| mata da serreta | terceira | açores |
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quinta-feira, novembro 06, 2008
Conclusão matinal.
Um bom pai é apenas um pouco mais que um bom artista de variedades.

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quarta-feira, novembro 05, 2008
O contrário da violência.
Há coisas que leio com imenso gosto...
«Em grandes traços, as soluções passam, em primeiro lugar, por saber gerir a violência não só para o exterior do movimento (forças de segurança, autoridades, etc...) mas também para o seu interior (algo muito menos julgado frequentemente, pelos níveis de sexismo, agressividade e outras formas de violência visível nos espaços do movimento).
Em segundo lugar, há que combater a violência com o seu único antídoto: o humor. Ao contrário do que é costume pensar, o contrário da violência não é a paz mas o humor. Os activistas com tendência para a violência têm personalidades mais propícias ao drama que ao humor. Para gerir a violência faz falta ler muito menos o «Que fazer?» e ver muito mais os Monty Python.»
Tradução minha.

| pico | junho 2006 |
«Em grandes traços, as soluções passam, em primeiro lugar, por saber gerir a violência não só para o exterior do movimento (forças de segurança, autoridades, etc...) mas também para o seu interior (algo muito menos julgado frequentemente, pelos níveis de sexismo, agressividade e outras formas de violência visível nos espaços do movimento).
Em segundo lugar, há que combater a violência com o seu único antídoto: o humor. Ao contrário do que é costume pensar, o contrário da violência não é a paz mas o humor. Os activistas com tendência para a violência têm personalidades mais propícias ao drama que ao humor. Para gerir a violência faz falta ler muito menos o «Que fazer?» e ver muito mais os Monty Python.»
Tradução minha.
| pico | junho 2006 |
segunda-feira, novembro 03, 2008
História muito breve das nacionalizações em Portugal.
quinta-feira, outubro 30, 2008
A hora é sempre a hora local.
Um fim de algum tempo começou a pensar que efectivamente poderia estar a ficar louco. Estava a olhar para o seu bloco de notas, depois de várias semanas de viagem e duas noites sem dormir entre comboios e estações geladas algures na Ásia.
Estava habituado a olhar para os seus textos como um conjunto de frases desconexas. Assim era mais uma vez e com o cansaço recente, a justificação parecia óbvia e natural.
No entanto as horas não podiam estar correctas. Primeiro essa discrepância passou-lhe desapercebida. Depois começou a perceber como as refeições sucediam-se a um ritmo pouco habitual. Não tinha hábito de usar relógio e o telemóvel há muito que andava desligado. Ali de nada lhe servia. Só se servia dos relógios das estações, para onde olhava com o mesmo olhar que se lança a um instrumento de tortura.
Foi então que se lembrou de uma antiga amante, com quem combinava encontros tanto do lado de cá, como do lado de lá da fronteira. A confusão com os fusos horários era recorrente. E ela, como se lhe sussurrasse uma secreta e perversa fantasia repetia-lhe sempre ao telefone: «cielo, la hora siempre es la hora local.»

| ilhéu de vila franca | s. miguel | junho 2006 |
Estava habituado a olhar para os seus textos como um conjunto de frases desconexas. Assim era mais uma vez e com o cansaço recente, a justificação parecia óbvia e natural.
No entanto as horas não podiam estar correctas. Primeiro essa discrepância passou-lhe desapercebida. Depois começou a perceber como as refeições sucediam-se a um ritmo pouco habitual. Não tinha hábito de usar relógio e o telemóvel há muito que andava desligado. Ali de nada lhe servia. Só se servia dos relógios das estações, para onde olhava com o mesmo olhar que se lança a um instrumento de tortura.
Foi então que se lembrou de uma antiga amante, com quem combinava encontros tanto do lado de cá, como do lado de lá da fronteira. A confusão com os fusos horários era recorrente. E ela, como se lhe sussurrasse uma secreta e perversa fantasia repetia-lhe sempre ao telefone: «cielo, la hora siempre es la hora local.»
| ilhéu de vila franca | s. miguel | junho 2006 |
quarta-feira, outubro 29, 2008
Uma notícia irrelevante.
Um dia, acabaremos por compreender o significado de pequenas notícias que nunca chegam às capas dos jornais. O que me apoquenta é que essa tomada de consciência será muito dolorosa.

| s. jorge | açores | junho de 2006 |
| s. jorge | açores | junho de 2006 |
domingo, outubro 26, 2008
quinta-feira, setembro 04, 2008
O que visitar em São Miguel - Açores
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Acho que isto que escrevi há uns meses para uma amiga, pode dar jeito:
Quanto a S. Miguel, acho que há muito a visitar. o ideal é que alugues um carro. os carros são bastante caros, mas a verdade é que é mesmo a única maneira de visitar a ilha.
A ilha é muito bonita e fácil de descobrir. A única regra é andar devagar na estrada porque pode aparecer-te uma vaca ao virar da esquina. A sério. :|
Pega num mapa para acompanhares o que te vou dizer:
percurso 1 - zona oeste (a clássica volta ao concelho de Ponta Delgada)
-sair de PD em direcção ao aeroporto. e subir até às sete cidades, pela vista do rei. antes de chegares lá cima visita as lagoas empadadas. são muito bonitas. depois vira para a lagoa do canário e dá um passeio a pé na zona. muito bonito. procura o miradouro sobre as sete cidades. é a vista mais bonita.
-continuar até à vista do rei e descer até às lagoas.
-sair não pelo mesmo caminho mas em direcção aos mosteiros.
-visitar a ferraria (acho que tens que virar para ponta delgada), descendo até lá baixo. é a zona mais recente da ilha. há água quente a nascer no mar e é natural que vejas gente a tomar banho. eu não aconselho, a minha irmã já o fez e diz que se a maré estiver demasiado baixa é fácil alguém queimar-se.
-continuar em direcção aos mosteiros e fazer o percurso até à bretanha.
-almoçar na bretanha num restaurante chamado "cavalo branco". se não encontrares, pergunta, toda a gente conhece.
-visitar o porto das capelas (uma escarpa enorme) e regressar a ponta delgada
percurso 2 (lagoa do fogo e das furnas).
-sair de ponta delgada em direcção à lagoa do Fogo. Subir. Apreciar. Se tiveres tempo, desce lá abaixo. o percurso é difícil e exige cautela e no mínimo 3 horas. é a única lagoa onde ainda se pode tomar banho, se bem que eu não aconselho. :)
-descer em direcção à costa norte e tomar banho nas águas quentes da caldeira velha. obrigatório.
-possibilidade de almoçar na ribeira grande (há vários restaurantes, mas não sei o nome).
-Continuar em direcção às furnas. ver o miradouro do pico da pedra e/ou do salto do cavalo.
-visitar as caldeiras (comer milho cozido e bolos lêvedos) e a lagoa.
-se quiseres comer o cozido em vapor, telefona de véspera para o restaurante Miroma. É cozido à portuguesa e é bom. :)
-visitar a praia da ribeira quente. fixe para tomar banho.
-regressar pela costa sul. visitar vila franca do campo.
-em água de pau, descer até ao Porto da Caloura. é bonitinho e também é um sítio fixe para o banho.
-regressar a ponta delgada.
percurso 3 povoação e nordeste.
-é a zona mais remota da ilha e como não é excepcionalmente bonita pode ficar esquecida. é demorado lá chegar, mas felizmente as estradas são bonitas. Depois da Povoação, visita o Faial da Terra. Aí há um novo percurso a pé até uma aldeia recuperada. Ainda não fui lá.
-se te sentires com coragem mete o carro na estrada de terra da serra da tronqueira. É bonita a vista para o Pico da Vara, mas só se estiver bom tempo.
-depois é fazer o recortado da costa do nordeste até à ribeira grande. é um percurso enorme. mas bonito. :)
praias.
o tempo em S. Miguel é dominado pelas serras. dependendo do vento, olha para o céu e vê onde há nuvens e sol. Se as nuvens estiverem na costa norte, toma banho na praia do pópulo. é um clássico. Se estiverem nuvens a sul, vai de carro até à ribeira grande (são 10 minutos) e logo na primeira rotunda vira para o mar (acho que há placas). A praia é belíssima.
antes de te meteres na água, pergunta por precaução se há "águas vivas". são umas alforrecas pequenas e bastante perigosas. são típicas em agosto.
Ilhéu de vila franca.
Prepara um lanche e mete-te no barco até lá. há barcos de hora a hora e vale a pena passar ali duas ou três horas a tomar banho. é um sítio bonito.
Ponta Delgada.
Cidade pequena e pouco preparada para os turistas. Em duas horas vês aquilo tudo. Agora já tem um shopping. :)
Hoteis não conheço. Óbvio. :)
| festas do espírito santo | ponta delgada | açores | julho 2007 |
terça-feira, setembro 02, 2008
Não, não ando doido.
Começo aqui a escrever a partir de:
-uma pequena provocação de um amigo (daí o título) e
-uma constatação: tenho fotografado cada vez menos.
Primeiro que tudo, sinto-me a mudar. Acho que isso é comum em qualquer idade. No entanto associamos isso a mudanças visíveis e que podem servir facilmente de explicação. Por exemplo: a mudança de escola, a entrada na faculdade, a saída da faculdade, uma nova namorada, a passagem por um país estrangeiro, um novo trabalho, etc... No meu caso, ao contrário do que possa parecer à primeira visto, nada disso. Eppur si muove.
Pela primeira vez embarquei num avião com apenas um rolo de slides na máquina e pilhas numa pequena digital. Nem um único filme a preto e branco. Ainda assim, ao fim de duas semanas, grande parte dos slides foram disparados para acabar o rolo antes do voo de regresso.
E assim se confirma: fotografo pouco. Gostaria de ter fotografado mais. Ou melhor, não fotografei porque fiz outras escolhas e não me arrependo delas, mas gostaria que essas escolhas não condicionassem o facto de não ter fotografado.
E finalmente depois de no fim-de-semana ter passado fugazmente pela zona do S. João no Porto (quem não sabe de que falo, soubesse) senti uma grande distância de parte da minha própria história de vida. E alguma tristeza por verificar que algumas das escolhas recentes que fiz são correctas. É um pouco esquizofrénico, mas é assim mesmo. Não, não ando doido.

| graciosa, s. jorge e pico | açores | agosto 2008 |
-uma pequena provocação de um amigo (daí o título) e
-uma constatação: tenho fotografado cada vez menos.
Primeiro que tudo, sinto-me a mudar. Acho que isso é comum em qualquer idade. No entanto associamos isso a mudanças visíveis e que podem servir facilmente de explicação. Por exemplo: a mudança de escola, a entrada na faculdade, a saída da faculdade, uma nova namorada, a passagem por um país estrangeiro, um novo trabalho, etc... No meu caso, ao contrário do que possa parecer à primeira visto, nada disso. Eppur si muove.
Pela primeira vez embarquei num avião com apenas um rolo de slides na máquina e pilhas numa pequena digital. Nem um único filme a preto e branco. Ainda assim, ao fim de duas semanas, grande parte dos slides foram disparados para acabar o rolo antes do voo de regresso.
E assim se confirma: fotografo pouco. Gostaria de ter fotografado mais. Ou melhor, não fotografei porque fiz outras escolhas e não me arrependo delas, mas gostaria que essas escolhas não condicionassem o facto de não ter fotografado.
E finalmente depois de no fim-de-semana ter passado fugazmente pela zona do S. João no Porto (quem não sabe de que falo, soubesse) senti uma grande distância de parte da minha própria história de vida. E alguma tristeza por verificar que algumas das escolhas recentes que fiz são correctas. É um pouco esquizofrénico, mas é assim mesmo. Não, não ando doido.
| graciosa, s. jorge e pico | açores | agosto 2008 |
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Solidão
Todos os blogues são espaços de solidão. Por isso este anda tão sozinho.

| festas do espírito santo | ponta delgada | julho de 2007 |
| festas do espírito santo | ponta delgada | julho de 2007 |
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Copos sábado à noite?
O cheirinho de alecrim.
O tabaco em si é apenas uma planta. Como provavelmente muitos de vocês sabem, uma das coisas que me chateia há muitos anos é vir para casa com perfume a tabaco. Por qualquer motivo que não posso explicar por completo incomoda-me o cheiro. Não me incomodam o cheiro de outras plantas. Por exemplo, o alecrim, o tomilho, os oregãos ou o louro. Gosto até bastante de coentros. Tabaco, confesso que nunca apreciei.
Pouca gente saberá quais os efeitos de passar o dia a queimar louro seco e a metê-lo para dentro dos pulmões. Ou alecrim, oregãos ou coentros. Dito assim parece uma coisa bastante ridícula, não é verdade? Quem se lembraria de fazer semelhante disparate? Mas pelos vistos há quem tire um prazer enorme em fazê-lo com outras plantas, sendo o tabaco uma delas... Eu ainda assim continuo a achar que os coentros são melhores fresquinhos no prato, do que queimados depois de secos.
a liberdade.
Assustam-se muito os proprietários de cafés, bares e restaurantes com a nova lei sobre o tabaco. Os jornalistas fazem coro. Os fumadores, passarão a ser oprimidos e certamente haverá até quem já se tenha dedicado a explicar como a lei é pura e simplesmente fascista. A liberdade dos fumadores está posta em causa! Estou a ficar careca, mas fico com os cabelos em pé de cada vez que penso que a liberdade está posta em causa. Nem pensar nisso! Tenho muitos amigos fumadores, como vão agora tirar-lhes essa liberdade? Nã, nã, nã... que eu também sei daquela citação do Brecht...
old school rulez.
Os revolucionários franceses do séc. XVIII perceberam muito bem essa coisa da liberdade. E perceberam-na tão bem, que a fecharam num círculo com outros dois conceitos: a igualdade e a fraternidade. Qualquer um destes, sem os outros dois, seria despido de sentido. Até agora a regra tem sido olhar para o tabagismo como a liberdade de fazer fumo em sítios fechados, em nome do prazer próprio ou doutra coisa qualquer que eu não estou em condições de perceber. E essa era a regra. A mim que me chateava o cheiro da dita planta, restava-me a liberdade de não frequentar cafés, bares e (aqui para nós que ninguém nos ouve) a liberdade de deixar de participar em determinadas reuniões, mesmo que cercado de camaradagem ecologista. Exerci essa liberdade (e continuarei a fazê-lo) muitos anos.
Ponho-me para aqui a pensar com os meus botões, enquanto vejo notícias que anunciam que muitos bares, discotecas, restaurantes de luxo e tascas das mais rascas vão abrir falência. Imagino que não abram falência logo no próprio dia 1 de Janeiro de 2008. Primeiro porque é feriado e segundo porque suponho que toda a gente terá curiosidade em ver como será, antes de abrir falência. Mesmo com a crise, toda a gente tem um pequeno pé de meia. Lá para Fevereiro estará certamente instalado o caos.
Eu estou habituado a ser minoria. Não é bem uma questão de estilo. Será outra coisa qualquer. Eu gosto de pensar que tem a ver com o discernimento - mas essa pretensão pode ser muito bem o primeiro sintoma de como estou enganado. Mas no meio desta história acho que não sou minoria. Pelo contrário, por uma vez acho que faço parte da maioria - um bolchevique afinal.
ano novo
Uma das mudanças que vejo como certa na minha vida em 2008, será certamente o facto de começar a sair mais vezes à noite. Melhor dizendo, não é bem mais vezes - porque agora nunca saio - trata-se de recomeçar a sair à noite. De cada vez que o fizer, pode ser que ajude o dono de algum bar a salvar-se da falência certa. Mas sendo os não fumadores a maioria, talvez a história venha a revelar-se diferente. Ainda assim, não tenho pretensões a adivinho.
Tenho pena que em Portugal uma lei tão sensata tenha sido implementada por um dos governos mais coerentemente e "espertamente" neo-liberais. Posso estar enganado, mas penso que nesta lei pesaram mais os técnicos do Ministério da Saúde, que o programa do governo PS.
Tenho pena que esta lei não tenha sido imposta pelos sindicatos, como uma das formas mais elementares de protecção dos trabalhadores - sobretudo dos que trabalham na restauração.
Tenho pena que tenha sido uma decisão da tecnocracia. É que é sabido, a tecnocracia, ainda que acerte às vezes, falha muitas outras.
Tenho pena que na esquerda, a liberdade de poluir surja como uma contraponto a outra coisa qualquer sempre apresentada como sendo muito (mas muito!) mais importante - a liberdade de ser informado (tanta gente que deve desconhecer os malefícios do tabaco, não é?), de ser estimulado de mil e uma maneiras a deixar o vício (mas então não somos livres de escolher?), a liberdade de ter tratamentos anti-tabágicos pagos (mas... mas... mas... os maços de tabaco, quem os paga afinal?).
Tenho pena que o meu partido tenha tomado a posição ridícula que tomou.
No meio de tanta pena não posso deixar de sorrir ao saber que os deputados não poderão invocar imunidade parlamentar e terão que fumar na rua, fora da assembleia. Dickens teria certamente escrito um livro maravilhoso sobre a questão. Mas fico curioso sobre quem se arriscará a uma conversa de circunstância com o Paulo Portas, na soleira da porta de entrada.
2007 foi o que foi, 2008 será o que será. Eu estou cá para que sejam diferentes um do outro.

| :) | montagem | festas do espírito santo | ponta delgada | açores | julho 2007 |
O tabaco em si é apenas uma planta. Como provavelmente muitos de vocês sabem, uma das coisas que me chateia há muitos anos é vir para casa com perfume a tabaco. Por qualquer motivo que não posso explicar por completo incomoda-me o cheiro. Não me incomodam o cheiro de outras plantas. Por exemplo, o alecrim, o tomilho, os oregãos ou o louro. Gosto até bastante de coentros. Tabaco, confesso que nunca apreciei.
Pouca gente saberá quais os efeitos de passar o dia a queimar louro seco e a metê-lo para dentro dos pulmões. Ou alecrim, oregãos ou coentros. Dito assim parece uma coisa bastante ridícula, não é verdade? Quem se lembraria de fazer semelhante disparate? Mas pelos vistos há quem tire um prazer enorme em fazê-lo com outras plantas, sendo o tabaco uma delas... Eu ainda assim continuo a achar que os coentros são melhores fresquinhos no prato, do que queimados depois de secos.
a liberdade.
Assustam-se muito os proprietários de cafés, bares e restaurantes com a nova lei sobre o tabaco. Os jornalistas fazem coro. Os fumadores, passarão a ser oprimidos e certamente haverá até quem já se tenha dedicado a explicar como a lei é pura e simplesmente fascista. A liberdade dos fumadores está posta em causa! Estou a ficar careca, mas fico com os cabelos em pé de cada vez que penso que a liberdade está posta em causa. Nem pensar nisso! Tenho muitos amigos fumadores, como vão agora tirar-lhes essa liberdade? Nã, nã, nã... que eu também sei daquela citação do Brecht...
old school rulez.
Os revolucionários franceses do séc. XVIII perceberam muito bem essa coisa da liberdade. E perceberam-na tão bem, que a fecharam num círculo com outros dois conceitos: a igualdade e a fraternidade. Qualquer um destes, sem os outros dois, seria despido de sentido. Até agora a regra tem sido olhar para o tabagismo como a liberdade de fazer fumo em sítios fechados, em nome do prazer próprio ou doutra coisa qualquer que eu não estou em condições de perceber. E essa era a regra. A mim que me chateava o cheiro da dita planta, restava-me a liberdade de não frequentar cafés, bares e (aqui para nós que ninguém nos ouve) a liberdade de deixar de participar em determinadas reuniões, mesmo que cercado de camaradagem ecologista. Exerci essa liberdade (e continuarei a fazê-lo) muitos anos.
Ponho-me para aqui a pensar com os meus botões, enquanto vejo notícias que anunciam que muitos bares, discotecas, restaurantes de luxo e tascas das mais rascas vão abrir falência. Imagino que não abram falência logo no próprio dia 1 de Janeiro de 2008. Primeiro porque é feriado e segundo porque suponho que toda a gente terá curiosidade em ver como será, antes de abrir falência. Mesmo com a crise, toda a gente tem um pequeno pé de meia. Lá para Fevereiro estará certamente instalado o caos.
Eu estou habituado a ser minoria. Não é bem uma questão de estilo. Será outra coisa qualquer. Eu gosto de pensar que tem a ver com o discernimento - mas essa pretensão pode ser muito bem o primeiro sintoma de como estou enganado. Mas no meio desta história acho que não sou minoria. Pelo contrário, por uma vez acho que faço parte da maioria - um bolchevique afinal.
ano novo
Uma das mudanças que vejo como certa na minha vida em 2008, será certamente o facto de começar a sair mais vezes à noite. Melhor dizendo, não é bem mais vezes - porque agora nunca saio - trata-se de recomeçar a sair à noite. De cada vez que o fizer, pode ser que ajude o dono de algum bar a salvar-se da falência certa. Mas sendo os não fumadores a maioria, talvez a história venha a revelar-se diferente. Ainda assim, não tenho pretensões a adivinho.
Tenho pena que em Portugal uma lei tão sensata tenha sido implementada por um dos governos mais coerentemente e "espertamente" neo-liberais. Posso estar enganado, mas penso que nesta lei pesaram mais os técnicos do Ministério da Saúde, que o programa do governo PS.
Tenho pena que esta lei não tenha sido imposta pelos sindicatos, como uma das formas mais elementares de protecção dos trabalhadores - sobretudo dos que trabalham na restauração.
Tenho pena que tenha sido uma decisão da tecnocracia. É que é sabido, a tecnocracia, ainda que acerte às vezes, falha muitas outras.
Tenho pena que na esquerda, a liberdade de poluir surja como uma contraponto a outra coisa qualquer sempre apresentada como sendo muito (mas muito!) mais importante - a liberdade de ser informado (tanta gente que deve desconhecer os malefícios do tabaco, não é?), de ser estimulado de mil e uma maneiras a deixar o vício (mas então não somos livres de escolher?), a liberdade de ter tratamentos anti-tabágicos pagos (mas... mas... mas... os maços de tabaco, quem os paga afinal?).
Tenho pena que o meu partido tenha tomado a posição ridícula que tomou.
No meio de tanta pena não posso deixar de sorrir ao saber que os deputados não poderão invocar imunidade parlamentar e terão que fumar na rua, fora da assembleia. Dickens teria certamente escrito um livro maravilhoso sobre a questão. Mas fico curioso sobre quem se arriscará a uma conversa de circunstância com o Paulo Portas, na soleira da porta de entrada.
2007 foi o que foi, 2008 será o que será. Eu estou cá para que sejam diferentes um do outro.
| :) | montagem | festas do espírito santo | ponta delgada | açores | julho 2007 |
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Momento raro de optimismo.
Há semanas que sinto prazer em pensar que de todos os sítios do mundo onde poderia viver, Portugal tem coisas extraordinárias que merecem ser desfrutadas. O quê? -perguntou-me traiçoeiramente um amigo. Não fiz ainda essa contabilidade, a lista detalhada de todas essas características e respectivas ponderações. Garanto. Ela existe e foge às banalidades que facilmente nos poderiam vir à cabeça de imediato, como o bom tempo e a boa comida. O facto de grande parte destas coisas serem invisíveis deixa-me um encanto ainda maior.
E no entanto sinto-me muitas vezes um estrangeiro no meu próprio país. Há muitos dias do ano que percorro estradas e ruas desertas. A semana passada, às dez da noite, percorri de carro uma das mais movimentadas auto-estradas das redondezas. Ao longo de mais de 50 kms passei por três carros. Pelos vistos, nenhum de nós devia estar ali. Eu na verdade não estava: sonhava com outro país, mas quase igual a este. Não me peças para explicar.

| festas do espírito santo | ponta delgada | julho de 2007 |
E no entanto sinto-me muitas vezes um estrangeiro no meu próprio país. Há muitos dias do ano que percorro estradas e ruas desertas. A semana passada, às dez da noite, percorri de carro uma das mais movimentadas auto-estradas das redondezas. Ao longo de mais de 50 kms passei por três carros. Pelos vistos, nenhum de nós devia estar ali. Eu na verdade não estava: sonhava com outro país, mas quase igual a este. Não me peças para explicar.
| festas do espírito santo | ponta delgada | julho de 2007 |
sexta-feira, dezembro 07, 2007
É mesmo verdade.
Ele há coisas que só se percebem com a idade.
Não falo evidentemente daquela consulta de urologia que marquei ontem.

| festas do espírito santo | ponta delgada | açores | julho 2007 |
Não falo evidentemente daquela consulta de urologia que marquei ontem.
| festas do espírito santo | ponta delgada | açores | julho 2007 |
terça-feira, julho 17, 2007
Os lacticínios dos Açores.
Este ano fiquei boquiaberto ao ver o estado em que estava a lagoa das furnas. Verde, cheia de algas, com um aspecto quase pantanoso.
Nas sete cidades, as lagoas estavam ainda piores que o ano passado. A lagoa verde está amarela e a lagoa azul está quase tão verde como a lagoa das furnas. Nem sequer as consegui fotografar.
Para os turistas que as viam pela primeira vez, percebi que sentiam que estavam perante um cenário paradisíaco. Mas basta passar os olhos pela lagoa do fogo (a única protegida da exploração pecuária) para ver a diferença e perceber o que está a acontecer.
Os postais antigos onde as diferenças de cor eram visíveis, parecem apenas manipulações das imagens.
A causa de semelhante catástrofe está na exploração intensiva das pastagens da ilha e no excesso de nutrientes (estrume e adubos, na verdade) que são arrastados. Se nada for feito, nunca mais as lagoas serão o que eram.
Já não falo sequer no fim da laurissilva endémica que resiste ainda nalgumas zonas entre a tronqueira e o pico da vara.
Cá em casa, o boicote aos lacticínios dos Açores começa hoje. Meus amigos de Vila do Conde, gramem vocês com as vacas. Lamento.

| lagoa das furnas | s. miguel | açores | julho de 2007 |
Nas sete cidades, as lagoas estavam ainda piores que o ano passado. A lagoa verde está amarela e a lagoa azul está quase tão verde como a lagoa das furnas. Nem sequer as consegui fotografar.
Para os turistas que as viam pela primeira vez, percebi que sentiam que estavam perante um cenário paradisíaco. Mas basta passar os olhos pela lagoa do fogo (a única protegida da exploração pecuária) para ver a diferença e perceber o que está a acontecer.
Os postais antigos onde as diferenças de cor eram visíveis, parecem apenas manipulações das imagens.
A causa de semelhante catástrofe está na exploração intensiva das pastagens da ilha e no excesso de nutrientes (estrume e adubos, na verdade) que são arrastados. Se nada for feito, nunca mais as lagoas serão o que eram.
Já não falo sequer no fim da laurissilva endémica que resiste ainda nalgumas zonas entre a tronqueira e o pico da vara.
Cá em casa, o boicote aos lacticínios dos Açores começa hoje. Meus amigos de Vila do Conde, gramem vocês com as vacas. Lamento.
| lagoa das furnas | s. miguel | açores | julho de 2007 |
sábado, julho 14, 2007
Dois agradecimentos.
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