Mostrar mensagens com a etiqueta coração aberto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta coração aberto. Mostrar todas as mensagens

domingo, agosto 07, 2011

Frio.


| roll down | gare central | bruxelas | agosto 2011 |

terça-feira, maio 31, 2011

Viver sem viver.

«Morrer sem cheirar mal», de Leandro Ribeiro.

«Morrer sem uma mancha nos pulmões, a próstata impecável, o esmalte dos dentes perfeito.
Morrer sem alguma vez um problema gástrico, a tensão arterial nem muito alta nem muito baixa.
Morrer com as mesmas lágrimas com que nasceu.
Morrer e a pele sem um pedacinho rasgado, rompido, queimado.
Morrer sem ter traído.
Morrer sem ter desiludido.
Devolver todos os livros à biblioteca, entregar todos os relatórios atempadamente.
Nunca se enganar nas contas.
Comer peixe todos os dias, comer sopa a todas as refeições, um prato de carne uma vez por semana, um copo de vinho quando sair com os amigos, um bolo de vez em quando.
Viajar com interesse, nunca se perder, esgotar a literatura sobre o país visitado.
Morrer sem ter perdido tempo.
Morrer sem ter perdido um comboio.
Perguntar sempre.
Aos sessenta correr, andar de bicicleta, caminhar junto ao rio.
Morrer com todos os cabelos, a cabeça um orgulho de fios brancos.
Ler poesia.
Ler os clássicos.
Ler o jornal todos os dias.
Não importa se reza ou não reza, mas dar-se aos outros.
Aprender um ou dois instrumentos musicais e praticá-los ao metrónomo.
Nunca esquecer o aniversário dos filhos, nunca esquecer o aniversário dos netos.
Morrer não muito tarde, quando já pesa, não muito cedo, quando faz falta.
Morrer na altura certa.
Morrer e saber a quem deixar o quê.
As unhas bem aparadas, os pelos das narinas, das orelhas.
Morrer e nunca ter perdido uma noite de sono.
Dormir oito horas.
Morrer e nem um inimigo para lhe aplaudir a morte.
Morrer desconhecedor do sabor de prozac ou ginsana ou vitaminas.
Aos oitenta escrever as memórias e dedicá-las à mulher de toda a vida.
Ter as memórias lúcidas aos oitenta.
A roupa nunca acumula no cesto.
A roupa nunca uma ruga quando no corpo.
A roupa nunca uma mancha.
Viver sem cheirar mal.
Morrer sem cheirar mal.»


| porto | maio 2011 |

quarta-feira, março 09, 2011

Um dia virei aqui escrever um texto sobre a felicidade. Sei que não virei. Mas este é, apesar disso, um texto sobre a felicidade.


| vector3_u | espaço_alt | porto | janeiro 2011 |

terça-feira, janeiro 06, 2009

Princípios Simples XXX

Amanhã estaremos todos mortos.

Excepto em Gaza; morrerão já hoje.


| ele e ela | ali para o lado norte | dezembro de 2008 |

segunda-feira, novembro 24, 2008

quarta-feira, novembro 12, 2008

A vida é um milagre.

Título roubado a Emir Kusturica.

Sentados os dois no sofá. Eu e ela. Ela lá acalmou um pouco. Pedi-lhe para esperar e fui buscar um livro. Ao olharmos para uma fotografia do nascer da Terra, a partir da Lua, insistiu comigo: «A Lua e a praia». Óbvio.


| vinhais | outubro 2008 |

quinta-feira, novembro 06, 2008

Conclusão matinal.

Um bom pai é apenas um pouco mais que um bom artista de variedades.

Photobucket
| mata da serreta | terceira | açores |

terça-feira, outubro 14, 2008

A América que admiro.

John Kifner no seu ensaio publicado na dispatches, relata a sua experiência no Afeganistão, aquando da invasão soviética:
«Along the way we met an old man who told us how terrible it was when communists came to his village.
I asked what they did, expecting a tale of atrocities.
"They tried to teach everybody to read," he said. " Even the women and the old men."
That's awful, I agreed politely. What did you do?
"Well, of course, we killed them all," he said. "Would you like to see their bones?"»

E conclui mais adiante sobre o papel do seu país no Iraque:
«When the British general Stanley Maude entered Baghdad in triumph in 1917 he declared to the Iraquis: "Our armies do not come into your cities as conquerors or enemies, but as liberators." Pretty soon the tribes were in an insurgency, kidnapping and killing British officers. Pioneering new technology, the Bristish bombed them from the air. They held an electoral referendum for their chosen king and declared he had gotten virtually all the votes.

Sound familiar?»


| gajas | março 2008 |

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Sobre a insignificância.

A verdade é que ao fim de tantos anos, nunca recebi qualquer financiamento ilegal. A importância de alguém deve ser inversamente proporcional à rectidão dos seus princípios. É uma teoria apenas.



| janeiro 2008 |

terça-feira, abril 24, 2007

Arrumar a casa

Isto de mexer nas ligações do blogue é cada vez mais complicado. Sobretudo porque desde há uns tempos para cá só uso o sharpreader para ler os blogues que me interessam. Só esporadicamente é que uso o browser para ler seja o que for.

De qualquer forma, acho que "parecia mal" (adoro esta expressão) não ter uma série de ligações decentes, sobretudo para outros blogs de fotografia. Já tinha ali os "sexymodafocas" que também metem fotos pelo meio, mas agora há uma categoria só para isso. Uhuh!

Ali do lado esquerdo vão encontrar coisas bem fixolas, mas acho que é de dar as boas vindas particularmente ao Farrolas e ao Luis Duarte. Tenho as minhas expectativas lá em cima.

Arrumei as minhas leituras com mais alguns blogues que, por razões bem variadas, já lia há alguns tempos.

E cumprindo um sonho da puberdade deste blogue, denotando uma subtil misogenia, criei uma categoria chamada "gajas!". Confesso que era um sonho de infância.

O que é que me falta? Muita coisa, para dizer a verdade. Para qualquer uma das categorias. Aliás tenho cada vez menos tempo para deambular de blogue em blogue e tenho a certeza, que bem escondidinhos, há por aí coisas do arco da velha. Sugestões?

Criança recém-nascida dentro de incubadora em sessão de fototerapia
| The PG project | Porto | Dezembro de 2005 |

domingo, abril 22, 2007

Jusqu'ici tout va bien

«C'est l'histoire d'une société qui tombe et qui, au fur et à mesure de sa chute se répète pour se rassurer : "Jusqu'ici tout va bien, jusqu'ici tout va bien, jusqu'ici tout va bien." Mais ce qui compte c'est pas la chute. C'est l'atterrissage.»

Conheci o Olivier em 1998. Eu estava de passagem por França, a caminho de uma licenciatura em (deverei dizê-lo?) Engenharia. Na altura vivia apaixonado pelo filme do Kassovitz: «O ódio».

Evidentemente essa paixão não me toldava a razão. Tinha algum receio, até porque me dirigia para uma das zonas com maior taxa de criminalidade da Europa. Nos primeiros dias tremia de cada vez que me pediam "une clope" no RER.

Lembro-me que a sua companheira da altura era brasileira e por isso falava razoavelmente bem português. Ele fazia parte dentro da LCR da tendência R. Uma noite, depois de um jantar mais tardio, em vez de me meter no RER para casa, acabei por ficar em casa dele.

A tendência R, mudou entretanto. Fundiu-se, cindiu-se, extinguiu-se não faço ideia. Já desisti há muito de compreender as idiossincrassias obscuras das tendências trotsquistas. De qualquer maneira devem ter dado a volta ao velhinho Alain Krivine e o Olivier foi hoje candidato presidencial pela segunda vez. Em Portugal, por um preceito constitucional bastante cretino (artigo 122), não poderia sê-lo.

Já lá vão nove anos (e não sete meses, como poderiam ser tentados a pensar). Não posso deixar de sorrir ao ver como aquele gajo, sem deixar de ser carteiro, sem nunca se dedicar profissionalmente à política, acaba de arrumar a candidata comunista e mesmo a decana Arlette Laguiller - essa sim, o verdadeiro postal da política francesa.

Dos tempos que lá passei guardo óptimas memórias. De vez em quando ainda me sai um palavrão em francês - como se fosse eu próprio o Merovingian.

Mas o melhor de tudo é mesmo um cd que ali tenho na gaveta. Ponham-no a tocar no dia do meu funeral.

Mas se não quiserem esperar. Podem ouvir já uma amostra. Com um brinde ao Olivier.

Quadro em lousa, segurado pela mão em frente a uma parede verde e azul, onde se pode ler: 7 meses
| Jusqu'ici tout va bien | 22 de Abril de 2006 |