de uma hora. :|

Para passar outros codecs (que não streams) para mp3: O mediacoder resolve tudo.

O blogue voltará em breve à sua normalidade introspectiva.

tocadores de metais
| Xinzo de Limia | carnaval | Fevereiro de 2007 |

domingo, abril 29, 2007

De lá para cá.

Os últimos anos deram aos portugueses o re-achamento do Brasil sob a forma de packs de viagens para os hotéis baratos do Ceará.

A música faz o trajecto inverso. Vem do Brasil para a Europa. Três vedetas ensaiam quase simultaneamente o exercício. Maria de Medeiros, Teresa Salgueiro e a Maria João.

Duas notas e uma metáfora.

Não sei quem disse à Maria de Medeiros que ela cantava bem e, se alguém o fez, como é que ela acreditou.

A Teresa Salgueiro fez um disco que nem é europeu nem sul americano. A voz é, como sempre, bonita, mas não tem a ginga brasileira. Não diria que ela foi até à praia de fato de banho completo, mas ouve-se perfeitamente que nunca ela vestirá fio dental.

A Maria João é... bom... dos três, este é o disco que vale a pena ouvir.

;)


| Palatul Parlamentului | Palácio do Parlamento | Bucareste | Maio de 2005 |