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quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Menina e moça.
De acordar de manhã e estar sempre sol e calor.
Das mercearias indianas no intendente.
Das natas quentes comidas em Belém, mas tratadas por outro nome.
Dos passeios a pé pelas calçadas.
Dos aviões a passarem tangentes aos prédios.
Do Tejo visto de longe.
Das muitas línguas faladas por todo o lado.
Das manifestações com muita gente.
Das salas de cinema onde se pode ir sem ter carro.
Das escadas rolantes até ao bairro alto.
Dos comboios e do metro.
Do cheiro a sardinhas no verão.
Da sensação de estar sempre num bairro pequenino, assim que se sai de uma grande avenida.
Do cartaz cultural sempre cheio.
De grande parte dos lisboetas que conheço.
E claro, dos eléctricos para cima e para baixo.
[este texto esteve para começar com a frase «de que gosto eu em Lisboa». Mas depois mudei de ideias.]

| eléctricos | sé | lisboa | dez 2007 |
Das mercearias indianas no intendente.
Das natas quentes comidas em Belém, mas tratadas por outro nome.
Dos passeios a pé pelas calçadas.
Dos aviões a passarem tangentes aos prédios.
Do Tejo visto de longe.
Das muitas línguas faladas por todo o lado.
Das manifestações com muita gente.
Das salas de cinema onde se pode ir sem ter carro.
Das escadas rolantes até ao bairro alto.
Dos comboios e do metro.
Do cheiro a sardinhas no verão.
Da sensação de estar sempre num bairro pequenino, assim que se sai de uma grande avenida.
Do cartaz cultural sempre cheio.
De grande parte dos lisboetas que conheço.
E claro, dos eléctricos para cima e para baixo.
[este texto esteve para começar com a frase «de que gosto eu em Lisboa». Mas depois mudei de ideias.]
| eléctricos | sé | lisboa | dez 2007 |
segunda-feira, outubro 01, 2007
Dia 6.1
A única discussão sobre o planeamento das férias tinha sido a passagem em Veliko Tarnovo. Eu tive que forçar a visita à antiga capital búlgara. Ficou acertada uma tarde para visitar a cidade, visita essa que acabou por ficar reduzida a menos de hora e meia. Das cidades búlgaras era a que tinha mais curiosidade em conhecer e a verdade é que fiquei com aquela sensação que ainda lá voltarei em dias da minha vida.
Chegámos lá depois de parar por pouco tempo em Kazanlak por causa de uma desdita essência de rosas. Almoçámos por menos de uns trocos numa tasca para camionistas no meio da montanha entre Kazanlak e Gabrovo.
A fotografia ao longe do Tsarevets - a cidadela antiga agora desabitada - ficou lixada por um reflexo da própria máquina na janela do hotel onde lanchámos. Não era esse o objectivo.

| tsarevets | veliko tarnovo | bulgária | junho 2007 |
Chegámos lá depois de parar por pouco tempo em Kazanlak por causa de uma desdita essência de rosas. Almoçámos por menos de uns trocos numa tasca para camionistas no meio da montanha entre Kazanlak e Gabrovo.
A fotografia ao longe do Tsarevets - a cidadela antiga agora desabitada - ficou lixada por um reflexo da própria máquina na janela do hotel onde lanchámos. Não era esse o objectivo.
| tsarevets | veliko tarnovo | bulgária | junho 2007 |
terça-feira, setembro 25, 2007
Dia 5.1
Sozopol é (era) uma vila piscatória junto ao mar negro. O encanto que tem resulta mais do facto de não ter milhões de turistas germânicos, britânicos e escandinavos do que propriamente da sua beleza.
À beira mar os barquinhos. No interior as casinhas de madeira. Muito bonito para os postalinhos. De resto muito chato.
[assim se escreve Sozopol em cirílico, tem o seu encanto, não é?]

| sozopol | bulgária | junho 2007 |
À beira mar os barquinhos. No interior as casinhas de madeira. Muito bonito para os postalinhos. De resto muito chato.
[assim se escreve Sozopol em cirílico, tem o seu encanto, não é?]
| sozopol | bulgária | junho 2007 |
quinta-feira, agosto 23, 2007
Dia 2.1
Não encontro um paralelo entre aquilo que é um mosteiro da igreja ortodoxa e algo que diga respeito à nossa realidade histórica e cultural. Os mosteiros na Bulgária (na Roménia é semelhante) estão metidos em locais de alta montanha, tipicamente longe de tudo e com um acesso que há uns anos atrás seria bem mais complicado que hoje. Os monges viviam [vivem] isolados de tudo e de forma aparentemente autónoma.
O mosteiro de Rila, o mais famoso de toda a Bulgária, em pleno mês de Junho ainda é tutelado por vestígios de neve no topo das montanhas. A arquitectura cheira já a qualquer coisa de bizantino. A mim em particular esse tipo de construção lembra-me Veneza.

| O mosteiro de Rila | Bulgária | Junho de 2007 |
Mas mais impressionante que tudo isso são os frescos. As cenas são muito coloridas e aquelas que retratam certas passagens bíblicas, representações do inferno ou determinados acontecimentos são particularmente grotescos.

| frescos | Rila | Bulgária | Junho de 2007 |
Neste mosteiro sente-se muito pouca religiosidade no ar. O que quer que isto signifique. Sei bem que a religiosidade não voa. Há magotes de turistas por todo o lado.
Mais importante que isso, recordo um dos ensinamentos de um dos grandes fotógrafos amadores portugueses: nunca menosprezar o potencial fotogénico de uma turista japonesa e do seu respectivo guarda-sol.
Olho para as notas que tomei nesse final de dia. «O mosteiro é impressionante. Não deu grandes fotos. Talvez algumas engraçadas a cores.» Ainda não revelei os filmes a preto e branco, mas a julgar por mim próprio, melhor que isto não deve haver. De qualquer forma a boa recordação deste dia são as filhoses quentes comidas à porta do mosteiro. Custaram 60 stotinki cada uma. Que dinheiro tão bem gasto...

| o potencial fotogénico da turista japonesa | Rila | Bulgária | Junho de 2007 |
O mosteiro de Rila, o mais famoso de toda a Bulgária, em pleno mês de Junho ainda é tutelado por vestígios de neve no topo das montanhas. A arquitectura cheira já a qualquer coisa de bizantino. A mim em particular esse tipo de construção lembra-me Veneza.
| O mosteiro de Rila | Bulgária | Junho de 2007 |
Mas mais impressionante que tudo isso são os frescos. As cenas são muito coloridas e aquelas que retratam certas passagens bíblicas, representações do inferno ou determinados acontecimentos são particularmente grotescos.
| frescos | Rila | Bulgária | Junho de 2007 |
Neste mosteiro sente-se muito pouca religiosidade no ar. O que quer que isto signifique. Sei bem que a religiosidade não voa. Há magotes de turistas por todo o lado.
Mais importante que isso, recordo um dos ensinamentos de um dos grandes fotógrafos amadores portugueses: nunca menosprezar o potencial fotogénico de uma turista japonesa e do seu respectivo guarda-sol.
Olho para as notas que tomei nesse final de dia. «O mosteiro é impressionante. Não deu grandes fotos. Talvez algumas engraçadas a cores.» Ainda não revelei os filmes a preto e branco, mas a julgar por mim próprio, melhor que isto não deve haver. De qualquer forma a boa recordação deste dia são as filhoses quentes comidas à porta do mosteiro. Custaram 60 stotinki cada uma. Que dinheiro tão bem gasto...
| o potencial fotogénico da turista japonesa | Rila | Bulgária | Junho de 2007 |
quarta-feira, agosto 15, 2007
Dia 1.3
Este post, ao contrário do que é habitual tem duas fotografias. Os anteriores também tinham, mas não era tão óbvio. ;)
Comecei a sentir isto pela primeira vez no Canadá. "Isto" o quê? Bom "isto" de achar que já há pouca coisa que se possa encontrar numa cidade que possa genuinamente surpreender ou encantar. É pedante bem sei... E já se está mesmo a adivinhar: agora o gajo vai-se pôr a enumerar todas as cidades que já visitou como quem mostra o pescoço carregado com as joias da família.
Não é que não me surpreenda com uma viagem - continua a ser das coisas que adoro fazer - mas o que eu procuro sou coisas menos retratáveis em fotografia. O mais certo é que os bons momentos que se passam, nem sempre possam ser retratados. As máquinas fotográficas são só acessórios, de vez em quando também convém pousa-las...
Tudo isto para dizer que passear em Sófia pela primeira vez foi uma coisa que me agradou, mas não me surpreendeu. Gosto de descobrir as cidades a pé e calmamente. Visito uma loja de material fotográfico usado. Até aqui as russas Lomo estão inflaccionadas. O homem pede-me 80 lev (40€) e explica-me que a grande angular é muito boa. Sorrio maldicentemente. O nome da máquina nem sequer está escrito em cirílico...
Noutro pólo da Universidade mais uma surpresa. Num cubículo de 36m2 amontoam-se livros por mais de 2 metros de altura. O velho livreiro sabe onde está cada um deles e tenta vender-me literatura búlgara do séc.XX em francês. Teria mais sorte que o outro com a Lomo, mas não me apanhou para aí virado.
Ao passar em frente à igreja em memória de Aleksander Nevski, encontro um elfo no jardim. Explico-lhe que para fazer o meu postal, preciso que passe em frente à igreja um trabant isolado, sem qualquer outro carro ou pessoa. Ele pisca-me o olho. Espero menos de 3 minutos, disparo e continuo o meu caminho.

| igreja aleksander nevski | sófia | bulgária | junho 2007 |
Em frente à sede do governo, anterior sede do partido comunista, ostentam-se as bandeiras dos países membros da Otan. Depois de seguidora canina da política de Moscovo, a Bulgária apressa-se agora a lamber as mãos ao novo dono. Os dirigentes búlgaros parecem ser alunos marrões que engraxam os professores o mais que podem, mas são incapazes de perceber o que quer que seja da matéria dada.

| sede do governo | sófia | bulgária | junho 2007 |
Comecei a sentir isto pela primeira vez no Canadá. "Isto" o quê? Bom "isto" de achar que já há pouca coisa que se possa encontrar numa cidade que possa genuinamente surpreender ou encantar. É pedante bem sei... E já se está mesmo a adivinhar: agora o gajo vai-se pôr a enumerar todas as cidades que já visitou como quem mostra o pescoço carregado com as joias da família.
Não é que não me surpreenda com uma viagem - continua a ser das coisas que adoro fazer - mas o que eu procuro sou coisas menos retratáveis em fotografia. O mais certo é que os bons momentos que se passam, nem sempre possam ser retratados. As máquinas fotográficas são só acessórios, de vez em quando também convém pousa-las...
Tudo isto para dizer que passear em Sófia pela primeira vez foi uma coisa que me agradou, mas não me surpreendeu. Gosto de descobrir as cidades a pé e calmamente. Visito uma loja de material fotográfico usado. Até aqui as russas Lomo estão inflaccionadas. O homem pede-me 80 lev (40€) e explica-me que a grande angular é muito boa. Sorrio maldicentemente. O nome da máquina nem sequer está escrito em cirílico...
Noutro pólo da Universidade mais uma surpresa. Num cubículo de 36m2 amontoam-se livros por mais de 2 metros de altura. O velho livreiro sabe onde está cada um deles e tenta vender-me literatura búlgara do séc.XX em francês. Teria mais sorte que o outro com a Lomo, mas não me apanhou para aí virado.
Ao passar em frente à igreja em memória de Aleksander Nevski, encontro um elfo no jardim. Explico-lhe que para fazer o meu postal, preciso que passe em frente à igreja um trabant isolado, sem qualquer outro carro ou pessoa. Ele pisca-me o olho. Espero menos de 3 minutos, disparo e continuo o meu caminho.
| igreja aleksander nevski | sófia | bulgária | junho 2007 |
Em frente à sede do governo, anterior sede do partido comunista, ostentam-se as bandeiras dos países membros da Otan. Depois de seguidora canina da política de Moscovo, a Bulgária apressa-se agora a lamber as mãos ao novo dono. Os dirigentes búlgaros parecem ser alunos marrões que engraxam os professores o mais que podem, mas são incapazes de perceber o que quer que seja da matéria dada.
| sede do governo | sófia | bulgária | junho 2007 |
terça-feira, julho 17, 2007
Os lacticínios dos Açores.
Este ano fiquei boquiaberto ao ver o estado em que estava a lagoa das furnas. Verde, cheia de algas, com um aspecto quase pantanoso.
Nas sete cidades, as lagoas estavam ainda piores que o ano passado. A lagoa verde está amarela e a lagoa azul está quase tão verde como a lagoa das furnas. Nem sequer as consegui fotografar.
Para os turistas que as viam pela primeira vez, percebi que sentiam que estavam perante um cenário paradisíaco. Mas basta passar os olhos pela lagoa do fogo (a única protegida da exploração pecuária) para ver a diferença e perceber o que está a acontecer.
Os postais antigos onde as diferenças de cor eram visíveis, parecem apenas manipulações das imagens.
A causa de semelhante catástrofe está na exploração intensiva das pastagens da ilha e no excesso de nutrientes (estrume e adubos, na verdade) que são arrastados. Se nada for feito, nunca mais as lagoas serão o que eram.
Já não falo sequer no fim da laurissilva endémica que resiste ainda nalgumas zonas entre a tronqueira e o pico da vara.
Cá em casa, o boicote aos lacticínios dos Açores começa hoje. Meus amigos de Vila do Conde, gramem vocês com as vacas. Lamento.

| lagoa das furnas | s. miguel | açores | julho de 2007 |
Nas sete cidades, as lagoas estavam ainda piores que o ano passado. A lagoa verde está amarela e a lagoa azul está quase tão verde como a lagoa das furnas. Nem sequer as consegui fotografar.
Para os turistas que as viam pela primeira vez, percebi que sentiam que estavam perante um cenário paradisíaco. Mas basta passar os olhos pela lagoa do fogo (a única protegida da exploração pecuária) para ver a diferença e perceber o que está a acontecer.
Os postais antigos onde as diferenças de cor eram visíveis, parecem apenas manipulações das imagens.
A causa de semelhante catástrofe está na exploração intensiva das pastagens da ilha e no excesso de nutrientes (estrume e adubos, na verdade) que são arrastados. Se nada for feito, nunca mais as lagoas serão o que eram.
Já não falo sequer no fim da laurissilva endémica que resiste ainda nalgumas zonas entre a tronqueira e o pico da vara.
Cá em casa, o boicote aos lacticínios dos Açores começa hoje. Meus amigos de Vila do Conde, gramem vocês com as vacas. Lamento.
| lagoa das furnas | s. miguel | açores | julho de 2007 |
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