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sexta-feira, abril 17, 2015

Telescola em directo para o Parlamento

Luís Montenegro, radiante, explicava há pouco, metendo os pés pelas mãos, algo que deveria ser surpreendentemente simples para uma criança de 11 anos.

Diz o seguinte, o líder da bancada parlamentar do PSD, que é um dos esclarecidos dirigentes deste país:

"Nós agora temos um programa onde está previsto (...) que em 2016 a nossa economia vai crescer 1,6%, em 2017 vai crescer 2%, em 2018 e 2019 vai crescer 2,4%. Isto significa que em 4 anos temos uma projecção de crescimento de 8,4% do nosso produto." (ao minuto 05:25)

Eu ouvi isto em directo (obrigado TSF) e não pude acreditar naquilo que ouvia. Estou certo que devo ter sido uma das quatro ou cinco pessoas deste país a ficar incrédulo. E não me admira que o país esteja como está, com este tipo de apreciação da realidade.

Estou a imaginar-me a dever dinheiro a este senhor. Seria uma maravilha. Ora vejamos. Ele empresta-me 100.000€ a uma taxa de juro de 5% ao ano. Eu digo-lhe então:
-Sr. Luís Montenegro, daqui a 4 anos, pago-lhe 20% de juros, logo 120.000€. É isso não é?
-Está certíssimo Sr. JoaoLuc!

Em resultado da capacidade de cálculo do nosso líder parlamentar, ficaria a ganhar com esta manobra mais de 1.500€.

Este tipo de analfabetismo é muito grave. Vejamos o que acontece sempre que se discute p.ex. o aumento dos salários. Analisemos a hipótese de alguém que teve o salário congelado durante 4 anos.

Se a taxa de inflação média for de 3,5%/ano, qual é a perda efectiva de poder de compra? 14% responderá Luís Montenegro ou um sindicalista mais distraído. Aumentamos os salários 14% e ficamos quites, ok? E lá iam 0,75% de poder de compra para o espaço (mais de 100€/ano, num salário de 1000€).

Bem sei: tudo isto é mais chato que uma emissão da telescola e muito menos interessante que um gatinho do facebook. Eu próprio já estou a precisar de um café. Cheguei a pensar fazer isto com juros de empréstimos entre amigos e apartamentos comprados a crédito em Paris, mas dava imenso trabalho e alguém ainda podia levar a mal. Alegadamente.


|entre a STIB e uma galeria comercial ou vice-versa | bruxelas | 2015 |

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Bom, talvez não seja bem assim...

Era aos domingos de manhã, quando ainda estava frio e o silêncio da aldeia era apenas cortado pelo soar dos sinos, que a minha avó entrava pelos quartos dentro, zangada e furiosa contra mim, a minha irmã e os meus primos. A razão para semelhante bulha era muito simples: daí a 15 minutos havia missa e ninguém estava ainda pronto e a bater a continência. Lembro-me que a segunda razão para bulha, tinha a ver com o facto de se tomar o pequeno-almoço. A missa era para ser apreciada em jejum e o facto de se aconchegar o estômago com pão torrado e leite morno tornava a mais pequena criança num vil pecador. Desta história tirei várias conclusões mas uma é muito simples: quando se impõe alguma coisa a alguém recorrendo apenas à força física, os resultados imediatos podem aparecer mas a longo prazo serão provavelmente de sentido contrário.

Há muitos anos atrás, a escola inteira ficou em pé de guerra. Todos deveríamos munir-nos de uns toscos óculos azuis e vermelhos (que sempre me fizeram lembrar o plástico envolvente do queijo flamengo) para poder ver o monstro da lagoa negra a três dimensões. Em menos de nada, recorrendo a um objecto tão trivial, todas as salas do país iriam transformar-se no mais puro ambiente de ficção científica. Todos seríamos transportados 100 anos para o futuro. Os nossos tubos de raios catódicos iriam deixar-nos a um pequeno passo da video-conferência tridimensional, do tele-transporte ou doutra coisa qualquer que a imaginação permitisse. A transmissão do filme deve ter tido tanta audiência como o final do Roque Santeiro. No entanto nada daquilo funcionava como anunciado. As três dimensões não apareceram em lado nenhum, o filme era um pouco menos que miserável, toda a experiência se resumiu a uma mobilização social grotesca cujo único resultado foi a venda de óculos de papel com plástico azul e vermelho sem qualquer utilidade. Mas desta história tirei várias conclusões, uma das quais muito simples: quando anunciam coisas que vão para lá do que é evidente e razoável, o mais provável é ser uma aldrabice.

Podia juntar as duas histórias para falar de ateísmo e essa associação seria até óbvia, mas não, não é isso.
Eu quero juntar as duas histórias para falar da Grécia. Já falei. É, é apenas isto.


| parque do woluwe | bruxelas | fevereiro de 2012 |

quinta-feira, outubro 27, 2011

segunda-feira, março 28, 2011

Aos poucos habituamo-nos a viver sós. Um pouco como o alcoólico que bebe sempre um pouco mais e não se apercebe da sua ebriedade.

Ao aperceber-se do quão torpe é, certo dia é tomado pela consciência da sua situação. Invadem-no dois sentimentos: a culpa e o desejo.

Para mim são um e um só. Infelizmente, acrescento.


| tervuren | bélgica | março 2011 |

terça-feira, outubro 12, 2010

A decadência de um fotógrafo mede-se pelo número de pôr-de-sois que fotografa... :/


| ainda virado a oeste |bruxelas | outubro 2010 |

sexta-feira, setembro 17, 2010

O sentido da vida

Esta manhã, voltei à escola primária e aos ditados. Perguntaram-me qual era o aspecto mais importante da minha identidade. Não faço a mínima ideia.

Mas isso não me incomoda: tenho um bilhete com a identidade ali na carteira e posso ir lá ver sempre que tiver dúvidas...


| jantar a dois | liège | setembro 2010 |